quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Muro de Berlim, Berlim que já se foi

Entre idas e vindas. Despedidas e sorrisos. Eu acabei criando um muro. Ele se chama medo.
Sabe, tempo, prometi a você, mas principalmente, prometi a mim, que  estaria disposta a não deixar ninguém entrar no meu coração, lembra? Que eu aceitaria, e me disporia a conviver com as pessoas, gostar delas e fazê-las companhia, mas nunca (jamais), deixaria elas entrarem no meu coração. Justamente para impedir os sorrisos murchos e falsos depois do adeus de alguém, as lágrimas chatas toda vez que olhava pro lado e não sentia a presença de alguém.
Porém, como sempre, eu não consegui cumprir minha promessa - ou parte dela. Um pedaço de mim sempre quer mais, sempre quer acreditar em alguém, confiar em alguém, amar alguém, esquecendo de tudo que já foi e não volta mais. Permissão fútil essa. Uma vez que o futuro se torna vísivel a partir do momento que você se dispõe a falar para alguém ''te amo'' (e acredita nisso).
Parte do meu muro já caiu, já foi detonado pela parte de mim que quer a inocência. Parte dele já se foi com o muro de Berlim. Dando liberdade ao que quer que for. Junto com a liberdade de ir e vir das pessoas.
Não posso reconstruí-lo. Mas sei que ele não pode ser destruído totalmente. Nem que só reste um pequeno pedaço de concreto. O ''medo'' sempre estará ali. Uma pequena parte, talvez, mas sempre estará. Porque é a marca das pessoas que já foram.
Mas para a parte que já não existe, deixo-me livre para dizer: Não se vá, não. Não pare de me amar, não. Nunca. É bom sentir que, no fundo, por enquanto, ainda tem quem me queira do ladinho, que queira ouvir a minha voz (por mais irritante que ela possa parecer), que me queira, completa e inteiramente, do jeito que eu sou. Que me quer sem o muro e que se sente capaz de destruí-lo, aos poucos, comigo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nina, mel e rúculas

Seus olhos! Ah... Seus olhos. Avelãs envoltas em caramelo. Cintilavam junto com o sol, deslizavam em brilho nos dias de chuva. Sua pele aparentava ser tão macia que me fazia desejar, ao mesmo tempo, esfarelar as nuvens do céu para tocar-lhe. Seus cabelos negros e ondulados, desajeitados sobre seu rosto simétrico. Ah, Nina. Porque você tinha que ser tão boa? Mas ao mesmo tempo tão má? O que fizeram com você, docinho?
Lembra de quando você deitava no meu colo e me mandava cantar-lhe uma canção, eu me negava, sorria, até ficava com raiva da sua persistência, mas acabava cantando e você dormia como uma criança.  Lembra dos dias que você me segurava com suas unhas e me fazia dizer que te amava? Eu dizia. Não porque você mandava, mas porque eu realmente amava. Mesmo com todo aquele seu jeito mandão. Eu sinto sua falta. Eu sei, eu sei que você ainda está aqui, deitada nesse sofá, dormindo depois de eu ter cantado. Mas por quê? Porque, depois de tanto tempo, você voltou tentando ser a mesma? Eu vejo que não é. Vejo nos seus olhos. A dor, o fingimento, a mágoa. Me diga. Eu faria qualquer coisa, iria em qualquer lugar, para pegar seu coração de volta, seu sorriso de volta, você de volta. Eu faria qualquer coisa pra te consertar. Qualquer coisa pra te amar mais do que eu já amei qualquer dia da minha vida.
Nina... Acorde e me diga. Onde foi parar sua alma?

sábado, 17 de dezembro de 2011

Rastilhos

Essa casa cheira a escárnio.
Cheira à incômodos já esquecidos
Caos apagado
Memórias jogadas em teias de aranhas

Essa casa traz retratos
Lembranças presas em vidros sujos
Verdades nunca ditas
Presenças adormecidas pela poeira cerrada

Faz tempo que você não vem aqui?
Faz tempo que você me esqueceu?
Desde quando você transformou seu coração
Numa casa tão sórdida e fulminante como essa, querido?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Opositores do amor

A única coisa que eu quero é que - quando eu estiver decidida a desistir, farta de você, farta de sua voz, de suas atitudes, sem paciência, no meu limite, querendo seguir minha vida, encontrar alguém que me dê valor, que me abrace, que não grite comigo, que não me irrite, alguém que me queira com todas as forças, com todo o coração, com todo o amor do mundo - você segure minha mão, me puxe com uma força impulsionada pelo medo, me abrace (mesmo quando estou tentando me desvencilhar), afague meu cabelo, beije minha cabeça e diga suavemente ao meus ouvidos: Não vai não, eu não consigo sem você. Eu te quero com todas as forças, com todo meu coração, com todo amor do mundo. Não posso te perder.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Reflections of a Skyline

"E eu quero brincar de esconde-esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo seus sapatos, sentar na escada enquanto você toma banho, e massagear seu pescoço. E beijar seu rosto, segurar sua mão e sair pra andar. Não ligar quando você comer minha comida, e te encontrar numa lanchonete p'ra falar sobre o dia. Falar sobre o seu dia e rir da sua, sua paranóia. E te dar fitas que você não ouve, ver filmes ótimos, ver filmes horríveis. E te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior e não rir das suas piadas. Te querer pela manhã, mas deixar você dormir mais um pouco. Te dizer o quanto adoro seus olhos, seus lábios, seu pescoço, seus peitos, sua bunda. Sentar na escada, fumando, até seus vizinhos chegarem em casa, sentar na escada, fumando, até você chegar em casa. Me preocupar quando você está atrasado, e me surpreender quando você chega cedo. E te dar girassóis e ir à sua festa e dançar. Me arrepender quando estou errado e feliz quando você me perdoa. Olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde sempre. Ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha pele, e ficar assustada quando você se irrita. Eu digo que você está linda, e te abraçar quando você estiver aflita, e te apoiar quando você estiver magoada, te querer quando te cheiro, e te irritar quando te toco e choramingar quando estou ao seu lado. E choramingar quando não estou. Debruçar-me no seu peito, te sufocar de noite e sentir frio quando você puxa o cobertor e sentir calor quando você não puxa. Me derreter quando você sorri, me desarmar quando você ri. Mas não entender como você pode achar que estou rejeitando você quando eu não estou te rejeitando, e pensar como você pôde pensar que eu te rejeitaria. E me perguntar quem você é, mas te aceitar do mesmo jeito. E te contar sobre o "tree angel", "o menino da floresta encantada" que voou todo o oceano porque ele te amava. Comprar presentes que você não quer e devolvê-los denovo. E te pedir em casamento, e você dizer "não" denovo mas continuar pedindo, porque embora você ache que não era de verdade mas sempre foi sério, desde a primeira vez que pedi. Ando pela cidade pensando. É vazio sem você mas eu quero o que você quiser e penso. Estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim e tentar dar o melhor de mim porque você não merece nada menos que isso. Responder suas perguntas quando prefiro não responder, e dizer a verdade mesmo que eu não queira, e tentar ser honesto porque sei que você prefere. E achar que tudo acabou, espera só mais dez minutos antes de me tirar da sua vida. Esquecer quem eu sou e me deixar tentar chegar mais perto de você. E de alguma forma, de alguma forma, de alguma forma compartilhar um pouco do irresistível, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, atual, infinito amor que eu tenho por você."


Dirigido por Michael Tamman & Richard Jakes.
Os atores são Christopher Dunlop e Fiona Pearce.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Estarei lá

Acalme-se. Amanhã, quando o dia raiar, eu ainda vou estar aqui. Quando seus pés escaparem do cobertor, quando o ar da manhã bater em seu rosto, quando o pássaro vier na sua janela. Eu ainda vou estar aqui quando você sorrir, quando você se estressar, quando seus olhos cansarem. Eu ainda vou estar do seu lado quando sua impaciência te atormentar, quando a ansiedade vier te encher os ouvidos. Estarei lá quando seus órgãos suplicarem por mim. Estarei lá quando a noite finalmente cair. Estarei lá mesmo quando não estiver. Estarei lá, só de longe, te observando dormir, sonhar e relembrar do meu rosto. Estarei lá, no seu coração, quando nada mais restar.

sábado, 26 de novembro de 2011

Essas minhas manias

Essa minha mania de trazer à tona o passado. Pessoas que já se foram. Lugares que já passaram. Essa minha mania de tentar encaixar o que não encaixa. Fazer dar certo o que é errado. Amar o odiável. Lembrar o esquecível. Esquecer o inesquecível. Essa minha mania de querer as coisas que não são pra mim, exatamente na hora e no lugar errado. Essa minha mania de ir contra quem eu sou, achando ser o melhor pra mim. Essas minhas manias que vão me esburacando com o tempo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Nunca parar de querer

Me sinto bem ao teu lado. Mesmo com todos os teus e os meus defeitos. Te quero por perto mesmo quando não te aguento mais, e quando eu acho que não suportaria mais ver o seu sorriso e ouvir a sua voz, você me segura, me olha e diz que me ama. E eu sorrio sem querer. Me sinto viva, me sinto bem. 
Seria engano meu dizer que não te amo também, seria maior engano ainda dizer que não te quero bem pertinho de mim, todos os dias da minha vida. 
Você é a única pessoa que me faz querer nunca parar de querer.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Outros temperos

