domingo, 8 de fevereiro de 2015

Lígia

Lígia, tô indo. Talvez eu me arrependa, mas preciso ir pra descobrir quem eu sou. Eu te amei, saboreei cada pedaço dos momentos que passamos juntas. Amei quando percebi que a música que tocava perto de ti se tornava uma espécie de ''Fitzgerald'', como o vinho que você me servia tinha outro gosto, um gosto só teu. Amei teus quadros abstratos, teus livros de filosofia, amei tuas expressões faciais, teus dotes culinários, amei tua ironia, tua força, teu espírito. Lígia, eu amei até teus medos, amei teu sexo, tua fúria, amei teus lábios nos meus, teus lábios nas minhas costelas,  teus lábios nas minhas coxas. Amei nossas fugas da madrugada para adentrar no mar gelado. Me encantei, principalmente, quando vi que você tinha construído um papel fundamental na minha vida e construído sem querer e nem perceber.  Você foi como uma maresia num dia quente. Mas agora eu preciso ir, porque antes de você chegar eu já precisava. Agora necessito menos (sofridamente). Tu fez tudo ser mais leve.
Espero voltar. Espero descobrir logo e voltar inteira pra poder te dar mais do que queiras.
Amei e amo e amarei.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Ela fechou os olhos, suspirou duas vezes. Ainda que com os olhos fechados, conseguia ver a tonalidade azul do céu e sentia o calor do sol esquentando suas finas pálpebras. 
O dia estava frio e o vento que soprava fazia sua pele arrepiar por debaixo dos casacos. A grama verde fazia cócegas na palma de sua mão e a música do Bon Iver tocava a todo volume em seus ouvidos.
Era um quadro perfeito de aconchego e paz.
E tudo o que ela conseguia pensar, era nele.
Ele morrera e tudo o que ficara dele eram os livros, as palavras tão ricas e profundas. 
Um gênio, dizia ela. Minha alma gêmea, suspirava ela. Um amigo que nunca cheguei a ter, chorava ela.
Ele se fora um ano depois que ela nasceu, mas isso não a impediu de o conhecer. 
Lera todos os livros dele, todas as cartas e o conhecia como se fossem amigos desde o inicio dos tempos.

Nesses dias, de nostalgia e saudades, ela desejava com todo seu ser que ele estivesse ao lado dela na grama. E que os dois discutissem o sentido da vida. 

Cheia de saudade de uma coisa que nunca chegou a ser. Mas que se fosse, com certeza, seria a coisa mais terna que já havia existido no mundo.




Dedicado à Caio Fernando Abreu