Era como percorrer a mesma estrada, com os mesmo espinhos jogados ao chão. Era saber o que me esperava a frente, e mesmo assim, tentar correr sobre os espinhos, tentando não me importar com eles. Mas machucava, e doía, e a tentativa de não lembrar da dor só a fazia piorar. Sangrava e ardia.
A ideia de apenas deitar na grama, do lado da estrada, e desistir dela, me fazia melhor. Vazia, mas melhor. Os espinhos sempre foram os mesmo, e sempre machucariam da mesma forma. Eu poderia estar disposta a chegar ao fim, sabendo que recomeçaria o ciclo inúmeras vezes, até estar machucada o suficiente para não conseguir prosseguir.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Clave de sol
Confesso, sempre achei gostar de dias chuvosos, nublados ou escuros, porque geralmente, eles traduziam o que eu levava por dentro. Mas estando, sozinha, no frio e no vento, eu senti falta do calor do sol, e do brilho que fazia ofuscar meus olhos. Senti falta das cores mais vivas, e dos cantos dos pássaros em alto som. Depois de tanto tempo, depois de tantos dias pesados, eu percebi que não importava quanto tempo eu passasse debaixo da chuva, um dia, em qualquer hora, em qualquer lugar, sozinha ou não, eu sentiria saudade da vida que aqueles dias de verão me proporcionavam. Eram bons, sempre foram. E talvez, toda aquele tempo, tudo o que eu precisava, era notar o que estava em minha frente. Sorrir para o céu azul, e cantarolar o canto dos pássaros. Saber aproveitar a vida da mesma forma que sabia 'desgostá-la'.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Caio F.
Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muitomais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.
Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, decontinuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
(Retirado do livro "Pequenas Epifanias" e do blog Literatura Fascinante)
domingo, 19 de junho de 2011
Eu sentia inveja do que ele sentia. Sentia falta de tudo o que aquilo havia me proporcionado. Saudade de me dar inteiramente, e de receber proporcionalmente. Sentia falta de um sorriso que significasse o mundo pra mim. Saudade de sentir saudades. Saudades de sentir qualquer coisa, uma pontinha de um sentimento qualquer.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
- Ah, olhe! Ela está vindo novamente. E parece mais forte do que antes.
- Mas o que aconteceu? Por que de novo? Ela prometeu que não voltaria mais.
- Descuido, meu amigo, descuido. É o que dá não ter atenção o suficiente.
- E agora?
- Agora? Bom, agora vamos esperar pela próxima vitima!
- Vitima?
- É! Primeiro ela vai iludi-lo, vai fazer com que ele a ame, e depois levará seu coração embora.
- E como você sabe disso?
- Estou sem coração até hoje.
- Mas o que aconteceu? Por que de novo? Ela prometeu que não voltaria mais.
- Descuido, meu amigo, descuido. É o que dá não ter atenção o suficiente.
- E agora?
- Agora? Bom, agora vamos esperar pela próxima vitima!
- Vitima?
- É! Primeiro ela vai iludi-lo, vai fazer com que ele a ame, e depois levará seu coração embora.
- E como você sabe disso?
- Estou sem coração até hoje.
One last chance
Tudo volta com o mesmo impacto de antes, causando as mesmas sensações. Então eu me pergunto: Será mesmo que deveria ser assim? Será que o destino não enlouqueceu e fez as coisas acontecerem ao contrário?
Eu já disse para Deus, para a torcida do flamengo, para as pessoas que não se importam comigo, para as que dizem se importar, para as que nem me conhecem, disse para o mundo que haveria apenas uma chance! Apenas mais uma. E parece que ninguém me escutou! Eu me esgoelei, perdi a voz, perdi o tempo, perdi a noção de tudo. Pra quê? Oh claro, pra nada!
Eu tentei, assim como você, me dediquei, fiz promessas pra tantas coisas, tantas pessoas, que nem sei como pagá-las, fiz atitudes, fiz palavras, fiz canções, fiz dedicatórias, fiz até mesmo cartas, para anunciar pra todo mundo que haveria apenas mais uma chance, e que eu estava tentando mantê-la firme e fortemente.
