Há mais do que simples teoria aqui. É um dilema, talvez. Ocasionado dentro de minha própria alma. Aprisionado. Um lado obscuro. Como o das outras pessoas, que, às vezes, nem sabem que tem. Ele grita, tenta aparecer, tenta se mostrar, dilacera minhas veias pedindo uma oportunidade de sentir o mundo através do meu corpo. O meu lado obscuro. Cheio de uma tal intensidade.
Egoísta, egocêntrico, oportunista, mentiroso, manipulador. Nunca perde uma oportunidade de vir à tona e me deixar de lado. Ocupar minha mente, minhas ações, minhas palavras. E depois de tudo feito, só vai embora, me deixando com o peso das consequências. Ele é assim, covarde também. Mas a graça acabou, e por mais que eu tente nunca deixá-lo aparecer, é na noite que eu escuto sua voz, sussurrando por entre meus cabelos, invadindo minha mente com sua voz tentadora, alisando minha face inocente. Ele sabe. Sabe de tudo. Dos meus pontos fracos. E usa isso contra mim. De um modo cruel e, inevitavelmente, tentador. Preciso admitir, ele sabe como me deixar vulnerável, nauseada, e desprecavida. Pronto para que ele possa usar.
Só que acabou-se as forças. Acordar suando da incansável luta contra ele. Não é fácil. Não é o meu desejo. Só esperamos, eu e o meu eu, que ele vá embora logo e nos deixe em paz. Sem sua presença para nos manipular e nos transformar no que ele quiser. Só queremos segurança e liberdade. Apenas isso.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Irreal
Foi talvez como uma tempestade repentina, não olhei pros lados, você não deixou. Seu olhar brilhava como o fogo, você conquistou minha atenção, meus lábios sorriram involuntariamente. Meu corpo tomou movimentos, junto aos seus, a chuva já molhava parte da história, foi um sonho? é um sonho? Não, apenas chovia sem cessar. Eu estava molhada, precisava sentir o seu corpo, precisava exalar seu cheiro, sentir a segurança dos seus braços. Você me ama? Preciso ouvir que me ama. Você me quer? Preciso sentir isso. Será que possuirei seu nome em mim? Eu quero e desejo isso. Tome parte de mim, tome parte do meu coração, eu prometo amar-lhe com tudo o que eu posso no tempo que eu puder, farei o meu melhor para ser o seu melhor.
O meu maior desejo é que continue chovendo.
Chuva
- Nada mais deprimente que a chuva. O ar gela, os pássaros se escondem, o céu fica incolor e até as árvores perdem o verde. Me pergunto se estou assim por ela, me pergunto se posso colocar a culpa dela no estado que meu espírito se encontra. Mas aqui estou eu, com um semblante intacto, olhando as gotas descerem rapidamente, molhando tudo o que vêem pela frente, o mar subindo, e as plantas, mesmo sem vida, agradecendo pela água. Será mesmo que não há nada que eu possa fazer? - Pensou a garota, forçando suas sombrancelhas. Colocou a mão para fora da janela, sentindo a água percorrer por sua pele. - Eu sei, já estou acostumada com isso. Sabe... Com a chuva, com essa nostalgia. Estou cansada de, ao menos, não conseguir me expressar. Mas de uma coisa, talvez eu tenha certeza, estou bem. Não tão bem quanto acho que deveria estar. Mas bem. Ainda há um espaço aqui dentro. Mas isso não faz com que eu me sinta mal. Só me deixa... Vazia. Sem mais, nem menos. Só assim. - Pensou ela com mais enfâse, fechando a janela.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Não
Sinta o gosto amargo da saudade. A agonia da lembrança. O pavor do medo. Sinta o peso do segurar de uma lágrima. A força que tento ter. Sinta o orgulho de não correr atrás. A fantasia de um sonho. Sinta a carência de um abraço. A lembrança de um beijo. Sinta tudo o que sinto por você, e pare de dizer que sente o mesmo. Sei que faço coisas erradas, sinto coisas erradas e penso coisas erradas. Mas não faço porque quero, faço porque não consigo lutar. Não vá embora. Não me deixe! Por mais que isso pareça irônico e hipócrita.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Escolhas
Ela estava andando em uma estrada. E havia dois caminhos bifurcados. Ela tinha que escolher um. E sabia da consequência de cada um deles.
