Estava lá, imóvel, frente ao espelho, olhando seu próprio reflexo, tentando buscar no fundo dos olhos, algo, ou algum resquício do seu eu, das suas atitudes, da sua alma. Mas tudo o que via era um rosto pálido, olhando para um espelho sujo, com um semblante cansado e triste, buscando no seu próprio corpo, esperanças.
Vivia uma vida que não era sua. Falava o que não pensava, e pensava o que não queria. Sorria com lágrimas, chorava com lágrimas, dormia com lágrimas. Vivia assim. Mas não se importava. Quando aquilo, lá dentro, já está esfarrapado, acabado, morto, a dor é suportável, em muitas vezes, nem sentida. Com o tempo, a dor se torna força, e o que a acabava rapidamente, precisava ser três vezes maior, ou quatro, ou cinco... Ou ela já havia se tornado invencível, uma muralha de força que a dor construiu.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
''às vezes eu não escrevo tudo quanto penso, muito menos penso em tudo o que escrevo. há vezes em que escrevo à alguém, outras à ninguém. vezes em que embaralho destinatários, permuto histórias e deixo tudo tão confuso que passa a fazer sentido de menos... ou demais. compulsão. a tentativa de fazer não ter sentido parece ter sido falha.
às vezes só quero encontrar uma maneira de extravasar anseios e dúvidas em palavras, de transpor gestos por meio de frases. quero que dêem ouvido aquele que não pronuncia uma só sílaba.
e todas essas entrelinhas entorpecem o discernimento, o meu e o teu. e eu que desaprendi as grandes técnicas de esconde-esconde. mas não entenda errado, dê mais atenção ao que ainda não foi escrito. se souber enxergar através desse restrito vocabulário, verá que não há desdém em uma só palavra que digito.'' Nicolle Albiero
às vezes só quero encontrar uma maneira de extravasar anseios e dúvidas em palavras, de transpor gestos por meio de frases. quero que dêem ouvido aquele que não pronuncia uma só sílaba.
e todas essas entrelinhas entorpecem o discernimento, o meu e o teu. e eu que desaprendi as grandes técnicas de esconde-esconde. mas não entenda errado, dê mais atenção ao que ainda não foi escrito. se souber enxergar através desse restrito vocabulário, verá que não há desdém em uma só palavra que digito.'' Nicolle Albiero
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Não sou boa em cuidar de corações. Eu vou acabar deixando cair, quebrando, estraçalhando, sujando, fazendo uns remendos mal feitos e, depois vou esquecê-lo em algum lugar.
Killer
Digo, repito, digo de novo, e se quiser, posso repetir novamente. Sim, repetir novamente. Não me dê você. Sim, não me dê nada que venha de você! Seu cabelo, seu pescoço, sua boca, seu estômago... Não me dê. Entenda o que estou lhe dizendo. Sou uma passageira. Sombria, ás vezes. Contudo, mais desajeitada numa parte do tempo.
Exemplificando, você está num beco escuro, quase sem oxigênio, e de repente, você me vê, e confia em mim.
Tudo bem em confiar, contanto que você não se preocupe em se magoar depois. Então você acha que me conhece, em minutos de desabafo e choro, de sorrisos e abraços, e logo depois (logo, digo, meses) você vê em mim algo intolerável, conforme sua projeção anterior. Então começa a me amar (geralmente depois de alguns dias, ou horas, ou.. minutos), e dizer que não vive sem mim, que eu sou tudo aquilo que você imaginou (e imaginou mesmo, ein), e logo depois, logo mesmo, você vê que aquela garotinha que o ajudou no beco, é apenas mais uma em que você achou que seria diferente, mas não foi, e talvez, ela tenha sido pior.. (digo eu, 1ª pessoa do singular), talvez eu tenha sido pior, talvez eu tenha me aproveitado da oportunidade e tenha pego seu coração e na hora em que você se preocupou em me fazer mudar, em me fazer ser a sua projeção.. Talvez essa hora, eu já estivesse longe demais, com seu coração em minhas mãos, sorrindo maliciosamente, sem culpa nenhuma, talvez eu tenha sido o monstro que você sonhou dias atrás. Ou talvez, esse texto esteja todo ao contrário, e eu fui a vítima deixada sozinha no beco escuro, solitária, e imersa em um peso de agonia e desilusão. E como um ciclo, talvez (talvez, talvez, talvez, tantas suposições), eu tenha me tornado a vilã, depois da vítima, e tenha aprendido certo como faz, para não ser machucada e ser exatamente aquilo que são comigo. É um jogo. Ou você mata, ou é morto.