Então vinha um, vinham dois, vinham três, me falavam que eu era louca por insistir tanto por algo que não valia a pena, que eu estava remando contra a maré, e que no final de tudo, não chegaria a lugar algum, mas sabe o que eu fiz? Continuei tentando! E sabe por quê? Porque eu havia dito que tentaria! Eu havia prometido e me esforçado. Eu havia aguentado longos meses de sofrimento e espera para conseguir, finalmente, a minha excelentíssima chance! E eu a consegui! Sim, eu a consegui! Mas não me valeu de nada. Porque roubaram-na de mim, rasgaram-na e jogaram em qualquer lugar. E eu a vi lá, jogada ao chão, a minha única e última chance jogada ao chão pela pessoa que eu mais me importava. A minha chance de dar uma chance ao amor... Mas ela foi-se, assim, rapidinho. Junto com as esperanças, e com a ilusão de que um dia, alguém se dedicaria tanto pra mim, como eu me dediquei. E que talvez, um amor não fosse SEMPRE dado por uma só pessoa, mas retribuído de forma igual.
Ironia, não? O que sempre foi, não há de mudar. Nem agora, e nem nunca.
Eu já disse para Deus, para a torcida do flamengo, para as pessoas que não se importam comigo, para as que dizem se importar, para as que nem me conhecem, disse para o mundo que haveria apenas uma chance! Apenas mais uma. E parece que ninguém me escutou! Eu me esgoelei, perdi a voz, perdi o tempo, perdi a noção de tudo. Pra quê? Oh claro, pra nada!
Eu tentei, assim como você, me dediquei, fiz promessas pra tantas coisas, tantas pessoas, que nem sei como pagá-las, fiz atitudes, fiz palavras, fiz canções, fiz dedicatórias, fiz até mesmo cartas, para anunciar pra todo mundo que haveria apenas mais uma chance, e que eu estava tentando mantê-la firme e fortemente.
Então vinha um, vinham dois, vinham três, me falavam que eu era louca por insistir tanto por algo que não valia a pena, que eu estava remando contra a maré, e que no final de tudo, não chegaria a lugar algum, mas sabe o que eu fiz? Continuei tentando! E sabe por quê? Porque eu havia dito que tentaria! Eu havia prometido e me esforçado. Eu havia aguentado longos meses de sofrimento e espera para conseguir, finalmente, a minha excelentíssima chance! E eu a consegui! Sim, eu a consegui! Mas não me valeu de nada. Porque roubaram-na de mim, rasgaram-na e jogaram em qualquer lugar. E eu a vi lá, jogada ao chão, a minha única e última chance jogada ao chão pela pessoa que eu mais me importava. A minha chance de dar uma chance ao amor... Mas ela foi-se, assim, rapidinho. Junto com as esperanças, e com a ilusão de que um dia, alguém se dedicaria tanto pra mim, como eu me dediquei. E que talvez, um amor não fosse SEMPRE dado por uma só pessoa, mas retribuído de forma igual.
Ironia, não? O que sempre foi, não há de mudar. Nem agora, e nem nunca.
Everything is gonna be ok
O pequeno garoto agarrou minha mão fria, e perguntou meu nome, respondi com um sorriso, e ele fechou os olhos. Durante os cinco minutos que se passaram eu ouvi sobre a vida dele, ouvi quietamente e atenciosamente, segurei as lágrimas e pensei: A única coisa que o diferencia de mim é por ser um menino, e talvez, por ainda não ter sofrido todas as consequências. Então, ele abriu os olhos e olhou pra mim, encarei-o fraternalmente, mas não tive coragem de falar que ia ficar tudo bem, que passaria logo, mas o abracei fortemente, com os dois braços, e o olhei por dois segundos, sorrindo e pensando: Você é forte o suficiente pra aguentar. E tudo, tudo! Vai passar um dia. Eu prometo.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
If you don't wanna love me
''If you ask me to leave, and I walked away, we'd still be alone, we'd still be afraid.''
