Sabe, tempo, prometi a você, mas principalmente, prometi a mim, que estaria disposta a não deixar ninguém entrar no meu coração, lembra? Que eu aceitaria, e me disporia a conviver com as pessoas, gostar delas e fazê-las companhia, mas nunca (jamais), deixaria elas entrarem no meu coração. Justamente para impedir os sorrisos murchos e falsos depois do adeus de alguém, as lágrimas chatas toda vez que olhava pro lado e não sentia a presença de alguém.
Porém, como sempre, eu não consegui cumprir minha promessa - ou parte dela. Um pedaço de mim sempre quer mais, sempre quer acreditar em alguém, confiar em alguém, amar alguém, esquecendo de tudo que já foi e não volta mais. Permissão fútil essa. Uma vez que o futuro se torna vísivel a partir do momento que você se dispõe a falar para alguém ''te amo'' (e acredita nisso).
Parte do meu muro já caiu, já foi detonado pela parte de mim que quer a inocência. Parte dele já se foi com o muro de Berlim. Dando liberdade ao que quer que for. Junto com a liberdade de ir e vir das pessoas.
Não posso reconstruí-lo. Mas sei que ele não pode ser destruído totalmente. Nem que só reste um pequeno pedaço de concreto. O ''medo'' sempre estará ali. Uma pequena parte, talvez, mas sempre estará. Porque é a marca das pessoas que já foram.
Mas para a parte que já não existe, deixo-me livre para dizer: Não se vá, não. Não pare de me amar, não. Nunca. É bom sentir que, no fundo, por enquanto, ainda tem quem me queira do ladinho, que queira ouvir a minha voz (por mais irritante que ela possa parecer), que me queira, completa e inteiramente, do jeito que eu sou. Que me quer sem o muro e que se sente capaz de destruí-lo, aos poucos, comigo.