Aquele gosto estranho sempre volta. Arde nesses lábios. Bagunça os cabelos. De vez em quando, sai de mim, dá uma volta pela rua, e logo volta. Às vezes empurrado, às vezes por vontade própria.
Tento pegar outros sabores, adocicar, salgar, temperar, jogar água, vinho, qualquer coisa. Mas não adianta. Ele nunca vai embora. Continua estagnado aqui.
É necessário tempo. E muitos outros temperos. Uvas, principalmente. Pra tirar você de mim. Mas não se preocupe, uma hora sai, uma hora vai embora, desaparece.
E quando acontecer, serei esperta o suficiente para nunca mais experimentar esse tipo de gosto - sabor. Uma vez que se vai, não há chance de conserto. Só vai, e é preciso coragem para não deixá-lo voltar.
Eu podia te contar muitas mentiras, mas não quero. Não sou nada racional. E, olha, não sei ser objetiva. Enrolo uma vida para falar uma coisa simples. Dou um montão de voltas até chegar no ponto principal. Sempre me perco. Sempre me bato nas coisas, por isso vivo roxa. Ligo sem nenhum motivo aparente, só por ligar, só pra não dizer nada. Sinto raiva. E na hora da raiva falo coisas que nem acredito depois. Fico cega, cegueta mesmo. E depois me arrependo, peço desculpa, tento engolir o que falei (…) Fico descontrolada. E com medo de mim. Furo em festas. Digo que vou, marco hora e não apareço. Não gosto de atender telefone (…) E às vezes eu me escondo das pessoas. Explico: tem dias que vou almoçar no shopping e vejo um conhecido, então eu finjo que não vi o conhecido, entende? Nada pessoal, é que de vez em quando não tô a fim daquele papo de tudo-bem-como-vai-blá-blá-blá (…) Não gosto que gente que mal conheço encoste em mim. E odeio quando tô de blusinha sem manga e sinto o cabelo de alguém encostando no meu braço. Não faço xixi em banheiro público. E tenho mania com lugares. Algumas casas têm uma energia estranha, então nem volto. Não é em todo lugar que me sinto bem. Não sei receber críticas e sou a minha maior crítica. Já deixei de ir em eventos porque estava chovendo (…) Não gosto de ficar em cima do muro, por isso tomo partido, tomo decisão. Minhas opiniões são fortes, assim como meu gênio. Tem vezes que sei ser bem ranzinza, principalmente se estou com alguma coisa entalada na garganta ou de saco cheio de alguma situação. Quando algo me desagrada fecho a cara. Ou fico muda (…) Já fui filhinha da mamãe e hoje vejo como eu fui babaca e joguei pela janela oportunidades únicas só porque elas eram desconfortáveis (…) Dizer que sou uma pessoa bem agradável, amorosa, gentil, bonita e fina. Também podia te contar todas as coisas legais e incríveis que faço diariamente. Eu sou essa mesmo: sem máscara, sem arma, sem retoque, sem nada. Tenho incontáveis defeitos, mas me ofereço inteira: com minhas partes estragadas e boas. Se quiser vem logo pra cá.
Clarissa Corrêa

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nebraska, seja bem vinda.

A caminhonete azul marinho do meu pai cheira a maconha e a poeira. As portas fazem um rangido irritante toda vez que o carro se balança bruscamente. Mas há UMA sensação incomparável: o vento na cara, metade do braço para fora da janela, the kills tocando no rádio velho e o cigarro - com uma linda marca de batom vermelho, aliás - pela metade. Ah! Sensação merecedora de compartilhamentos. Alguém tão desleixada como eu não poderia apenas deixar mais uma viagem ser esquecida. Uma hora ou outra, eu vou partir, assim como meu pai, e alguém precisa pegar esse meu lugar, e sentir tudo o que sentimos quando entramos dentro deste monte de lata azul.
Papai era um sujeito grande, que tinha esse mesmo cheiro de maconha e poeira, vivia com uma lata de cerveja barata na mão, um cigarro na outra e sua velha jaqueta de couro. Tinha uma barba curta e cabelos até os ombros. Era um bom homem, apesar de tudo. Um pouco ranzinza, mas tinha os melhores braços do mundo, se você deitasse ali, e acabasse dormindo, e acordasse 3 horas depois, ele ainda estaria do mesmo jeito, com seus braços fortes envolvendo seu corpo.
Nem sempre estava sóbrio, mas quando estava, era o cara mais inteligente que eu conhecia, e que tinha a risada mais contagiante do mundo.
Em março, íamos para Nebraska, onde o verão era o mais confortável de todos. Demoravamos dois dias de carro, e eu tinha que controlar as bebidas dele, e quando não conseguia, tinha que levá-lo de arrasto para o banco traseiro enquanto seguia a viagem sozinha. 
Ouviamos todo tipo de música, de Kansas a músicas da nossa pequena cidade. Cantávamos tão alto que nossas gargantas doíam. E quando cansávamos de dirigir, de cantar, e de todas essas coisas, parávamos em algum lugar, no meio do nada, e sentávamos em cima do capô, olhando as estrelas e tomando uma boa cerveja.
Meu pai não era desses tipos de homem que corria atrás de mulher, pelo contrário, elas corriam atrás dele - mesmo sendo um bobo toda vez que passava da sua cota de alcool. 
Iamos naqueles barzinhos de beira de estrada, e eu vivia de olho nele - e em mim, claro. Perdi as contas de quantas vezes foi preciso que eu arrumasse uma briga por causa de mulheres, e o trouxesse para o carro como uma criança de 5 anos afugentada. 
Acho que depois da perda da minha mãe, as coisas se tornaram complicadas, meu pai teve que ser duas pessoas em uma, aguentar a perda de uma pessoa tão amada por ele, e se fazer de forte para mim. Foi tanto que ele não aguentou. Bebia para esquecer dos problemas, eu acho. Para esquecer do rosto da minha mãe em seus pensamentos. Não o culpo por isso, queria poder ter dado forças pra ele enquanto tinha tempo, mas eu era jovem demais, criança demais para encarar as coisas que ele não conseguia encarar. 
Meu pai era um homem digno demais para morrer na nossa pequena casa, naquela maldita cidade onde todo mundo necessitava saber cada detalhe da nossa vida. E é por isso que eu o trago aqui, no banco de trás dessa velha caminhonete azul marinho.
Estou levando-o para Nebraska. Onde ele pode morrer com essa última sensação. De esquecer tudo e apenas enxergar as estrelas no céu.
Agora, essa música que nos marcou tanto, ecoa pelos vidros do carro, e minha garganta, sozinha, dói de tanto cantar, mas não importa! Eu canto. Por mim e por ele. E farei quantas vezes for preciso. Porque como eu disse, meu pai é um homem muito digno para não morrer em Nebraska. 


(Texto dedicado á Dindi).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Recomeço

- Você está pronto? - Perguntou ele. Assenti com a cabeça.
(Nestes poucos segundos que se passaram eu vivi minha vida de novo. Vi o dia que a conheci, os momentos que passei com ela, os que ri, os que chorei, os que pedi desculpa, e os momentos que ela se redimiu comigo, vi ela chorando com as mãos na cabeça, secando as lágrimas e querendo minha compreensão, vi sua boca expelindo as tão malditas palavras ''Preciso ir'', e meu corpo parado lá, olhando imóvel. Vi ela se afastar, e depois disso, vi as sequências de dia em que passei isolado em meu quarto, tentando entender o porquê, e me tornando, aos poucos, uma pessoa terrível. Seca, oca, vazia. Sem nada dentro. Vi-me com aquelas atitudes asquerosas, iludindo pessoas, mentindo, sendo alguém que eu não era. Quando finalmente abri os olhos e olhei para o senhor a minha frente).
- Ele está ai novamente. Vai ficar tudo bem. - Coloquei a mão no meu peito, sentindo as batidas aceleradas. Sorri. Isso significava um recomeço.

Preso

Essa hora da noite o cigarro já não presta mais. Gruda. E tem um gosto péssimo. A vista da janela é deslumbrante, mas o barulho lá fora me deixa de estomago embrulhado. Algo dentro de mim gruda nas paredes do meu corpo. Sentado aqui, encostado ao vidro, vendo e sentindo o mundo lá fora, me faz parecer um ser insignificante.
Roupas, cds, restos de comida, fios, maços de cigarros e cinzas estão espalhados pelo assoalho dessa sala. E eu não consigo sair daqui. Essas buzinas lá fora, o som do trânsito, o céu, as estrelas, me chamam, me fazem não querer sair desse vidro. Preso pelo mundo. Preso pelo interior descrente de mim.

domingo, 30 de outubro de 2011

Vem cá. Me deixa te amar, me deixa te sentir. Deixa eu me ver em você, ser seu reflexo, ser você.

Ainda estou

Filho,

Eu sinto falta de quem você era. Sinto muita falta. Eu sei que você sabe, que você lembra de tudo que me aconteceu a um tempo atrás. E eu sei também que eles te levaram pra longe de mim, te fizeram achar que eu sou uma mentira, que eu sou uma história, que eu nunca existi. Mas lembra quando você estava andando de bicicleta, e não viu o carro vindo? O que eu fiz, você lembra? Gritei para que você parasse. E você obedeceu sem recuar, se livrando de um terrível acidente. Lembra de todas as vezes que eu sequei suas lágrimas, te adormeci no meu colo, e o fiz dormir? Cuidei de você, te protegi, dei minha VIDA por você. E em nenhum momento, desde que te vi pela primeira vez, te deixei de lado. Em todos os segundos, todos os dias, todos os momentos, eu estava do seu lado, segurando a sua mão e te falando o que fazer. Eu estava lá, meu filho. Ainda estou. Mas por que você está tão longe, e não me escuta mais? Por que você não olha mais pra mim e não me procura? Se você soubesse o quanto eu prezo por você, e o quanto eu queria que você me olhasse como antes. Quando você resolver voltar pra mim, eu vou estar aqui, tudo bem? Só não demore muito. Estou cansado de ir te perdendo aos poucos.
Você sabe que eu te amo mais que tudo, meu filho?
Com uma eterna saudade, De seu Pai,

Jesus.