Brain
Eu estava concentrada em minhas idéias. Sórdidas por um momento, mas como sempre, conturbadas. Olhei para o meu corpo, e o encarei, não fazia isso há um bom tempo, balancei os pés, um pouco crescidos. E sorri, sentindo os musculos da minha face se movendo. Era uma sensação estranha que eu, provavelmente, não sentia a alguns dias. Puxei meu próprio braço, olhei as horas, o dia, e o mês. Tudo corria tão depressa, e a impressão que tudo aquilo me causava, era que eu estava parada a muito tempo, enquanto tudo ao meu redor continuava em movimento. Qual foi a ultima vez que eu falei? Que eu pensei? Que eu tive contato com alguém? Meu corpo queria me falar, mas meu cérebro desligou logo após perceber que eu havia acordado.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Fire
O relógio marcava meia noite e um. O vento frio entrava pela frestas da porta e a madeira sofisticada rangia silenciosamente. Cheirou, sem interesse, o vaso de flor ao seu lado, cheio de rosas. Colocou o cigarro entre os dedos e tragou, enquanto a outra mão balançava uma xicara de café. Olhou para o computador a sua frente, a página em branco, e a sua mente vazia. Recostou-se na cadeira e deixou sua cabeça pender, deu mais uma tragada e deixou o cigarro ali, repousando, sozinho. Levou os dedos magros e longos ao teclado sofisticado do computador, hesitou, parou, e olhou. Fez um sinal negativo com a cabeça, como se precisasse do apoio de alguém. Bufou. Voltou com seus dedos ao teclado, e digitou, rapidamente. ''Fogo''. Que diabos fogo tinha a ver com aquilo que queria escrever? Aliás, que precisava escrever? O relógio anunciou: meia noite e cinco. ''Fogo, seu corpo estava no fogo. E eu o olhava de longe, queimando, sem dor alguma.'' Ok, seu texto estava indo para um lado assassino da história. Ele precisava fazer uma crônica para publicar no jornal, antes que amanhecesse o dia, era meia noite e tudo o que lhe vinha à cabeça eram chamas, e chamas, e calor. Mas que diab... ''Embora lá estivesse fazendo calor, tudo o que eu poderia sentir era um bom cheiro. Parecia mais com... Flores? Flores. Eu até conseguiria vê-las, de longe, mas as chamas encobriam, enegreciam a minha visão''. Meia noite e dez, seu colunista! E tudo o que você consegue escrever é uma mistura de inferno, flores, e calor? - Dizia sua mente, aborrecida e de mau humor. ''Flores que, embora sem beleza, tiravam o cheiro de enxofre''. Olhou seu computador, rindo do que escrevera, tudo sem sentido. ''Os ventos uivantes, de qualquer direção, apenas faziam com que as milhares chamas se multiplicassem, crescendo e tomando formas cada vez maiores''. A impressão de que tinha era que suas idéias estivessem virando realidade, sua testa pingava, seu cabelo estava molhado, e o calor que estava sentindo era insuportável, mas não podia parar, embora o texto estivesse sem sentido, era melhor do que nada. ''Aquele lugar não parecia ter fim, tudo era escuro, e meus olhos, irritados, não enxergavam mais nada''. Pegou um pano numa gaveta, e enxugou seu rosto suado, enquanto sua pele borbulhava num calor inexistente. ''Eu ainda tinha pernas, e eu poderia correr, mas não sem olhos. Não tardou para que o fogo me alcançasse e eu caísse em meio as chamas, até que as mesmas consumissem até a minha alma''. Sorriu, aquilo não lhe parecia uma crônica. Mas gostou, de alguma forma, do que tinha escrito. Levantou-se para pegar o seu cigarro, e se deparou com ele jogado ao chão, queimando as paredes, os móveis, os outros computadores, e vindo para cima dele. E tudo o que conseguia pensar, naquele momento, era em flores. Apenas nelas. Nem ao menos lembrou de como sair dali, se entregando ao fogo de seu próprio raciocínio.
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