É nesse inverno que eu quero te amar. Te aconchegar em meus braços e sentir nossos narizes gelados. Tocar em sua mão fria e enlaçar meus pés por cima dos seus pés. Pressionar meus lábios gelados sobre os seus, e soltar, com a minha voz mais rouca, extasiada, gélida, em seu ouvido: fica comigo pra sempre.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Notas inotórias
Deixa eu te falar, há poucas coisas nessa vida que vale a pena fazer valer a pena. Há poucas coisas que precisam ser ditas, feitas e decididas por e para pessoas que merecem. Não se precipite, escute o que vou lhe falar, não diga nunca, só escute.
Há poucas coisas, aqui, em nossa volta, que a vale a pena se sacrificar, vale a pena chorar, vale a pena implorar. Há poucas coisas aqui que merecem ser olhadas de forma diferente, que merecem um sorriso, que merecem um toque de aconchego. Não duvide do que eu estou tentando lhe falar, é preciso complacência para entender. Tem coisas, que precisam ser ditas antes que seja tarde demais, antes que não sobre tempo para dar ao conhecimento a chance de ser compartilhado. Não, não estou falando que você não vale a pena. Por favor, só escute. Sentar na grama, sozinho, ouvindo o vento assobiar, vale a pena. Entende? Faz algo dentro de mim agradecer por estar vivo.
Mas como eu ia dizendo, há poucas coisas aqui, nesse pequeno mundo em que vivemos, que valem a pena. Sou grande medidor de palavras, enrolo muito, mas entenda: são poucas as pessoas que você vai conhecer que vão te dar a sensação de querer fazer tudo por elas, são poucas as pessoas que você vai querer abraçar o tempo todo, beijar o tempo todo, estar perto o tempo todo. São poucas as pessoas que vão fazer você se sentir especial e único, mas quando elas aparecerem, vão fazer valer a pena cada segundo da sua vida, cada sorriso do seu dia, cada lágrima que você derrubar. E você vai, com toda a certeza, fazer com que as vidas delas também valham a pena. É uma troca. - A não ser é claro que você dê chance pra alguém que não valha a pena. Mas seria uma troca injusta. Dar e não receber. -.
Eu sei, eu sei que você já está indo, deixe-me apenas concluir minha ideia. São poucas as coisas que valem a pena, mas essas poucas coisas, são coisas simples. Não é preciso muito para surpreender, merecer, ganhar alguém ou algo, pelo contrário, em coisas minimas, quase inotórias, é que você consegue apenas confimar que você é uma pessoa por quem vale a pena fazer dar certo, vale a pena investir. Por isso, te deixo ir com essas pequenas notas, que durante sua vida, vão fazer diferença. E eu quero que você saiba que você fez minha vida valer a pena apenas por ter entrado nela.
Há poucas coisas, aqui, em nossa volta, que a vale a pena se sacrificar, vale a pena chorar, vale a pena implorar. Há poucas coisas aqui que merecem ser olhadas de forma diferente, que merecem um sorriso, que merecem um toque de aconchego. Não duvide do que eu estou tentando lhe falar, é preciso complacência para entender. Tem coisas, que precisam ser ditas antes que seja tarde demais, antes que não sobre tempo para dar ao conhecimento a chance de ser compartilhado. Não, não estou falando que você não vale a pena. Por favor, só escute. Sentar na grama, sozinho, ouvindo o vento assobiar, vale a pena. Entende? Faz algo dentro de mim agradecer por estar vivo.
Mas como eu ia dizendo, há poucas coisas aqui, nesse pequeno mundo em que vivemos, que valem a pena. Sou grande medidor de palavras, enrolo muito, mas entenda: são poucas as pessoas que você vai conhecer que vão te dar a sensação de querer fazer tudo por elas, são poucas as pessoas que você vai querer abraçar o tempo todo, beijar o tempo todo, estar perto o tempo todo. São poucas as pessoas que vão fazer você se sentir especial e único, mas quando elas aparecerem, vão fazer valer a pena cada segundo da sua vida, cada sorriso do seu dia, cada lágrima que você derrubar. E você vai, com toda a certeza, fazer com que as vidas delas também valham a pena. É uma troca. - A não ser é claro que você dê chance pra alguém que não valha a pena. Mas seria uma troca injusta. Dar e não receber. -.
