Não sou pessimista, rapaz. Só prevenido, só realista, só esperando-pelo-que-provavelmente-vai-acontecer. É mais válido nenhum passarinho na mão - porque você largou e os deu liberdade - do que ter e os deixar fugir, entende? Melhor acordar de manhã, num dia frio, e não esperar que tenha alguém ali e em um momento ter, assim, do nada, como uma rajada de vento num dia quente. Imprevisível, inesperado. Melhor um presente dado numa quarta-feira chuvosa e não-importante, do que um presente de natal, sabe?
Sou só um pirata, sei ver as coisas boas - e simples -, assim como sei dizer que um dia não é bom. Tapa-olho, tapa-realista.
domingo, 21 de abril de 2013
Jéssica e seus desenhos
Um risco aqui, outro lá
Um pouco de vida ali, um pouco de alma acolá.
Luz e sombra
Soul e blues.
Um pouco de vida ali, um pouco de alma acolá.
Luz e sombra
Soul e blues.
Oh, tão artístico quanto Vinci
Oh, tão revolucionário quanto os iluministas
Oh, baby lemonade!
Tuas belezas vem de onde?
Oh, tão revolucionário quanto os iluministas
Oh, baby lemonade!
Tuas belezas vem de onde?
1898? 1877? 1593?
Mil quinhentos e desenha pra mim?
Mil quinhentos e desenha pra mim?
Homenagem à minha amiga, Jéssica Roriz, que faz desenhos incríveis, abaixo o link do trabalho dela.
Página no Facebook, curta você também. https://www.facebook.com/pages/Oh-Baby-Lemonade/153724414777821?fref=ts
domingo, 14 de abril de 2013
5 minutos de agonia
- Companhia de assistência técnica da SINTEL. Como posso ajudar?
- Olá.
- Como posso ajudar, senhor?
- Meu aparelho de TV não liga mais.
: - O senhor já tentou desligar e ligar novamente, senhor?
- Só 34 vezes.
- Certo, preciso que siga o seguinte protocolo...
- Ah, não! Mais um?
- Desculpe-me?
- A vida, cheia de protocolos, cheia de regularidades, de contratos, de como você deve se vestir,andar, comer, o que deve ouvir, em que deve votar, de quem deve gostar. É preciso procotolo com uma máquina também?
- Senhor, tire seu aparelho da tomada por 5 minutos, e depois religue.
- Bom seria se a vida funcionasse desse jeito, quando você estivesse de saco cheio, apertaria um botão e quando quisesse, ligaria e todos os problemas sumiriam.
- Preciso que o senhor colabore para que nosso sistema consiga ajudá-lo.
- Tudo bem. A senhora é da Bahia?
- (...)
- O sotaque te entrega.
- O aparelho já está com as luzes ligadas?
- Não. Tudo apagado. Já disse, minha vida não funciona assim. As coisas são difíceis É preciso lutar, persistir, tomar um café, pegar um bom livro e ter paciência. Não adianta. Vou pegar um café pra você. Preto ou com leite?
- Senhor, pegue o controle e tente ligar por ele.
- Tudo bem. Com açúcar ou sem? Espero que seja a primeira opção. A vida é amarga demais pra se recusar açúcar no café.
- Se você continuar assim, não conseguirei fazer meu trabalho!
- A senhora está de má vontade com um cliente?
- Preto, sem açúcar.
- Ih...
- Tentou ligar com o controle?
- Nada. Tudo apagado, sem ânimo, sem cores, sem gosto, como seu café.
- Creio que seu aparelho precisa ser trocado, pois está...
- VIU! Agora você entendeu. Não tem mais jeito, é preciso nascer de novo, trocar de corpo, de alma.
- Moço...
- Eu falei, mas não dá de fazer isso, agora é preciso aguentar por mais 30 anos, contando com o histórico cardíaco da minha família.
- OLHA, EU SEI QUE A VIDA É UMA MERDA, TÁ LEGAL? EU SEI. EU TRABALHO NUM EMPREGO DE MERDA E AINDA TENHO QUE AGUENTAR PESSOAS COMO VOCÊ ME LIGANDO, COMO SE EU TIVESSE QUE TE AJUDAR A TER UMA VIDA MELHOR, QUANDO É A MINHA QUE PARECE UM APARELHO COM PROBLEMA CONSTANTE.
- Olha o que o café preto pode fazer com uma pessoa. Eu avisei. Moça, vou deixar um e-mail para a empresa dizendo que fui bem atendido e que meu problema foi resolvido. Então, a senhora pode vir pra São Paulo e colocar um pouco de açucar nesse cafe e nessa vida, tudo bem? Moça? Alô? Alô?
sábado, 13 de abril de 2013
A refletora de almas
Era um dia chuvoso e havia esquecido o guarda chuva. Seus cabelos dourados pingavam sem parar, exatamente como sua alma. Tirou uns trocados perdidos no bolso e jogou no chapéu do moço de cabelos compridos, que com uma viola despedaçada, tocava bossa nova. Andava desviando das poças, o olhar absorto no chão sujo, até chegar no ponto que sempre parava. Colocava a mão no vidro e olhava os novos livros lançados, desejando-os, forçando os olhos para ler os comentários na capa de trás, forçou tanto que viu seu reflexo no vidro, nunca havia reparado, pensou. Olhou seu rosto molhado, seus olhos fundos, sua pele pálida, tocando o próprio rosto. Como pude eu, tão analisadora de almas alheias, pensamentos alheios, histórias de personagens ficticios, moradora de outro planeta, deixar o que eu tinha de mais importante ficar sem cor? Branco, leitoso, viscoso, repugnante. Minha alma era vermelha, exaltou-se, cor de fogo, cor de raiva, de amor, como pude, como pude? Pensou, em gritos, em súplicas, em choros sem lágrimas. Aterrorizando-se pelo resto da vida, cada vez que chovia e via seu reflexo nas poças.
sábado, 6 de abril de 2013
Com sobrenome vida
Cecìlia sorria. O sorriso era Cecília. Era uma alma livre, como um pássaro que acaba de fugir de uma gaiola e tem um céu azul só pra ele. Cecília não mentia, porque era a verdade em pessoa. Morava num planeta só dela, embora vivesse na Terra. Via o lado bom em tudo, mesmo que não houvesse. Era simples e misteriosa ao mesmo tempo. Tinha brilho nos olhos, ou melhor, tinha olhos nos brilhos. Se feria rápido, porque a alma livre pode bater em alguns vidros ''vezenquando''.
Morreu Cecília. A morte ganhou vida, porque Cecília conseguia brilhar mesmo na escuridão. E uma alma livre não pode ser presa nem por uma gaiola, nem pela falta de vida.
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