Qualquer essência

Na escuridão do meu quarto, sinto seu perfume. Ele me vem com sensações agradáveis, sorrisos duradouros e memórias. O perfume, que um tempo atrás, em sentia em todos os lugares, não só aqui. Um perfume que trazia ao meu interior, uma paz e uma alegria estranha. Mas deitada aqui, inconsciente, eu te sinto. Te sinto através do cheiro. E isso me traz um sorriso. Você era tudo. Esse cheiro era tudo. Mas agora, é só uma memória, um amor que não volta mais. Apenas mais um cheiro, que pode ser acabado com outro aroma, outra essência. Acabado com qualquer outra coisa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Preciso da verdade

Eu preciso de um amor. Assim, bem clichê. Alguém pra rir comigo, rir de mim, rir pra mim. Alguém pra me abraçar com força, com saudade. Alguém que transborde confiança e honestidade. Alguém pra me esquentar, pra fazer meu corpo sentir arrepios. Alguém pra encher de beijo e me fazer ficar corada. Alguém que diga que me ama, e que não seja da boca pra fora, mas de coração. Lá do fundo, de verdade. Alguém pra pensar em mim, pra sonhar comigo, pra me ligar de madrugada. Preciso de alguém pra cuidar, e ser cuidada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Então delete, tudo aquilo que não valeu a pena. Quem mentiu, quem enganou seu coração, quem teve inveja, quem tentou destruir você, quem usou máscaras, quem te magoou, quem te usou e nunca chegou a saber quem realmente você é. Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Deixa ir, querido. Deixa ir embora. Solta. Larga. Não insista. Se já ta indo, é porque não quer mais ficar, e se não quer mais ficar, é porque sempre quis ir. Esqueça. Viva. Quando atravessar a rua, num dia qualquer, com vento na cara, você encontra o sorriso certo, o tão sonhado olhar que diz palavras. Mas não pensa nisso agora, certo? Apenas viva. E não deixa de atravessar a rua nunca.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O único problema do passado, além das memórias, é nunca voltar como antes. Menos amor, menos paciência, menos confiança, menos tudo.

domingo, 9 de outubro de 2011

Eu esperei tanto. Nós esperamos. Para que o medo fosse embora, para que o amor permanecesse. Mas, e ai? Acho que as outras pessoas, da tua, da minha vida, foram nossos erros.

Perseverança, meu caro

Sono. Cansaço. Tédio. Estava sentado no sofá, com a cabeça apoiada na mão, olhando fixo para o telefone. Há quanto tempo ela não ligava? 2, 3 meses? Ou 4? Não sei. Havia perdido a conta. Não sabia nem que dia da semana era, nem que mês estava. Só saia do sofá para ir ao banheiro e alcançar alguma comida enlatada no balcão. Era domingo de manhã, embora ele não soubesse, e o sol brilhava lá fora, embora ele não visse.
Em casas normais, era hora de um café da manhã digno e um programa em TV em família. Mas não para ele. Não. Aquilo que ele tinha, nem poderia ser chamado de vida. Soltou um suspiro e deixou os olhos abaixarem. Quando o sono estava entrando por entre seus ouvidos, o telefone toca. Ele, parado, observa atentamente. Toca, pela segunda vez. Ele pensa em levantar, mas não consegue. E se fosse ela? O que diria? O que faria? Ouviria ou imploraria pela sua volta? Tocou pela terceira vez. Ele tirou as pernas do sofá, e meio indeciso, meio receoso, andou lentamente em direção ao aparelho preto. Tocou sua parte superior. Tocou pela quarta vez. Ele tirou o telefone do gancho, e o colocou no ouvido. Seu coração batia forte, sua respiração estava ofegante, chegava ao fim os dias de sofá, pensava ele.
- Esta mensagem é automática. Devido a falta de pagamento desta linha telefônica, a mesma será encerrada.

sábado, 8 de outubro de 2011

Alô?

Oi, querida. Só liguei pra dizer que to com saudade. De tudo. Do modo que você sorria, do jeito que me abraçava, das besteiras que me dizia e me fazia rir. Saudade dos seus beijos, e dos seus pés quentes esquentando os meus. Saudade de dividir o cobertor com você e acordar sem ele, saudade dos nossos passeios no parque, da sujeira que fazíamos toda vez que comiamos um sorvete, saudade das noites em que a neve caía lá fora enquanto a gente se amava lá dentro. Saudade só, sei lá. Às vezes bate aquela confusão que você me disse pra não sentir, às vezes me vem essas imagens na cabeça, no coração. Me deixam assim, com essa vontade de te ligar. Sinto saudade de você, entende? E muita.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

É melhor assim, sabe. Desse jeito. Um lá, um cá. Bem longe um do outro. É assim que o valor entre os dois se une. É assim que o amor resolve aparecer. É preciso perder, é preciso estar longe para que, ao menos, um enxergue o quanto precisa do outro.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nunca mais

Ela o avistou de longe. E correu o mais rápido que pôde, com os braços abertos, e um sorriso sincero. Pulou em seu pescoço, e o abraçou, o abraçou por muito tempo, até que seus braços estivessem doendo de tão apertados. Com lágrimas nos olhos, e uma voz falha, disse:
- Eu nunca mais vou deixá-lo ir.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

''Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim...os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada. Só olhando e pensando no beijo que irei te dar.'' Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Desacostumar de pessoas permanentes, desapegar de sentimentos, deixar ir, deixar levar, sem amor, sem rancor. É isso aí. Vai lá, pode ir. Aprendi a trocar de sapato e mesmo assim me sentir confortável.

Em frente

O momento em que você não olha para trás é crucial. Foca apenas em sua caminhada, em seus obstáculos, em seus objetivos, e esquece do que te prendia num só lugar. Porque a vida é assim, reta e direta, ela não para junto com você, ou dá um descanso, ela vai sempre continuar e você tem que segui-la. É preciso coragem para deixar lugares, pessoas, passados... É em frente que você tem que focalizar, é lá que a felicidade quer te encontrar.
Quando não há para onde correr, o único refúgio é um papel, uma caneta, e um consolo.

sábado, 24 de setembro de 2011

''Esperançal''

Do nada bate aquela saudade. Não sei se você entende, amigo. É uma sensação de gozo com dor. Qualquer coisa mínima que chegue aos meus ouvidos, músicas, letras, atitudes, trazem a velha da saudade. Com aquele gosto de poeira e amor.
Principalmente aos sábados de manhã, com aquele vento gelado batendo em meu nariz, esvoaçando meus cabelos, os olhares sendo carregados até mim. É meio doloroso, admito, mas é bom! Tão bom que os sábados começam a se tornar esperados. E os domingos também. E no fim, até a segunda-feira está sendo um símbolo de esperança.
Ô saudadezinha, ein. Persistente que só ela.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Eu estava parada, encostada na antiga mesa de madeira. Tentava desconcertada fugir o olhar de você, mas não adiantou. Ele me prendeu e me fez te amar. Da maneira que amo hoje, da maneira que amarei daqui a anos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011


Uma música que me atordoa em certos momentos, e que dá aquela vontade de gritar de saudade.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

- Eu achei que você tinha desistido.
- Desistir? Já falei que nunca vou fazer isso.
- Mas você foi embora.
- Não fui embora. Só não corri atrás de você. Fiquei parado.
- E não é a mesma coisa?
- Não. Eu vou estar sempre aqui, parado, quando você me quiser de volta, sabe onde me encontrar.
Aquele ar de inverno a deixava feliz. Lá dentro, sabe. No coração. Talvez a temperatura de fora se igualasse a de dentro. Talvez houvesse uma estranha química entre o frio de fora, e o frio do coração. Pobre moça. Sorrindo apaticamente pelas ruas sem cor da cidade.
Acontece que com ou sem cama gosto profundamente de você. (...) Não é afastando as pessoas que te amam - como eu, por exemplo - que você vai se sentir melhor. Entenda que eu quero estar com você, do seu lado, sabendo o que acontece. De repente me passa pela cabeça que a minha presença ou a minha insistência pode talvez irritá-lo. Então, desculpa não insistirei mais. (...) Eu queria dizer que eu estava com você, e a menos que você não me suporte mais, continuaria te procurando e querendo saber coisas. Bobagens? pois é, se quiser ria como você costuma rir para se defender. Não estou me defendendo de nada. Estou perguntando a você se permite que eu tenha carinho por você, seu idiota. Mas estou aqui, continuo aqui não sei até quando, e quando e se você quiser, precisar dê um toque. Te quero imensamente bem, fico pensando se dizendo assim, quem sabe, de repente você até acredita. Acredite.

