Ela fechou os olhos, suspirou duas vezes. Ainda que com os olhos fechados, conseguia ver a tonalidade azul do céu e sentia o calor do sol esquentando suas finas pálpebras.
O dia estava frio e o vento que soprava fazia sua pele arrepiar por debaixo dos casacos. A grama verde fazia cócegas na palma de sua mão e a música do Bon Iver tocava a todo volume em seus ouvidos.
Era um quadro perfeito de aconchego e paz.
E tudo o que ela conseguia pensar, era nele.
Ele morrera e tudo o que ficara dele eram os livros, as palavras tão ricas e profundas.
Um gênio, dizia ela. Minha alma gêmea, suspirava ela. Um amigo que nunca cheguei a ter, chorava ela.
Ele se fora um ano depois que ela nasceu, mas isso não a impediu de o conhecer.
Lera todos os livros dele, todas as cartas e o conhecia como se fossem amigos desde o inicio dos tempos.
Nesses dias, de nostalgia e saudades, ela desejava com todo seu ser que ele estivesse ao lado dela na grama. E que os dois discutissem o sentido da vida.
Cheia de saudade de uma coisa que nunca chegou a ser. Mas que se fosse, com certeza, seria a coisa mais terna que já havia existido no mundo.
Dedicado à Caio Fernando Abreu