quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Muro de Berlim, Berlim que já se foi

Entre idas e vindas. Despedidas e sorrisos. Eu acabei criando um muro. Ele se chama medo.
Sabe, tempo, prometi a você, mas principalmente, prometi a mim, que  estaria disposta a não deixar ninguém entrar no meu coração, lembra? Que eu aceitaria, e me disporia a conviver com as pessoas, gostar delas e fazê-las companhia, mas nunca (jamais), deixaria elas entrarem no meu coração. Justamente para impedir os sorrisos murchos e falsos depois do adeus de alguém, as lágrimas chatas toda vez que olhava pro lado e não sentia a presença de alguém.
Porém, como sempre, eu não consegui cumprir minha promessa - ou parte dela. Um pedaço de mim sempre quer mais, sempre quer acreditar em alguém, confiar em alguém, amar alguém, esquecendo de tudo que já foi e não volta mais. Permissão fútil essa. Uma vez que o futuro se torna vísivel a partir do momento que você se dispõe a falar para alguém ''te amo'' (e acredita nisso).
Parte do meu muro já caiu, já foi detonado pela parte de mim que quer a inocência. Parte dele já se foi com o muro de Berlim. Dando liberdade ao que quer que for. Junto com a liberdade de ir e vir das pessoas.
Não posso reconstruí-lo. Mas sei que ele não pode ser destruído totalmente. Nem que só reste um pequeno pedaço de concreto. O ''medo'' sempre estará ali. Uma pequena parte, talvez, mas sempre estará. Porque é a marca das pessoas que já foram.
Mas para a parte que já não existe, deixo-me livre para dizer: Não se vá, não. Não pare de me amar, não. Nunca. É bom sentir que, no fundo, por enquanto, ainda tem quem me queira do ladinho, que queira ouvir a minha voz (por mais irritante que ela possa parecer), que me queira, completa e inteiramente, do jeito que eu sou. Que me quer sem o muro e que se sente capaz de destruí-lo, aos poucos, comigo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nina, mel e rúculas

Seus olhos! Ah... Seus olhos. Avelãs envoltas em caramelo. Cintilavam junto com o sol, deslizavam em brilho nos dias de chuva. Sua pele aparentava ser tão macia que me fazia desejar, ao mesmo tempo, esfarelar as nuvens do céu para tocar-lhe. Seus cabelos negros e ondulados, desajeitados sobre seu rosto simétrico. Ah, Nina. Porque você tinha que ser tão boa? Mas ao mesmo tempo tão má? O que fizeram com você, docinho?
Lembra de quando você deitava no meu colo e me mandava cantar-lhe uma canção, eu me negava, sorria, até ficava com raiva da sua persistência, mas acabava cantando e você dormia como uma criança.  Lembra dos dias que você me segurava com suas unhas e me fazia dizer que te amava? Eu dizia. Não porque você mandava, mas porque eu realmente amava. Mesmo com todo aquele seu jeito mandão. Eu sinto sua falta. Eu sei, eu sei que você ainda está aqui, deitada nesse sofá, dormindo depois de eu ter cantado. Mas por quê? Porque, depois de tanto tempo, você voltou tentando ser a mesma? Eu vejo que não é. Vejo nos seus olhos. A dor, o fingimento, a mágoa. Me diga. Eu faria qualquer coisa, iria em qualquer lugar, para pegar seu coração de volta, seu sorriso de volta, você de volta. Eu faria qualquer coisa pra te consertar. Qualquer coisa pra te amar mais do que eu já amei qualquer dia da minha vida.
Nina... Acorde e me diga. Onde foi parar sua alma?

sábado, 17 de dezembro de 2011

Rastilhos

Essa casa cheira a escárnio.
Cheira à incômodos já esquecidos
Caos apagado
Memórias jogadas em teias de aranhas

Essa casa traz retratos
Lembranças presas em vidros sujos
Verdades nunca ditas
Presenças adormecidas pela poeira cerrada

Faz tempo que você não vem aqui?
Faz tempo que você me esqueceu?
Desde quando você transformou seu coração
Numa casa tão sórdida e fulminante como essa, querido?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Opositores do amor

