Cresceu, nunca tivera muitos amigos, os que tinha, duravam meses, vivia em seu quarto, com a cara nos livros, com um rosto apático a tudo. Seus pais diziam que era uma fase, que a adolescência passaria logo, porém ela se formou, comprou um apartamento e vivia do mesmo jeito, aparentemente, vazio.
Arranjara lá, umas duas vezes, um namorado (os quais sempre tinham dons musicais), e lá se iam mais 3,4,5 meses e a sombra deles desapareciam. Pensara bem o leitor de que a menina da qual se trata era doente ou reclusa demais, mas o digo que não era. Tinha cabelos pretos e longos, olhos cinzas que cintilavam sempre, uma cintura fina e um metro e oitenta dois. Chamava atenção por onde ia (não se sabe se por ter uma aparência atraente ou por ter uma cara de dar pena), e olhe você, que ia em vários lugares, principalmente praças ao ar livre onde podia deitar-se com um livro às mãos.
Com tamanha curiosidade, este, que vos fala, entrou em presença da moça incrivelmente-apática para seus pensamentos ler. Mas não o conseguiu.
E não o conseguindo, encontrou respostas para todas as perguntas.
A moça não tinha alma.