Caio F.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Queria poder te lembrar de tudo. De tudo que te fez bem, que te protegeu e que não volta mais.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Vi-vontade

O conceito de viver era muito banal entre qualquer pessoa daquela sociedade. Viver regrados, pelas rotinas, afazeres e pessoas. Mas viver? Viver ia além dos limites conhecidos por qualquer humano. Viver era fazer o que se tinha vontade de fazer, gritar, rir loucamente, amar sem condições, perdoar quem não merecia. Viver era viver. E não ser preso. A vida era feita para que vivessem suas vontades, e não para que se tornassem escravos delas.

sábado, 3 de setembro de 2011



''É tempo de se render
Foi muito tempo fingindo
Não há mais utilidade continuar tentando
Quando os pedaços não se encaixam mais''                         








''Bem, eu esconderei todas as mágoas, esconderei todos os danos que foram feitos, Mas eu mostro como estou me sentindo até todos esses sentimentos acabarem''.  The pieces don't fit anymore - James Morrison
Gostava de parar em algum canto, perto de uma árvore, sentir o vento no rosto, sentir o aroma do ar. Dava aquela paz de dentro, sabe? Uma tranquilidade que ninguém mais podia proporcionar.

Ciclo


Era um ciclo 'interminável': Confiava, amava, precisava. Então iam embora, esquecendo tudo o que haviam prometido, deixando tudo o que havíamos construído desmoronar. Daí vinha a parte em que eu achava que era forte, e fazia minhas próprias emoções da maneira que eu queria que elas fossem, controlava-as. Até achar alguém, não de propósito, que me fizesse ''confiar, amar e precisar''. Então me deixavam de novo, e o ciclo recomeçava.
Mas uma coisa era certa: Apesar de parecer interminável, o ciclo era quebrável, e não aguentaria por muito tempo.
Eu chorava, caía aos prantos, formava rios em meu travesseiro. Chorava sem saber o porquê - apenas limpando a alma das impurezas do futuro, pensava eu.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Eu comecei a viver de um jeito medíocre. Procurando distrações para que a minha mente não ficasse vazia. E quando ficava, não havia para onde correr. Tudo vinha á tona.

Era amor

Eu tinha meu próprio jeito de te amar. Com vários defeitos e várias qualidades. Te chamava de palavras feias e sorria pra você. Te abraçava como se nunca mais quisesse soltar, e te beijava como se fosse a última vez, com todo o carinho do mundo. Eu te olhava como se pudesse dizer palavras com os olhos, e te tocava como se você pudesse entender cada significado dos meus gestos. Eu te batia, te xingava, te deixava triste, mas era o que eu conseguia fazer para demonstrar o que eu sentia. Era de verdade, viu? Era amor. Mas você não entendeu isso, e foi embora. Pra longe de mim. E eu sequer sei se você sente falta de tudo o que fazíamos juntos.
Mas agora? Não tem mais jeito, acabou mesmo. Acabou daquele jeito que não prevíamos que acontecesse. E tudo o que eu posso fazer agora, é achar outro alguém pra bater, xingar, amar.
Talvez alguém por aí, entenda que meu amor tem duas faces, e que isso não o torna falso, mas sim mais verdadeiro do que ele é.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

É aquele buraco preto e grande que te prende, não é mesmo?! Eu sei, enraizado sobre a terra dura e seca, forte o suficiente pra não te deixar mover o corpo. E eu também sei que, embora desconfortável, é o melhor adubo no momento. É mais fácil deixá-lo enraizado, 'morto', do que correr o risco de alimentá-lo e deixá-lo crescer.
E eu me culpava, todo pôr do sol, por ter te perdido. Isso até perceber que eu nunca havia deixado você ir, pelo contrário, tentei ficar, mas você me empurrava e dizia ''vai embora''. Então, por fim das contas, acabei indo.

domingo, 28 de agosto de 2011

Nós, vós, eles


Tempo corriqueiro. Sempre cheio de suposições. Correndo por hipóteses, metáfora, talvez's. Querendo meter os pés pelas mãos. Ansioso pelo ápice de qualquer momento. Intrigado por futuros próximos, carregados de incerteza.
Tempo corriqueiro. Desesperado por respostas, completo por perguntas. Me inteirando de dúvidas, transbordando de projeções. Tal tempo, tal desejo.
Embora, saibamos que ele não passa de uma ironia para esconder quem realmente somos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Vem, pode vir, vem com tudo. - Disse ela - Agora to forte o suficiente pra te dar uns três socos, quatro chutes e uma chave de braço daquelas. - Soltou um riso - Anda, amor, já me desse suas bofetadas, agora é minha vez.
Coitado do garoto. Tão ingênuo. Tão apático. Tão otário. Nem sabia no que estava se metendo. Uma mulher daquela, nem o diabo queria no inferno.
Engolido pelos dias, caminhei eu, em direção ao holocausto. Sorrindo deliciosamente para as pessoas na minha frente, que sorriam da mesma maneira. Adeus mundo - disse eu, desejando que aquilo fosse uma verdade.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Xeque-mate


Eu não quero me preocupar, quero apenas seguir minha vida. Eu e ele. Sem o medo de não dar certo, sem o medo de que tudo pode mudar, sem medo de que tudo o que cultivamos vá a ruína. 
  E esse medo só faz com que eu me torne insegura. Que eu gere perguntas e mais perguntas sobre como é, e como será. Se irei me perder, ou me achar. Só queria poder entender o que não entendo. O jogo da vida parece tão complexo. Mas basta uma peça no lugar certo para que o jogo vire e alguém faça xeque-mate.
  Queria que tudo fosse um jogo sem fim. Mas se um dia ele acabar, que acabe bem.

domingo, 31 de julho de 2011

Não se engane. Não pense que eu vou esquecer você só porque arranjei outro alguém para pensar. Não pense que você não foi uma marca na minha vida. Foi sim. Mas tinha que passar... Assim como o inverno vai embora e a primavera chega.
Aqueles dias em que tudo ficava branco. Branco de confusão, de negação. Dias de me entender melhor por dentro, de buscar nas raízes do coração qualquer resquício de amor. Aquele amor que eu havia perdido...
Eu o amava, ele me amava, tudo estava indo bem, a história iria terminar com um final feliz... Então eu acordei.
Aprendi com vocês, caros. Aprendi que qualquer pessoa é como uma comida. Você come, come, come. (Não maliciosamente) Enjoa do sabor, e joga fora, troca por outra. Vocês querem reclamar disso, comigo? Tem certeza? Então que ensinassem da maneira que queriam aprender.
Olha... Se eu disser que eu te amo, posso estar mentindo ou tentando convencer a mim mesma a não amar. Não é por nada, não. Só um medo de me doar de novo e alguém acabar me esquecendo em qualquer lugar.
Não que a morte fosse bem vinda os meus olhos, não... Imagina. Só queria me realizar com a ideia de estar longe daqui, longe dessas pessoas, longe dos mesmos prédios, casas, mercados. Longe de quem eu sou, de quem eu viria a ser. Longe de mim.

Notas

Então você olha, 'reolha', dá uma disfarçada, olha de novo. E vai pra casa. Pensa no que viu, e tentar formar com nitidez o rosto em sua mente. Mas os dias passam, e você acaba esquecendo a bendita imagem, e volta ao lugar para ver de novo, focaliza o olhar e tenta mandar no seu cérebro para que ele nunca esqueça do sorriso dela, do olhar, do jeito que o nariz se mexe, e quando você volta para o seu quarto se pega sorrindo ao lembrar dela. Passa um mês. E as perguntas ecoam na sua mente: ''É ela?'' ''Eu a amo ou só me sinto atraído?''. Mas não se preocupe, são perguntas habituais do mecanismo humano.
Então, os meses passam voando, e você nem se dá conta. Os dias passam, e você não precisa olhar para o  rosto dela para lembrar dele a noite, e não precisa ouvir sua voz todo dia para lembrar de sua tonalidade. Todas essas coisas já estão gravadas na sua memória sem que você perceba. E não só isso, muita coisa mudou e você não percebeu: você sente saudades depois de meia hora, você lembra dela a cada segundo do minuto da hora do dia, e o único número de celular que você sabe de cor é o dela, e até se confunde quando vai ligar pra alguém. É confortável, não é? Claro, tirando as partes que você chorou e se entristeceu por algo não dar certo, mas não se preocupe com isso também, é normal. E sabe por que você gosta tanto do que lê? Porque você a ama. E isso é outra coisa que você acabou de notar.

Chiclete

Você sabe quando tudo se mistura, não sabe? Saudade pra lá, ódio pra cá, amor acolá, tudo junto, tudo grudado um no outro feito chiclete. E olha que gruda mesmo. Você pisa, limpa, joga água, tenta arrancar, ou até esquecer. Mas é forte demais e te persegue onde quer que você for. Eu sei, meu caro amigo, eu sei que é chato. Mas passa, viu? Não precisa ficar com medo não. Uma hora, sozinho, tudo se separa, tudo vai pro seu devido lugar, e o que não presta, vai pro lixo. Não se preocupa. Masca o chiclete e relaxa.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Foi se achegando, desinteressado, como quem não quer nada, roubando-me o coração, dizendo que tudo ficaria bem. E eu acreditava, Deus sabe lá o porquê. Mas acreditava assim, sabe.. Desacreditando.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tão nada

Mexeu o café quieto, coitado. Com a vida tão sofrida, tão sórdida. Pegou sua trouxinha e foi trabalhar, voltaria só a noite, então já havia dado comida para seus animais. Única companhia que tinha. Sua esposa havia morrido a 5 anos, e tudo o que restava dela eram fotos, manchadas e sujas pelo pó, esquecidas em cima do armário. Onde Lucival, querendo amenizar a dor, esqueceu-as.
Trabalhou, trabalhou, trabalhou. E voltou. Era a sua rotina. Flagrou-se mexendo o café novamente. Com um olhar distante, longínquo. Esbarrou no armário velho antes de deitar no sofá, e acabou lembrando das fotos. Passou meia hora discutindo com si mesmo, e resolveu revê-las. Pegou a caixa de lembranças, jogou-a no chão e sentou-se, pegou tudo que tinha lá dentro, passava a mão pelo rosto sorridente da mulher e chorava como uma criança. Pelo menos, ela é uma luz em mim, uma paz, pensou ele. E era. Melhor que tivesse sido assim, não? Uma luz em meio a saudade que sentia. Pobre coitado... Tão pobre, tão triste, com saudades desmedidas..

domingo, 24 de julho de 2011

Me sentia tão forte, tão segura, tão indestrutível, que quando vi já estava morta.