A única coisa que eu quero é que - quando eu estiver decidida a desistir, farta de você, farta de sua voz, de suas atitudes, sem paciência, no meu limite, querendo seguir minha vida, encontrar alguém que me dê valor, que me abrace, que não grite comigo, que não me irrite, alguém que me queira com todas as forças, com todo o coração, com todo o amor do mundo - você segure minha mão, me puxe com uma força impulsionada pelo medo, me abrace (mesmo quando estou tentando me desvencilhar), afague meu cabelo, beije minha cabeça e diga suavemente ao meus ouvidos: Não vai não, eu não consigo sem você. Eu te quero com todas as forças, com todo meu coração, com todo amor do mundo. Não posso te perder.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Reflections of a Skyline

"E eu quero brincar de esconde-esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo seus sapatos, sentar na escada enquanto você toma banho, e massagear seu pescoço. E beijar seu rosto, segurar sua mão e sair pra andar. Não ligar quando você comer minha comida, e te encontrar numa lanchonete p'ra falar sobre o dia. Falar sobre o seu dia e rir da sua, sua paranóia. E te dar fitas que você não ouve, ver filmes ótimos, ver filmes horríveis. E te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior e não rir das suas piadas. Te querer pela manhã, mas deixar você dormir mais um pouco. Te dizer o quanto adoro seus olhos, seus lábios, seu pescoço, seus peitos, sua bunda. Sentar na escada, fumando, até seus vizinhos chegarem em casa, sentar na escada, fumando, até você chegar em casa. Me preocupar quando você está atrasado, e me surpreender quando você chega cedo. E te dar girassóis e ir à sua festa e dançar. Me arrepender quando estou errado e feliz quando você me perdoa. Olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde sempre. Ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha pele, e ficar assustada quando você se irrita. Eu digo que você está linda, e te abraçar quando você estiver aflita, e te apoiar quando você estiver magoada, te querer quando te cheiro, e te irritar quando te toco e choramingar quando estou ao seu lado. E choramingar quando não estou. Debruçar-me no seu peito, te sufocar de noite e sentir frio quando você puxa o cobertor e sentir calor quando você não puxa. Me derreter quando você sorri, me desarmar quando você ri. Mas não entender como você pode achar que estou rejeitando você quando eu não estou te rejeitando, e pensar como você pôde pensar que eu te rejeitaria. E me perguntar quem você é, mas te aceitar do mesmo jeito. E te contar sobre o "tree angel", "o menino da floresta encantada" que voou todo o oceano porque ele te amava. Comprar presentes que você não quer e devolvê-los denovo. E te pedir em casamento, e você dizer "não" denovo mas continuar pedindo, porque embora você ache que não era de verdade mas sempre foi sério, desde a primeira vez que pedi. Ando pela cidade pensando. É vazio sem você mas eu quero o que você quiser e penso. Estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim e tentar dar o melhor de mim porque você não merece nada menos que isso. Responder suas perguntas quando prefiro não responder, e dizer a verdade mesmo que eu não queira, e tentar ser honesto porque sei que você prefere. E achar que tudo acabou, espera só mais dez minutos antes de me tirar da sua vida. Esquecer quem eu sou e me deixar tentar chegar mais perto de você. E de alguma forma, de alguma forma, de alguma forma compartilhar um pouco do irresistível, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, atual, infinito amor que eu tenho por você."


Dirigido por Michael Tamman & Richard Jakes.
Os atores são Christopher Dunlop e Fiona Pearce.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Estarei lá

Acalme-se. Amanhã, quando o dia raiar, eu ainda vou estar aqui. Quando seus pés escaparem do cobertor, quando o ar da manhã bater em seu rosto, quando o pássaro vier na sua janela. Eu ainda vou estar aqui quando você sorrir, quando você se estressar, quando seus olhos cansarem. Eu ainda vou estar do seu lado quando sua impaciência te atormentar, quando a ansiedade vier te encher os ouvidos. Estarei lá quando seus órgãos suplicarem por mim. Estarei lá quando a noite finalmente cair. Estarei lá mesmo quando não estiver. Estarei lá, só de longe, te observando dormir, sonhar e relembrar do meu rosto. Estarei lá, no seu coração, quando nada mais restar.