Era uma vez um coração. Um coração vermelho e pulsante como qualquer outro. Ele batia forte e se acalmava, batia forte e se acalmava...
Não tinha nada mais, nada menos. Era só um coração. Mas certo dia, um outro coração apareceu a sua frente. E isso o deixou tão feliz! Não tinha do que reclamar. Ela amava pulsar forte, ás vezes, até queria sair daquela escuridão que o prendia e abraçar o outro pequeno órgão que batia ao seu lado. Ficava tão aliviado quando o ouvia pulsar forte também, e ficava triste quando tentava ouvir o típico batuque dele, mas não ouvia.
Passaram bons tempos juntos. Um completava o outro. Já sabiam o que cada aceleração ou calma significavam. Os dois eram um só. Até que de repente, assim, numa manhã qualquer de domingo, ele teve que dizer adeus. Foi do nada. E isso fez com que o arranque de um pedaço machucasse o outro. Doeu. E a dona do lugar que o mantinha ali ainda colocou a culpa nele. Dizia que quem tinha feito tudo aquilo era ele. Mas não era. Ele foi tão vítima quanto ela. E ele, talvez, estivesse tão machucado quanto ela. Entristeceu-se, as marcas ainda estariam ali por um bom tempo. Tinha certeza disso. Por dias, pensava em uma maneira de parar de bater porque o som que ouvia, não sendo a da sua metade, era ensurdecedor. E não aguentaria muito tempo. Era o que pensava. Mas ele aguentou sim.
Se demorou? É, demorou. Mas isso não quer dizer que tenha doído mais, ou menos. Doeu de qualquer jeito. Mas isso só o ajudou a ser forte. Se acontecesse de novo? Sofreria da mesma maneira. Só que com a com certeza de que ficaria tudo bem. Porque sempre fica. Não importa quando, como ou porque. É uma regra. Tudo fica bem no final.