Exemplificando, você está num beco escuro, quase sem oxigênio, e de repente, você me vê, e confia em mim.
Tudo bem em confiar, contanto que você não se preocupe em se magoar depois. Então você acha que me conhece, em minutos de desabafo e choro, de sorrisos e abraços, e logo depois (logo, digo, meses) você vê em mim algo intolerável, conforme sua projeção anterior. Então começa a me amar (geralmente depois de alguns dias, ou horas, ou.. minutos), e dizer que não vive sem mim, que eu sou tudo aquilo que você imaginou (e imaginou mesmo, ein), e logo depois, logo mesmo, você vê que aquela garotinha que o ajudou no beco, é apenas mais uma em que você achou que seria diferente, mas não foi, e talvez, ela tenha sido pior.. (digo eu, 1ª pessoa do singular), talvez eu tenha sido pior, talvez eu tenha me aproveitado da oportunidade e tenha pego seu coração e na hora em que você se preocupou em me fazer mudar, em me fazer ser a sua projeção.. Talvez essa hora, eu já estivesse longe demais, com seu coração em minhas mãos, sorrindo maliciosamente, sem culpa nenhuma, talvez eu tenha sido o monstro que você sonhou dias atrás. Ou talvez, esse texto esteja todo ao contrário, e eu fui a vítima deixada sozinha no beco escuro, solitária, e imersa em um peso de agonia e desilusão. E como um ciclo, talvez (talvez, talvez, talvez, tantas suposições), eu tenha me tornado a vilã, depois da vítima, e tenha aprendido certo como faz, para não ser machucada e ser exatamente aquilo que são comigo. É um jogo. Ou você mata, ou é morto.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Adiante-se
Entre as beiras e ''entre'' beiras do seu ser tudo estava nublado. Assim, como um dia de céu escurecido, um vento fraco, e um frio abundante. Sorria, dizia as árvores. Cresça, indagava o vento barulhento. Faça, diziam as nuvens, sobrecarregadas. E ela, pertubada por sua cabeça, continuava parada, apenas movimentando seu corpo para frente e para trás. Por que eu tenho que fazer algo, pensava ela, olhando para os lados desconfiada. Então, por cima de sua cabeça, as nuvens se abriram, e por entre elas, o sol saiu, a pegou pelo braço e disse: Para que você não fique apenas parada ai, e deixe sua vida passar diante de seus olhos. Para que você não deixe as pessoas fazerem apenas o próprio querer. Você está nesse mundo para fazer a diferença. Vá lá garota, sorria, cresça e faça!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Tudo deveria ser um alívio, mas se tornou apenas angústia. Palavras? Não bastam, nunca bastaram.
E se um dia, você tiver que lembrar de mim, lembre como alguém que você não deu o valor suficiente. E se esse um dia for o final, apague, definitivamente, da sua memória, os dias em que eu sorri pra você.
domingo, 8 de maio de 2011
Um ourives das palavras
Estou lendo um livro que contém partes de outro livro, ''Um ourives das palavras''. E achei muito interessante, profundo e intrigante. Colocarei aqui alguns trechos:
''De mil experiências que fazemos, no máximo conseguimos traduzir uma em palavras, e mesmo assim de forma fortuita e sem o merecimento cuidado. Entre todas as experiências mudas, permanecem ocultas aquelas que, imperceptivelmente, dão às nossas vidas a sua forma, o seu colorido e a sua melodia. Quando depois, tal qual arqueólogos da alma, nós nos voltamos para esses tesouros, descobrimos quão desconcertantes eles são. O objeto da observação se recusa a ficar imóvel, as palavras deslizam para fora da vivência e o que resta no papel no final não passa de um monte de contradições.''
'' Haveria um mistério sob a superfície da atividade humana? Ou seriam as pessoas exatamente como se revelam através de suas ações explícitas?''
''De mil experiências que fazemos, no máximo conseguimos traduzir uma em palavras, e mesmo assim de forma fortuita e sem o merecimento cuidado. Entre todas as experiências mudas, permanecem ocultas aquelas que, imperceptivelmente, dão às nossas vidas a sua forma, o seu colorido e a sua melodia. Quando depois, tal qual arqueólogos da alma, nós nos voltamos para esses tesouros, descobrimos quão desconcertantes eles são. O objeto da observação se recusa a ficar imóvel, as palavras deslizam para fora da vivência e o que resta no papel no final não passa de um monte de contradições.''
'' Haveria um mistério sob a superfície da atividade humana? Ou seriam as pessoas exatamente como se revelam através de suas ações explícitas?''
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