domingo, 27 de março de 2011

Seria..

Seria mais fácil se eu nunca tivesse partido meu coração, se eu nunca tivesse colocado sentimento em nenhum dos casos, aliás, seria mais fácil se eu nunca tivesse me envolvido com ninguém.
Mas agora, o passado é passado, ele marcou e ainda marca meu corpo e meus pensamentos, e juntando-se com o presente, ainda agride o pouco que restou do meu coração.
Eu tentei, dias, meses, anos, reconstruir ele - os pedaços que estavam espalhados pelo chão, a estrutura do coração que, um dia, o amor teimou em quebrar, trucidar e jogar em qualquer lugar. - e eu finalmente, achei que havia conseguido, que ele estava forte e intacto. Mas agora, ao longo dessas horas, eu percebo o quanto ele ainda está quebrado, e o quanto dói ter que ver cada parte dele jogada nesse chão, o quanto dói ter que me esforçar para alcançar as partes perdidas, e o quanto dói ter esse espaço no peito. Oco e vazio, pulsando um coração que ele não sente faz tempo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Simply

De quê serve o passado, se não atormentar as múltiplas raízes da alma? Para quê serve se não trazer à tona, memórias que você, ás vezes, não queria nem ter vivido?
Dias e dias, sendo a ocupação da minha mente. Passado que não deveria, nem um dia, ter sido presente. Bastardo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Prison

Seus olhos se abriram, forçadamente pela luz que o sol omitia diretamente em seu rosto. Olhou o pequeno cubículo em que estava e espreguiçou-se deliberadamente, com um sono inexistente. Sentou na cama dura e barulhenta, olhando o chão cinza. A parece cinza, o teto cinza, a roupa cinza. Bocejou com toda calma possível, olhando, o que não podia ver, atráves da grade de uma pequena abertura maior que sua altura. ''Dia lindo'' Pensou, sem ânimo algum. Levantou na mesma calma de antes, calçou o sapato cinza, e bateu na grade maior. ''Bom dia'' Disse uma mulher de cabelos morenos. '' Bom dia, Marina'' Disse ela, violentada de desânimo. '' Como foi a noite hoje?'' Perguntou a moça, puxando assunto enquanto atava as mãos dela em suas próprias costas. '' Boa, boa''. Respondeu como se não soubesse onde estava.
 Já de mãos livres, no pátio, sentou isoladamente em um banco. Recebendo o calor e a luz do sol sobre o seu corpo.
'' Quente. Livre''. Enquanto o vento batia em seu rosto, fazendo-a confortável. Olhou entre o portão e viu dezenas de mulheres, o que continuo não chamando sua atenção.
Tomou liberdade e deitou seu corpo sobre o banco de madeira, lembrando dos últimos momentos lá fora, a perda do seu filho, a separação do marido, o sofrimento intenso. Pelo menos, ali, estava menos infeliz do que lá fora, sua dor estava menos insuportável do que lá fora. O mundo ali dentro não a fazia relembrar de tudo o que tinha passado. O mundo ali era cinza. Até as atitudes eram.
Inundadas de cinza. Esquecendo o azul, o vermelho, o verde. As cores vivas. Não... Pelo contrário. Cinza andava ao seu lado. Sem nada, sem vida. Igual a ela.
Sorriu para o céu, tapando a luz que vinha em seus olhos com a mão, balançando os pés e cantarolando uma música indecifrável.

'' É mais fácil fugir da sua dor, do que enfrentá-la.'' '' Nós somos capazes de fazer tudo para que não tenhamos que encarar a dor.''

Reflexo

Um pássaro amarelo pousou em um galho seco de árvore, assobiando sua canção de bom dia aos 4 ventos, o que, claro, acabou chamando a atenção de um outro pássaro, que chamou atenção de outro, e de mais outro. E de repente, aquela árvore estava cheia de passarinhos, de todas as cores possíveis e de todos os tamanhos.
- Ei, espere ai, por que esse tumulto todo? O que está acontecendo aqui? - Disse um deles, que acabara de chegar.
- Ouvi dizer que um tal passarinho amarelo anda acordando todo mundo, cantando sem parar. - Disse outro, que chegara mal humorado por não ter achado sua minhoca da manhã.
- Ei, escutem! Quietos! - Indagou o primeiro passarinho, atordoado. E minutos depois, todos estavam em absoluto silêncio. - Eu estava aqui, como sempre faço, cantando minha canção de bom dia para mim mesmo, agradecendo por um dia ensolarado e perfeito. Não sei porque esse encômodo e essa agitação, eu faço o que a maioria de vocês não faz. Eu sou grato pelo que tenho, e não apenas isso, pratico a minha gratidão. Não sou melhor do que nenhum de vocês, mas sei quem eu sou, e sei, que o que me foi dado, merece ser recompesado de coração. De verdade. - Todos o ouviram com muita atenção, cochicharam entre si silenciosamente, e de um a um, os passarinhos foram saindo da árvore, entristecidos e envergonhados, enchendo-se de culpa, por ser parte de uma sociedade ingrata e destruída, preocupando-se apenas com o seu globo egocêntrico.

Nun-ca

Eu nunca amei de verdade. Posso ter amado iludidamente, posso ter amado muito ou pouco. Posso ter amado dolorosamente, enlouquecidamente, apaixonadamente, ilusioramente, reciprocamente. Posso ter amado de forma exagerada, ou de forma simples. Posso ter amado aos poucos à grandes proporções. Posso ter amado em lágrimas, ou em sorrisos. Posso ter amado a curto e longo prazo. Mas amar de verdade, eu nunca amei.

quinta-feira, 10 de março de 2011

É a falta de tempo... Ou a sobra dele? É a ausência do amor, ou o excesso dele? Você me confude, me contorna, me deixa num mar de... Mesmisse.
Não sei o que sou, não sei o que me tornei ou o que poderia vir a ser.