Metaforicamente falando

Amor era um sujeitinho baixinho e arrogante. Era um bom amigo da mentira, da hipocrisia, da traição e da tristeza. Todo dia, às 7 horas, ele saia para trabalhar, pegava sua pasta vermelha, e entrava em bares, shoppings, casas, prédios, até no inferno. Seu trabalho era fácil, encostava nas pessoas, as fazia se olharem, e então, elas se aproximavam. Era um trabalho fácil, que acompanhado de suas amigas, o fazia mais completo. Mas não era só isso, meses depois ele voltava para ver o casal que havia feito, e sempre encontrava suas amigas se deliciando com eles: a mentira, a hipocrisia, a traição e a tristeza. Fazendo um banquete com sentimentos que deveriam ser... Respeitados. Não, ele não ficava triste quando via isso pela janela das casas, não, ele ficava satisfeito. Porque era o que queria desde o começo. Enganar as pessoas, fazer com que elas fossem seus fantoches, as manipular. E isso acontecia todos os dias, mais em Veneza do que no Brasil, mais na Itália do que na China, mas acontecia.

Maria Maria

Seu nome era Maria. Apenas Maria. Assim, simples.
Ela era uma menina carinhosa, romântica, sensível, alguém que confiava facilmente nas pessoas, e se tornava confiável rapidamente. Bom, até um tempo atrás, como qualquer pessoa, ela conheceu influências, e seres que a fizeram feliz por um tempo, e depois, claro, machucaram-na. Não fisicamente. Mas emocionalmente, espiritualmente e socialmente. Como boa menina, ela perdoou, porque fazia parte do que ela era. Perdoaria, as pessoas mudariam, e tudo ficaria bem de novo. Porém, não foi assim que aconteceu, as pessoas continuaram deixando feridas, e ela, de repente, viu que estava destruída e que tudo dentro dela estava morto.
As pessoas, que diziam amá-la, abriram um buraco negro e escuro dentro dela, e quando ela procurou o amor, o carinho, a sensibilidade, não os encontrou. Então, ela começou a perceber que, sem querer, estava machucando pessoas da mesma forma que elas a machucaram. E o pior, é que ela não se importava. As feridas fizeram com que ela não se importasse. Elas sugaram tudo de bom que existia dentro de Maria. E só deixaram espinhos e cicatrizes não curadas.
Ela não era depressiva, nem insensível, nem qualquer tipo de maníaca, era apenas alguém fria, movida a vento. O único motivo que a mantinha viva era a esperança, de que um dia, encontraria alguém que não mentisse, que fosse puro o suficiente pra mostrar quem realmente é, a curasse das feridas, e fizesse com que elas se transformassem em cicatrizes transparentes, curadas por algo verdadeiro. Baseado num coração que bombeia sangue, e não hipocrisia. Relacionamento que não fosse feito de ilusão. Alguém que pudesse consertá-la.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Entre no barco

Música: Fix you - Coldplay

O barco da minha vida flutuava no rio calmo. Junto com ele eu havia trazido uma mala. A abri, e peguei uma foto. Sorri. Alisei o rosto da pessoa e deixei com que uma lágrima caísse. Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso. Revivi o momento daquela foto, lembro das palavras que eu havia dito e que haviam feito ela sorrir. Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa. Deixei outra lágrima cair, e agarrei a foto junto a meu peito, a dor me consumia, eu realmente, não precisava daquilo. Fechei meus olhos e joguei a foto no rio, observando-a afundar. Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir. Peguei a mala, enfurecido, e joguei-a no rio também, se eu a guardasse comigo a dor me consumiria pelo resto da minha vida. Preso em marcha ré. Deitei no barco, e encarei o céu azul, deixando as lágrimas caírem pelo meu rosto, enfiei a mão no bolso e tirei um colar, li as palavras gravadas nele e o joguei também, o mais longe que pude. Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto. Quando você perde algo que não pode substituir. Meu peito doeu, pulsou forte, e eu o segurei, como se quisesse acalmá-lo, iria ficar tudo bem, sussurrei. Quando você ama alguém, mas é desperdiçado. Pode ser pior?
Me levantei, ainda chorando, segurando os remos com força, mesmo que não conseguindo mover o barco. Não havia forças em mim, forças de dentro, eu não conseguiria remar SOZINHO. Luzes vão te guiar até em casa
E aquecer teus ossos E eu tentarei, consertar você. 
Deitei novamente, e fiquei lá, ouvindo do meu próprio coração, que não importaria o que eu tentasse fazer para esquecer, porque ele, nunca esqueceria. E eu tentarei, consertar você.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Adeus

Te digo através do meu olhar, das minhas sílabas silenciosas, e do meu toque mudo. Te digo desse jeito porque é menos doloroso pra mim, e talvez, porque me dê a certeza de que eu não vá voltar atrás.
Sabe, querido, eu tentei te avisar de tantas formas, até com palavras, quis lhe dizer antes que fosse tarde demais, mas você não quis me ouvir, disse que suportaria, e que valia a pena correr o risco.  Mas olha no que isso se transformou, olha o caos que isso se tornou. Eu lhe disse pra não me amar, disse pra não confiar em mim, pra não se envolver, mas você o fez porque já me amava...
Eu queria te dizer que sinto muito, que foi bom o tempo que passamos juntos e que eu vou sentir sua falta, mas estou muda. Muda pela realidade e pelo óbvio. Espero que você entenda meu olhar e que não tente correr atrás de mim quando eu soltar sua mão. Porque agora, é tarde demais pra se arrepender...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sou uma pessoa afortunada. Cheia de amor, cheia de vida, cheia de ego. A única coisa na qual estou farta de estar cheia, é de mim mesma.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Procurar-te-ei

As horas já passaram, junto com todo o anseio do dia. O sol sugou todas as forças existentes em mim, e o vento levou todas as poucas esperanças contidas em minha roupa. Meus pés doem de andar, meus olhos estão cansados de tentar avistar, e meu espirito cansado de vaguear por aí. Agora a lua brilha no céu, e isso é sinal de que as forças físicas serão restituídas, e que amanhã, quando o sol aparecer no oriente, meus pés estarão descansados e meus olhos enxergarão tudo de maneira clara. Enquanto meu espírito vê uma sequência de dias, de mortes e de recendências do sol, e as fases da lua, parado e morto. Caminhando fora do meu corpo, a procura do preenchimento do espaço vazio. Vagueia por cá, por lá, em cima e embaixo, por trás de sentimentos, de pessoas, de experiências, e tudo o que ele consegue achar é mais espaço vazio.
Eu o observo agora, sentada aqui, a sua procura ininterrupta. O seu desespero por correr atrás do vento. Vejo sua face acabada e cansada, e mesmo assim inabalada. Eu o chamo, o chamo com carinho, para que desista de encontrar algo que não existe mais. Mas ele é insistente, e tudo o que me resta fazer é vê-lo se machucar, esgotar suas forças e sua falência. Que será breve.
Eu estou envolvida com você. Cada parte de mim. Mas eu não queria e odeio estar. Há algo que ainda me puxa até você, talvez não algo muito importante. Mas tão áspero quanto eu.
  Finjo sentir o que sinto, finjo querer falar o que falo, falo pensar o que não penso. Sou movida a mentiras quando se trata de você. E é disso que eu gosto. Da maneira habitual e sucessiva com que não me importo de fazer.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Onde estão aqueles que prometeram suporte? Se deixaram abater pela tristeza advinda da minha própria alma? Ou apenas lhe puseram coisas mais importantes a fazer? São nesses momentos que, depois levados pela alegria,       nos mostram quem sempre significou ajuda, e amor.

domingo, 10 de julho de 2011

Onde está baseada a existência dos seres humanos? Quando tudo isso acaba? Até aonde seus limites chegam? 
Há dias em que tudo pesa, até seus pés pesam, e tudo o que você precisa é de uma 'pré morte', para que ela faça seus problemas desaparecem. 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cérebro excluso

Todas as coisas tem suas sucessões habituais, as pessoas tem suas rotinas, os relacionamentos tem suas fases, e os anos suas estações. Então, me perguntei, certo dia: por que tudo tem que mudar?
Confesso que resposta não encontrei, mas era um fato evidente. As fisionomias mudavam, um pouco de gordura ali, um pouco menos de cabelo aqui, rugas aparentes. Relacionamentos que não duravam uma semana, outros que duravam tanto que até os outros enjoavam, pessoas românticas se tornando pessoas frias como o inverno rigoroso que atingira a capital. Tudo mudava. E eu só havia parado e notado isso uma vez.