Eu sei, eu sei que você já está indo, deixe-me apenas concluir minha ideia. São poucas as coisas que valem a pena, mas essas poucas coisas, são coisas simples. Não é preciso muito para surpreender, merecer, ganhar alguém ou algo, pelo contrário, em coisas minimas, quase inotórias, é que você consegue apenas confimar que você é uma pessoa por quem vale a pena fazer dar certo, vale a pena investir. Por isso, te deixo ir com essas pequenas notas, que durante sua vida, vão fazer diferença. E eu quero que você saiba que você fez minha vida valer a pena apenas por ter entrado nela.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Mude, mudez, mudo
Jogou, exasperado, a mala em cima da cama, começando um dialeto gritado e ríspido.
- Você nunca faz nada! Nunca fala nada! - Elevou o tom de sua voz enquanto atirava as roupas em cima da cama. - Parece uma retardada.
A moça de cabelos ruivos continuou sentada, com um olhar inexpressivo atravessando a grande janela do quarto, fumando seu terceiro cigarro, expirando fumaça pelo ambiente.
- É assim. Você começa coisas que sabe que não vai terminar. Você nem quis me dar explicações, apenas me olhou desse jeito rude que sempre me olha! Não sei como fui capaz de ficar tanto tempo com uma mulher assim. Deus, como sou idiota. - Cuspiu as palavras, grosseiro, enquanto ainda tirava suas roupas do armário. Ela olhou o jeito que ele se movia, nervoso, piscou algumas vezes, e moveu a cabeça devagar para o trânsito caótico lá embaixo. Não ouvia as buzinas do carro, pensou, nem as palavras obscenas que os motoristas dirigiam um aos outros, nem mesmo alguns aviões que passavam acima de sua cabeça, não ouvia nada, a não ser as reclamações do marido, ou ex marido, do outro lado do quarto.
- É foto pra lá, foto pra cá, maço de cigarro jogado num canto, roupas sujas no outro, e essa sua cara de quem não tá vendo nada ao seu redor. - Disse ele numa tentativa frustrada de imitar a feição da esposa. Ela o olhou, séria, e recolocou o cigarro na boca antes que quisesse falar algo.
Ele fechou a mala com dificuldade e ficou parado durante alguns segundos, encarando-a, esperando, de certo, que ela falasse algo, mas ela não iria falar, ele sabia.
- Estou indo, Martha. Há algo que queira falar? Alguma coisa? Por favor. - Disse ele debochado, fazendo gestos irônicos com as mãos. Ela o olhou mais uma vez, jogando um pouco de fumaça em direção ao rosto dele. O homem moreno soltou um riso dolorido, de alguém que não acredita. E saiu, fechando a porta com um estrondo odioso.
- Eu te amo... - Cochichou ela, deixando uma única lágrima cair. - Não vá.
- Você nunca faz nada! Nunca fala nada! - Elevou o tom de sua voz enquanto atirava as roupas em cima da cama. - Parece uma retardada.
A moça de cabelos ruivos continuou sentada, com um olhar inexpressivo atravessando a grande janela do quarto, fumando seu terceiro cigarro, expirando fumaça pelo ambiente.
- É assim. Você começa coisas que sabe que não vai terminar. Você nem quis me dar explicações, apenas me olhou desse jeito rude que sempre me olha! Não sei como fui capaz de ficar tanto tempo com uma mulher assim. Deus, como sou idiota. - Cuspiu as palavras, grosseiro, enquanto ainda tirava suas roupas do armário. Ela olhou o jeito que ele se movia, nervoso, piscou algumas vezes, e moveu a cabeça devagar para o trânsito caótico lá embaixo. Não ouvia as buzinas do carro, pensou, nem as palavras obscenas que os motoristas dirigiam um aos outros, nem mesmo alguns aviões que passavam acima de sua cabeça, não ouvia nada, a não ser as reclamações do marido, ou ex marido, do outro lado do quarto.
- É foto pra lá, foto pra cá, maço de cigarro jogado num canto, roupas sujas no outro, e essa sua cara de quem não tá vendo nada ao seu redor. - Disse ele numa tentativa frustrada de imitar a feição da esposa. Ela o olhou, séria, e recolocou o cigarro na boca antes que quisesse falar algo.
Ele fechou a mala com dificuldade e ficou parado durante alguns segundos, encarando-a, esperando, de certo, que ela falasse algo, mas ela não iria falar, ele sabia.
