segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nina, mel e rúculas

Seus olhos! Ah... Seus olhos. Avelãs envoltas em caramelo. Cintilavam junto com o sol, deslizavam em brilho nos dias de chuva. Sua pele aparentava ser tão macia que me fazia desejar, ao mesmo tempo, esfarelar as nuvens do céu para tocar-lhe. Seus cabelos negros e ondulados, desajeitados sobre seu rosto simétrico. Ah, Nina. Porque você tinha que ser tão boa? Mas ao mesmo tempo tão má? O que fizeram com você, docinho?
Lembra de quando você deitava no meu colo e me mandava cantar-lhe uma canção, eu me negava, sorria, até ficava com raiva da sua persistência, mas acabava cantando e você dormia como uma criança.  Lembra dos dias que você me segurava com suas unhas e me fazia dizer que te amava? Eu dizia. Não porque você mandava, mas porque eu realmente amava. Mesmo com todo aquele seu jeito mandão. Eu sinto sua falta. Eu sei, eu sei que você ainda está aqui, deitada nesse sofá, dormindo depois de eu ter cantado. Mas por quê? Porque, depois de tanto tempo, você voltou tentando ser a mesma? Eu vejo que não é. Vejo nos seus olhos. A dor, o fingimento, a mágoa. Me diga. Eu faria qualquer coisa, iria em qualquer lugar, para pegar seu coração de volta, seu sorriso de volta, você de volta. Eu faria qualquer coisa pra te consertar. Qualquer coisa pra te amar mais do que eu já amei qualquer dia da minha vida.
Nina... Acorde e me diga. Onde foi parar sua alma?

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