Então por que me parecia tão difícil aceitar essa idéia? Alguém que, como eu, se dizia tão renovador de ideias, e receptor de grandes acontecimentos?
Me parecia errado aceitar que qualquer coisa a minha volta mudaria a qualquer instante. Viver com pessoas, aprender a amá-las, para que dois meses depois, elas se tornassem alguém que eu não reconheceria mais?
Não só me parecia errado, mas como também inaceitável. E relatando isso a pessoas próximas a mim - sim, aquelas que eu sabia que mudariam um dia daqueles - percebi que eu também havia mudado. Embora não tivesse notado. Reclamaram, murmuraram, elogiaram, criticaram e me fizeram ciente.
De qualquer forma, aquilo ainda seria inaceitável para mim. Tudo devia permanecer do jeito que sempre foi, as palavras deviam continuar as mesmas, as atitudes deviam se repetir, e as pessoas não deveriam se tornar desconhecidos. Porque era assim que tinha que ser. Tudo no seu devido lugar.
Sem mudanças, sem aviso prévio, sem pré julgamentos. Para conservar uma vida, em minha cabeça, mudanças estavam exclusas. Ainda que meu cérebro não se incluisse no meu próprio pensamento.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Rosas Vazias

Era como percorrer a mesma estrada, com os mesmo espinhos jogados ao chão. Era saber o que me esperava a frente, e mesmo assim, tentar correr sobre os espinhos, tentando não me importar com eles. Mas machucava, e doía, e a tentativa de não lembrar da dor só a fazia piorar. Sangrava e ardia.
A ideia de apenas deitar na grama, do lado da estrada, e desistir dela, me fazia melhor. Vazia, mas melhor. Os espinhos sempre foram os mesmo, e sempre machucariam da mesma forma. Eu poderia estar disposta a chegar ao fim, sabendo que recomeçaria o ciclo inúmeras vezes, até estar machucada o suficiente para não conseguir prosseguir.

Clave de sol

Confesso, sempre achei gostar de dias chuvosos, nublados ou escuros, porque geralmente, eles traduziam o que eu levava por dentro. Mas estando, sozinha, no frio e no vento, eu senti falta do calor do sol, e do brilho que fazia ofuscar meus olhos. Senti falta das cores mais vivas, e dos cantos dos pássaros em alto som. Depois de tanto tempo, depois de tantos dias pesados, eu percebi que não importava quanto tempo eu passasse debaixo da chuva, um dia, em qualquer hora, em qualquer lugar, sozinha ou não, eu sentiria saudade da vida que aqueles dias de verão me proporcionavam. Eram bons, sempre foram. E talvez, toda aquele tempo, tudo o que eu precisava, era notar o que estava em minha frente. Sorrir para o céu azul, e cantarolar o canto dos pássaros. Saber aproveitar a vida da mesma forma que sabia 'desgostá-la'.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Caio F.

Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente? 
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muitomais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.
Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, decontinuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.
. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.
(Retirado do livro "Pequenas Epifanias" e do blog Literatura Fascinante) 

domingo, 19 de junho de 2011

Eu sentia inveja do que ele sentia. Sentia falta de tudo o que aquilo havia me proporcionado. Saudade de me dar inteiramente, e de receber proporcionalmente. Sentia falta de um sorriso que significasse o mundo pra mim. Saudade de sentir saudades. Saudades de sentir qualquer coisa, uma pontinha de um sentimento qualquer.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

- Ah, olhe! Ela está vindo novamente. E parece mais forte do que antes.
- Mas o que aconteceu? Por que de novo? Ela prometeu que não voltaria mais.
- Descuido, meu amigo, descuido. É o que dá não ter atenção o suficiente.
- E agora?
- Agora? Bom, agora vamos esperar pela próxima vitima!
- Vitima?
- É! Primeiro ela vai iludi-lo, vai fazer com que ele a ame, e depois levará seu coração embora.
- E como você sabe disso?
- Estou sem coração até hoje.

One last chance

Tudo volta com o mesmo impacto de antes, causando as mesmas sensações. Então eu me pergunto: Será mesmo que deveria ser assim? Será que o destino não enlouqueceu e fez as coisas acontecerem ao contrário?
 Eu já disse para Deus, para a torcida do flamengo, para as pessoas que não se importam comigo, para as que dizem se importar, para as que nem me conhecem, disse para o mundo que haveria apenas uma chance! Apenas mais uma. E parece que ninguém me escutou! Eu me esgoelei, perdi a voz, perdi o tempo, perdi a noção de tudo. Pra quê? Oh claro, pra nada!
 Eu tentei, assim como você, me dediquei, fiz promessas pra tantas coisas, tantas pessoas, que nem sei como pagá-las, fiz atitudes, fiz palavras, fiz canções, fiz dedicatórias, fiz até mesmo cartas, para anunciar pra todo mundo que haveria apenas mais uma chance, e que eu estava tentando mantê-la firme e fortemente.
 Então vinha um, vinham dois, vinham três, me falavam que eu era louca por insistir tanto por algo que não valia a pena, que eu estava remando contra a maré, e que no final de tudo, não chegaria a lugar algum, mas sabe o que eu fiz? Continuei tentando! E sabe por quê? Porque eu havia dito que tentaria! Eu havia prometido e me esforçado. Eu havia aguentado longos meses de sofrimento e espera para conseguir, finalmente, a minha excelentíssima chance! E eu a consegui! Sim, eu a consegui! Mas não me valeu de nada. Porque roubaram-na de mim, rasgaram-na e jogaram em qualquer lugar. E eu a vi lá, jogada ao chão, a minha única e última chance jogada ao chão pela pessoa que eu mais me importava. A minha chance de dar uma chance ao amor... Mas ela foi-se, assim, rapidinho. Junto com as esperanças, e com a ilusão de que um dia, alguém se dedicaria tanto pra mim, como eu me dediquei. E que talvez, um amor não fosse SEMPRE dado por uma só pessoa, mas retribuído de forma igual.
Ironia, não? O que sempre foi, não há de mudar. Nem agora, e nem nunca.

Everything is gonna be ok

O pequeno garoto agarrou minha mão fria, e perguntou meu nome, respondi com um sorriso, e ele fechou os olhos. Durante os cinco minutos que se passaram eu ouvi sobre a vida dele, ouvi quietamente e atenciosamente, segurei as lágrimas e pensei: A única coisa que o diferencia de mim é por ser um menino, e talvez, por ainda não ter sofrido todas as consequências. Então, ele abriu os olhos e olhou pra mim, encarei-o fraternalmente, mas não tive coragem de falar que ia ficar tudo bem, que passaria logo, mas o abracei fortemente, com os dois braços, e o olhei por dois segundos, sorrindo e pensando: Você é forte o suficiente pra aguentar. E tudo, tudo! Vai passar um dia. Eu prometo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

If you don't wanna love me

''If you ask me to leave, and I walked away, we'd still be alone, we'd still be afraid.''

Brain

Eu estava concentrada em minhas idéias. Sórdidas por um momento, mas como sempre, conturbadas. Olhei para o meu corpo, e o encarei, não fazia isso há um bom tempo, balancei os pés, um pouco crescidos. E sorri, sentindo os musculos da minha face se movendo. Era uma sensação estranha que eu, provavelmente, não sentia a alguns dias. Puxei meu próprio braço, olhei as horas, o dia, e o mês. Tudo corria tão depressa, e a impressão que tudo aquilo me causava, era que eu estava parada a muito tempo, enquanto tudo ao meu redor continuava em movimento. Qual foi a ultima vez que eu falei? Que eu pensei? Que eu tive contato com alguém? Meu corpo queria me falar, mas meu cérebro desligou logo após perceber que eu havia acordado.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Fire

O relógio marcava meia noite e um. O vento frio entrava pela frestas da porta e a madeira sofisticada rangia silenciosamente. Cheirou, sem interesse, o vaso de flor ao seu lado, cheio de rosas. Colocou o cigarro entre os dedos e tragou, enquanto a outra mão balançava uma xicara de café. Olhou para o computador a sua frente, a página em branco, e a sua mente vazia. Recostou-se na cadeira e deixou sua cabeça pender, deu mais uma tragada e deixou o cigarro ali, repousando, sozinho. Levou os dedos magros e longos ao teclado sofisticado do computador, hesitou, parou, e olhou. Fez um sinal negativo com a cabeça, como se precisasse do apoio de alguém. Bufou. Voltou com seus dedos ao teclado, e digitou, rapidamente. ''Fogo''. Que diabos fogo tinha a ver com aquilo que queria escrever? Aliás, que precisava escrever? O relógio anunciou: meia noite e cinco. ''Fogo, seu corpo estava no fogo. E eu o olhava de longe, queimando, sem dor alguma.'' Ok, seu texto estava indo para um lado assassino da história. Ele precisava fazer uma crônica para publicar no jornal, antes que amanhecesse o dia, era meia noite e tudo o que lhe vinha à cabeça eram chamas, e chamas, e calor. Mas que diab... ''Embora lá estivesse fazendo calor, tudo o que eu poderia sentir era um bom cheiro. Parecia mais com... Flores? Flores. Eu até conseguiria vê-las, de longe, mas as chamas encobriam, enegreciam a minha visão''. Meia noite e dez, seu colunista! E tudo o que você consegue escrever é uma mistura de inferno, flores, e calor? - Dizia sua mente, aborrecida e de mau humor. ''Flores que, embora sem beleza, tiravam o cheiro de enxofre''. Olhou seu computador, rindo do que escrevera, tudo sem sentido. ''Os ventos uivantes, de qualquer direção, apenas faziam com que as milhares chamas se multiplicassem, crescendo e tomando formas cada vez maiores''. A impressão de que tinha era que suas idéias estivessem virando realidade, sua testa pingava, seu cabelo estava molhado, e o calor que estava sentindo era insuportável, mas não podia parar, embora o texto estivesse sem sentido, era melhor do que nada. ''Aquele lugar não parecia ter fim, tudo era escuro, e meus olhos, irritados, não enxergavam mais nada''. Pegou um pano numa gaveta, e enxugou seu rosto suado, enquanto sua pele borbulhava num calor inexistente. ''Eu ainda tinha pernas, e eu poderia correr, mas não sem olhos. Não tardou para que o fogo me alcançasse e eu caísse em meio as chamas, até que as mesmas consumissem até a minha alma''. Sorriu, aquilo não lhe parecia uma crônica. Mas gostou, de alguma forma, do que tinha escrito. Levantou-se para pegar o seu cigarro, e se deparou com ele jogado ao chão, queimando as paredes, os móveis, os outros computadores, e vindo para cima dele. E tudo o que conseguia pensar, naquele momento, era em flores. Apenas nelas. Nem ao menos lembrou de como sair dali, se entregando ao fogo de seu próprio raciocínio.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Muralha