- Estou indo, Martha. Há algo que queira falar? Alguma coisa? Por favor. - Disse ele debochado, fazendo gestos irônicos com as mãos. Ela o olhou mais uma vez, jogando um pouco de fumaça em direção ao rosto dele. O homem moreno soltou um riso dolorido, de alguém que não acredita. E saiu, fechando a porta com um estrondo odioso.
- Eu te amo... - Cochichou ela, deixando uma única lágrima cair. - Não vá.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Madrugada de 1992
O relógio marcava 05:30 da madrugada. Meus olhos estavam vermelhos, meu cigarro estava no fim, quase queimando meus dedos. Minha pele estava arrepiada com o vento gelado que entrava da janela. Coloquei meus pés pretos de sujeira em cima da cama, deixando duas marcas enormes. Se minha mãe visse isso, estaria decepcionada. Pensei. Olhando para minhas roupas amassadas e as marcas sujas no lençol branco. Lancei os destroços do meu cigarro pela janela, e me arrastei para alcançar o novo maço de cigarro em cima da cômoda. 05:40. Traguei mais rapidamente o novo cigarro. E de algum canto dos becos lá embaixo, vinha uma música entorpecida, fúnebre, um violão suave, quase inaudível, seguido de uma voz rouca, bêbada e entrepassada por outras vozes falantes. 06:20. 1992 e uma madrugada incomum. Peguei meu espelho jogado em cima da escrivaninha e analisei por alguns segundos meu rosto, barba mal feita, cabelo bagunçado, olheiras profundas...
- A realidade é que sem ela não há paz, não há beleza, é só tristeza. - Cantarolei a música que subia pelas paredes do meu prédio, reconhecendo a música de vez. Tom Jobim. Uma versão muito mal tocada da música, mas a letra ainda me fazia sorrir sem querer. Olhei para meu cigarro, e o joguei pela janela novamente, sem nem estar na metade. 06:33. Madrugada incomum, já falei, certo? Deixe que lhe explico. Passava essas horas dormindo, acordava cedo, vivia cedo. Mas aí, eu acordei, e parei de fingir. Uma coisa fora do lugar, e pronto, tudo está uma completa bagunça. Então, por que não completar o serviço? Resolvi ver o sol nascer, provar cigarros que eu nunca havia tragado (minha cômoda tem 5 maços diferentes) e sentir o vento da precoce manhã invadindo meu quarto. Foi um grande pensamento para um pequeno homem como eu. Agora, reparando, o meu quarto fica mais bonito iluminado com a lua do que com o sol, o céu de noite é mais bonito que de dia, esse cigarro marrom é mais suave que o de ponta branca, Tom Jobim tem composições tão boas que não importa quem esteja tocando-as, meu rosto de menino afugentado e cansado é mais bonito que o de homem trabalhador. Mas uma coisa não mudou ainda: o tamanho da falta que sinto de você. Acho que lá, no fundo, a gente sabe que a saudade será sempre a mesma. 06:45. O sol tá nascendo.... Hora do menino ir crescer.
- A realidade é que sem ela não há paz, não há beleza, é só tristeza. - Cantarolei a música que subia pelas paredes do meu prédio, reconhecendo a música de vez. Tom Jobim. Uma versão muito mal tocada da música, mas a letra ainda me fazia sorrir sem querer. Olhei para meu cigarro, e o joguei pela janela novamente, sem nem estar na metade. 06:33. Madrugada incomum, já falei, certo? Deixe que lhe explico. Passava essas horas dormindo, acordava cedo, vivia cedo. Mas aí, eu acordei, e parei de fingir. Uma coisa fora do lugar, e pronto, tudo está uma completa bagunça. Então, por que não completar o serviço? Resolvi ver o sol nascer, provar cigarros que eu nunca havia tragado (minha cômoda tem 5 maços diferentes) e sentir o vento da precoce manhã invadindo meu quarto. Foi um grande pensamento para um pequeno homem como eu. Agora, reparando, o meu quarto fica mais bonito iluminado com a lua do que com o sol, o céu de noite é mais bonito que de dia, esse cigarro marrom é mais suave que o de ponta branca, Tom Jobim tem composições tão boas que não importa quem esteja tocando-as, meu rosto de menino afugentado e cansado é mais bonito que o de homem trabalhador. Mas uma coisa não mudou ainda: o tamanho da falta que sinto de você. Acho que lá, no fundo, a gente sabe que a saudade será sempre a mesma. 06:45. O sol tá nascendo.... Hora do menino ir crescer.
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