Estava lá, imóvel, frente ao espelho, olhando seu próprio reflexo, tentando buscar no fundo dos olhos, algo, ou algum resquício do seu eu, das suas atitudes, da sua alma. Mas tudo o que via era um rosto pálido, olhando para um espelho sujo, com um semblante cansado e triste, buscando no seu próprio corpo, esperanças.
Vivia uma vida que não era sua. Falava o que não pensava, e pensava o que não queria. Sorria com lágrimas, chorava com lágrimas, dormia com lágrimas. Vivia assim. Mas não se importava. Quando aquilo, lá dentro, já está esfarrapado, acabado, morto, a dor é suportável, em muitas vezes, nem sentida. Com o tempo, a dor se torna força, e o que a acabava rapidamente, precisava ser três vezes maior, ou quatro, ou cinco... Ou ela já havia se tornado invencível, uma muralha de força que a dor construiu.

terça-feira, 24 de maio de 2011

''às vezes eu não escrevo tudo quanto penso, muito menos penso em tudo o que escrevo. há vezes em que escrevo à alguém, outras à ninguém. vezes em que embaralho destinatários, permuto histórias e deixo tudo tão confuso que passa a fazer sentido de menos... ou demais. compulsão. a tentativa de fazer não ter sentido parece ter sido falha.

às vezes só quero encontrar uma maneira de extravasar anseios e dúvidas em palavras, de transpor gestos por meio de frases. quero que dêem ouvido aquele que não pronuncia uma só sílaba.

e todas essas entrelinhas entorpecem o discernimento, o meu e o teu. e eu que desaprendi as grandes técnicas de esconde-esconde. mas não entenda errado, dê mais atenção ao que ainda não foi escrito. se souber enxergar através desse restrito vocabulário, verá que não há desdém em uma só palavra que digito.'' Nicolle Albiero

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Não sou boa em cuidar de corações. Eu vou acabar deixando cair, quebrando, estraçalhando, sujando, fazendo uns remendos mal feitos e, depois vou esquecê-lo em algum lugar.

Killer

Digo, repito, digo de novo, e se quiser, posso repetir novamente. Sim, repetir  novamente. Não me dê você. Sim, não me dê nada que venha de você! Seu cabelo, seu pescoço, sua boca, seu estômago... Não me dê. Entenda o que estou lhe dizendo. Sou uma passageira. Sombria, ás vezes. Contudo, mais desajeitada numa parte do tempo.
Exemplificando, você está num beco escuro, quase sem oxigênio, e de repente, você me vê, e confia em mim.
Tudo bem em confiar, contanto que você não se preocupe em se magoar depois. Então você acha que me conhece, em minutos de desabafo e choro, de sorrisos e abraços, e logo depois (logo, digo, meses) você vê em mim algo intolerável, conforme sua projeção anterior. Então começa a me amar (geralmente depois de alguns dias, ou horas, ou.. minutos), e dizer que não vive sem mim, que eu sou tudo aquilo que você imaginou (e imaginou mesmo, ein), e logo depois, logo mesmo, você vê que aquela garotinha que o ajudou no beco, é apenas mais uma em que você achou que seria diferente, mas não foi, e talvez, ela tenha sido pior.. (digo eu, 1ª pessoa do singular), talvez eu tenha sido pior, talvez eu tenha me aproveitado da oportunidade e tenha pego seu coração e na hora em que você se preocupou em me fazer mudar, em me fazer ser a sua projeção.. Talvez essa hora, eu já estivesse longe demais, com seu coração em minhas mãos, sorrindo maliciosamente, sem culpa nenhuma, talvez eu tenha sido o monstro que você sonhou dias atrás. Ou talvez, esse texto esteja todo ao contrário, e eu fui a vítima deixada sozinha no beco escuro, solitária, e imersa em um peso de agonia e desilusão. E como um ciclo, talvez (talvez, talvez, talvez, tantas suposições), eu tenha me tornado a vilã, depois da vítima, e tenha aprendido certo como faz, para não ser machucada e ser exatamente aquilo que são comigo. É um jogo. Ou você mata, ou é morto.




sexta-feira, 13 de maio de 2011

Adiante-se

Entre as beiras e ''entre'' beiras do seu ser tudo estava nublado. Assim, como um dia de céu escurecido, um vento fraco, e um frio abundante. Sorria, dizia as árvores. Cresça, indagava o vento barulhento. Faça, diziam as nuvens, sobrecarregadas. E ela, pertubada por sua cabeça, continuava parada, apenas movimentando seu corpo para frente e para trás. Por que eu tenho que fazer algo, pensava ela, olhando para os lados desconfiada. Então, por cima de sua cabeça, as nuvens se abriram, e por entre elas, o sol saiu, a pegou pelo braço e disse: Para que você não fique apenas parada ai, e deixe sua vida passar diante de seus olhos. Para que você não deixe as pessoas fazerem apenas o próprio querer. Você está nesse mundo para fazer a diferença. Vá lá garota, sorria, cresça e faça!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

 Tudo deveria ser um alívio, mas se tornou apenas angústia. Palavras? Não bastam, nunca bastaram.
E se um dia, você tiver que lembrar de mim, lembre como alguém que você não deu o valor suficiente. E se esse um dia for o final, apague, definitivamente, da sua memória, os dias em que eu sorri pra você.

domingo, 8 de maio de 2011

Um ourives das palavras

Estou lendo um livro que contém partes de outro livro, ''Um ourives das palavras''. E achei muito interessante, profundo e intrigante. Colocarei aqui alguns trechos:

''De mil experiências que fazemos, no máximo conseguimos traduzir uma em palavras, e mesmo assim de forma fortuita e sem o merecimento cuidado. Entre todas as experiências mudas, permanecem ocultas aquelas que, imperceptivelmente, dão às nossas vidas a sua forma, o seu colorido e a sua melodia. Quando depois, tal qual arqueólogos da alma, nós nos voltamos para esses tesouros, descobrimos quão desconcertantes eles são. O objeto da observação se recusa a ficar imóvel, as palavras deslizam para fora da vivência e o que resta no papel no final não passa de um monte de contradições.''

'' Haveria um mistério sob a superfície da atividade humana? Ou seriam as pessoas exatamente como se revelam através de suas ações explícitas?''

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Relíquias

Estava tudo empoeirado, se um dedo limpo e puro, passasse por ali, com certeza, sairia preto. As madeiras do chão faziam um barulho irritante toda vez que recebia um peso, as janelas estavam soltas, e qualquer arzinho que encostasse nelas, as abria completamente, as portas, já, com sinal de arrombamento, dava-lhes de graça, farpas e convicções não muito receptivas. Os móveis estavam cobertos com lençois brancos, já amarelados pela poeira, e o cheiro, que se sentia do quintal, era insuportável.
A mulher dos olhos pretos e vazios, andava devagar por entre a casa, olhando cada detalhe, tocando tudo o que estava em sua frente, e cheirando cada partícula dali, sim, mesmo que o cheiro fizesse as narinas arderem. Sentou em um canto do sofá, segurando seus joelhos junto ao queixo. Sentindo toda a nostalgia imersa dentro da casa, lembrando de como costumava ser antes e de que sentimentos lhe trazia. Algumas lágrimas lhe desceram a face, e curiosa, sua própria consciência perguntou-lhe, como num debate entre apenas uma pessoa:
- O que é isso? Digo, o que você está fazendo?
- Estou dentro de mim.
- Dentro de você?
- Veja, essa casa é o meu coração, perceba como ele está. E embora me doa, ter de vê-lo desse jeito, foi a única coisa que me sobrou.
- Mas..
- Sem mas's. Já não sou suposição de mim mesma. Esta é a realidade, e eu estou encarando-a.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Que acúmulo seria nossas vidas se não filtrássemos coisas, já, sem importância?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

-

Não! Oh céus! Você por aqui!! (Sorriso falso). Teimei teimei, lutei, e taí o resultado. (Centenas de palavrões). Desculpe-me, não é querer ser chata, mas vocês não são bem vindos, digo seriamente, não são. Não posso permitir, ok... Eu sei, já permiti, mas despermito. Tenho o controle sobre minhas vontades, pelo menos isso, acho eu. Tá, já entendi! Não ando tendo! Oh, novamente! Enchendo minha cabeça! Saiam! 
Deus do céu, como é difícil ser eu.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mentiras

Ela se arrastava pelas incertezas do seu ser, as manchas da dúvidas apareciam entre sua pele. O ar diminuia toda vez que tomava uma decisão. Ela se empurrava pelo caminho errado, fazendo com que a única coisa que lhe restava, desfarelasse pela trilha de lágrimas.
Ela queria voltar, trazer-se ao rumo novamente, porque sabia onde deveria estar, o que deveria estar fazendo. Mas não conseguia. Havia algo que lhe puxava, que lhe prendia. Uma tal força que sugava todas as suas emoções. Preto. Deixando apenas o preto.
Ironicamente, ela não podia ser feliz, não havia uma forma ou um porquê. Ela só vivia por viver. Porque era preciso. Sorria porque precisava fazer isto.
Viver uma vida de mentiras era mais do que uma dificuldade, era um peso que ela carregaria por um bom tempo. Ou a curto prazo. Podia acabar amanhã, se dependesse dela. Ou agora.
O caminho era longo, a estrada continha obstáculos. E o pior, não era aquela que ela deveria estar. Sofreria por nada. Choraria por nada. Viveria por nada. Como já estava fazendo. Sem objetivo algum.
Paciência e respeito andam juntos, não se pode ter um e não se ter o outro.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A fragilidade de uma lágrima, e a fortaleza da agonia se despeja em mim. Com mais força do que meu braço sustenta, com mais intensidade do que meu espirito pode aguentar.

domingo, 10 de abril de 2011

Há situações que só você pode mudar, só você pode ter coragem e empurrar a si mesmo para o caminho. Não vai ser fácil, já adianto, não vai ser rápido e vai doer muito. Mas se você conseguiu chegar ao ponto que está, vai ter que ser forte o suficiente para sair. Você vai ter que renunciar coisas que deseja muito, e abandonar pessoas que você ama. Você vai chorar por noites, dias, e madrugadas seguidas.
Tudo isso requer muito esforço. Mas vale a pena se sacrificar pela única coisa que te faz feliz de verdade.
Correrei, correrei sem me cansar, até eu achar quem eu fui, quem eu devia ser. Correrei até eu me reencontrar.

Eu

Durante toda a minha pequena vida eu soube quem eu era, sabia o que tinha que fazer, e como eu deveria tratar as pessoas. Então, de algum modo, de algum jeito, num dia, conturbei a minha mente, e me tornei alguém irreconhecível, alguém miserável e desprezível. Me tornei eu.
Você tinha razão quando disse que nunca havia me conhecido, e agora percebo, que também não me conheço. Que me desculpe a negações e interrogações da frase, que me desculpe também o ''tempo'' pejorativo e com muita significância, mas é o que eu preciso agora. De tempo. Longos dias para eu retornar ao que era, retornar dentro de mim o 'eu' perdido - que lá está, no fundo da alma, ao lado dos rins, perto do coração, entre o cerébro, ou entre as veias - que acharei, cedo ou tarde.
E ouça, serei apenas uma alma desabitada se o perder novamente. E antes que o sol se ponha, eu prometo, pra mim, pra você, pra lua, que eu estarei de volta. Como nasci.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Não se envolva comigo, digo, inteiramente. Não tente descobrir meus segredos, não tente ler meu passado pelo meu olhar, nem descobrir o que levo no sorriso, não tente descobrir os motivos do meu choro, e o brilho dos meus olhos. Escute o que lhe digo, se não for para me amar, não insista! Porque se insistir, vai odiar o que sou, o que faço e o que aparento ser.

terça-feira, 5 de abril de 2011












Fujo de mim mesma pra não ter que me encarar.

Lembrete

Sol, frio, um ar leve de nostalgia. Eu estava alegre, sim, eu estava. Não feliz, alegre.
O vento vinha, e ia, vinha e ia, dançando por entre as folhas das árvores. Me deixando nem um pouco preocupada com o estado do meu cabelo - revirado e por cima da face.
A articulação da minha perna estava sendo forçada por entre as ruas que eu percorria. Aliviada, soltei um suspiro.
- Bendito seja o outono. - Disse a voz dentro de mim, enquanto o vento gelado batia na ponta do meu nariz.
Os pássarinhos passeavam entre os furos de ar, carregando em seus bicos, folhas de árvores, preparando seu ninho para uma grande estação de frio.
Abri a porta, a antiga porta, maciça, como figura projetada sem olhar, entrei, e o calor aconchegante do meu lar trouxe á tona a única coisa que eu não poderia lembrar. Dei meia volta, peguei a chave e voltei ao mesmo percurso de antes, anotando em minha mente que não deveria voltar para casa.

domingo, 3 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mask

Quando chega a hora de me esconder, de colocar a máscara, eu me alegro. Preciso esconder quem eu era e quem estou sendo, para não assustar as pessoas, para não levá-las para longe de mim.
Quando a hora determinada da noite chega, e a lua alcança o ápice do céu, eu sei, é a hora de limpar, deixar as sobras do meu ser pelo chão frio.
'' É a hora '' Grita, já sem voz. E ai, durante todo o dia, quem eu aparento ser, cai em realidade. Logo, eu posso ser quem eu sou, um monstro, uma víbora, uma carne a sangue. Não sou eu quem escolho. Há alternância de fantasmas, procurando uma chance para introduzir-se na espessura do mundo aqui fora.
Por que é tão díficil ouvir uma verdade? Por que, talvez, até pareça mais fácil engolir uma mentira, do que tragar uma verdade por horas em sua cabeça?
  Nós buscamos por verdades, exigimos a verdades, e esperamos a verdade. Mas nunca oferecemos ela à ninguém. Por medo, por receio, mas nunca oferecemos. Parece mais fácil não machucar alguém, parece mais fácil reconfortar alguém com uma fácil informação para que a pessoa possa se sentir bem, não é? Mas o que é a mentira além de fatos não aceitados e mal formados? Feitos sem pensar, sem racionalizar, totalmente cheios de arrependimento e culpa? 
 E o que a verdade é, além de sentimentos sentidos, pensados e expostos de forma clara e limpa?
Então por que, mas por que trocamos a mentira pela verdade?

'' Mais vale uma verdade dolorosa do que uma mentira ilusória.''

Outono

O frio mesclado com o ar abafado passavam por entre as frestas de madeira, arranhando as pernas da garota, que quieta, olhava séria para a parede, como se estivesse encarando uma pessoa.
 Apontando um dedo, delicadamente, para frente, sorriu e indagou: Você tem idéia do que foi pra mim? Tem idéia de quantos sentimentos passaram pelo meu corpo? Quantas idéias contornaram minha mente? Tem noção de como, um dia, você conseguiu me afetar? De quem me fez ser? Não. Você nunca teve. A única coisa que sempre te preocupou foi em me manter ao seu lado, segura, sem que ninguém mais pudesse tocar em mim, e conseguiu, eu nunca fui de ninguém mais além de você, fui, inteira e preenchidamente, sua! Por todos dias depois que soubemos, eu fui sua. Mas tudo o que eu posso tirar de todos esses meses, é muito pouco. O que deixamos de bom? O que deixamos passar? Eu sei, eu te fiz chorar, e me fiz chorar, mas sem intenção. Nenhuma pessoa em sã consciência machucaria alguém que ama. - Acariciando a parede, com um estremecer de sombrancelhas, deixou uma lágrima cair. - Se desde o começo, eu pudesse ao menos, ver o seu coração, ver o meu significado, eu não deixaria as coisas chegarem onde chegou. Eu não teria deixado esse nublado encobrir nossas cabeças, e muito menos, a maré do mar subir. Eu te disse, eu precisava saber. Desculpas não fazem mais sentido, não sei o que elas significam. Mas se há algo ainda que eu consiga te dizer sem que o remorso venha á tona, é que, um dia, um longo dia atrás das nossas almas, eu te amei. Do fundo do meu coração, eu podia dizer que te amava, meu coração podia. Mas agora é tarde demais...

Posso ter sido uma boa ou uma má pessoa, posso ter te feito chorar, ou te feito sorrir. Posso ter te decepcionado e feito de mim, para você, uma pessoa terrível, mas você me amou, do jeito que eu era, do jeito que sou. Um dia, me amou.

domingo, 27 de março de 2011

Seria..

Seria mais fácil se eu nunca tivesse partido meu coração, se eu nunca tivesse colocado sentimento em nenhum dos casos, aliás, seria mais fácil se eu nunca tivesse me envolvido com ninguém.
Mas agora, o passado é passado, ele marcou e ainda marca meu corpo e meus pensamentos, e juntando-se com o presente, ainda agride o pouco que restou do meu coração.
Eu tentei, dias, meses, anos, reconstruir ele - os pedaços que estavam espalhados pelo chão, a estrutura do coração que, um dia, o amor teimou em quebrar, trucidar e jogar em qualquer lugar. - e eu finalmente, achei que havia conseguido, que ele estava forte e intacto. Mas agora, ao longo dessas horas, eu percebo o quanto ele ainda está quebrado, e o quanto dói ter que ver cada parte dele jogada nesse chão, o quanto dói ter que me esforçar para alcançar as partes perdidas, e o quanto dói ter esse espaço no peito. Oco e vazio, pulsando um coração que ele não sente faz tempo.