Adentrou no primeiro deles, o direito, e como num passe de mágica, se viu em um lugar bonito, o sol brilhava fortemente, foi andando devagar para tentar entender onde estava. Mas não conhecia. Virou seu corpo para trás, e viu uma multidão de pessoas, em círculo, vestidas de preto. Estava com medo do que aquilo poderia ser, mas continuou até estar perto demais para identificar as pessoas. Sua mãe estava cabisbaixa, triste, com um semblante decepcionado, as lágrimas corriam por seu rosto. Ela nunca havia visto sua mãe daquela forma, foi ao seu lado, e tocou em seu ombro, mas ela não a viu, nem sequer sentiu sua presença. Olhou seu pai, ele estava desolado, talvez tão triste quanto sua mãe. Ela, enfim, se desvencilhou do olhar fixo em seus pais, e olhou as pessoas a sua volta. Todos, sem exceção, ela conhecia, seus amigos, familiares. Ficou confusa, atordoada. Por que estavam todos tristes? Foi ao lado de sua vó, e de repente, viu um cachorro andar alegremente sobre a grama verde do chão, era fascinada por cachorros. Quando esticou a mão para apalpar a cabeça do animalzinho viu algo que chamou mais sua atenção do que qualquer outra coisa. Seu rosto branco, sua boca roxa, dentro de um caixão. Deixou seu corpo pender para trás. Ela havia morrido? Quando? Por quê? Aproximou-se dele. Tentou tocar a própria face, mas estava coberta por um vidro. Olhou seu corpo e se prendeu a seus pulsos, cortados, sem sangue, mas totalmente marcados. Levantou-se confusa, entendia agora, o porque de todos estarem daquele jeito. Mas ela, aonde estava? Por que foi parar ali? Então lembrou-se dos dois caminhos e foi correndo para aonde havia adentrado.
Olhou. Respirou. O que sobrara ao outro caminho? O que poderia ter dentro dele?
Colocou seus dois pés dentro do outro, dessa vez, o esquerdo e de novo se viu em outro lugar. A areia era branca, fazia cócegas em seus pés, estava sozinha. Olhou ao seu redor, e não havia ninguém de preto, ou em qualquer ritual de morte. Respirou aliviada. Ergueu a cabeça, e viu o mar azul, calmo, resplandecente. Saiu correndo, molhou seus pés, sentiu o vento em seus cabelos. Ela estava bem. Sem qualquer culpa. Podia sentir o gosto do vento em seus lábios, em sua pele, ele estava enaltecido sobre seu corpo.
Ficou tão distraída com o mar que nem percebeu a presença em seu lado, até que o perfume lhe invadisse por completo, e a sua voz ecoasse em sua cabeça fazendo seu corpo estremecer.
- Desculpa a demora, meu amor.
Olhou para cima, e viu tudo o que estava esperando durante meses. O olhou confusa, tocou sua pele, precisava ver se era real. Se ele estava mesmo ali.
- Lucy, o que houve?
Ela segurou sua mão, e o que antes não havia notado, acabou percebendo, levantou a palma branca de sua mão e viu uma prata resplandecente. Sorriu e o olhou de novo.
- Acho que você pegou muito sol, mocinha. - E deu um riso.
Ela poderia escolher o caminho, já. No momento em que ele deu o sorriso, ela já sabia qual caminho tomaria. E poderia aprender com isso.
Na vida, você escolhe os caminhos que quer. Nem sempre, eles são os certos a serem seguidos. Mas o caminho certo sempre será aquele que irá te fazer feliz.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Esperança
Existe algo que cresce em você, a príncipio uma vontade de tornar algo real, ao longo do tempo uma necessidade de realizá-la e no final: A esperança. Sei que não é fácil pra você lidar com ela. Quando você deseja isso mais do que tudo é difícil torná-la permanente... Inúmeras tentativas de eliminá-la da sua vida, eu sei, mas ela é mais forte, há um motivo nela que a torna mais forte do que a sua desistência. Você já tentou colocar outra coisa no lugar desse sentimento, mas foi em vão, você já tentou ocupar-se com outra coisa, mas também foi em vão. Esse sentimento te enriquece, por mais que doa e que demore, ele te enriquece. Só não te traz persistência como também traz, força de vontade, carinho, paciência, longaminidade e um amor que aumenta a cada dia. Eu sei que dói, sim... Eu sei até demais, mas depois ele ameniza você se acostuma e... Aprende a viver assim. Não estou dizendo que é ruim, não é! Mas no final você entende que tudo isso te ajudou um dia, você vai agradecer as pessoas por te aguentarem reclamar, você vai agradecer o amor por não ter acabado e a esperança por não ter morrido. Um dia você vai entender que todos os acontecimentos tiveram seus motivos, e todos os motivos tiveram um ensinamento, você vai aprender com isso, confie em mim.
Passado
Eram só você, eu e o sentimento que nos enlaçava. Confesso que nunca fui tão feliz, apenas olhar para seus olhos, para o contorno da sua boca, que vinha a vontade de te ter. Só pra mim. Uma vontade que apenas um abraço não preenchia. Era só ouvir o som de sua risada, que meu coração pulsava mais forte e o sangue bombeava com maior velocidade. Ainda consigo enxergar as expressões da sua face, as covinhas, as caretas. Ainda consigo ouvir o som da sua doce voz, ela penetrava em meu ouvido, e fazia tudo se acalmar dentro do meu corpo. Ainda posso sentir o toque de sua mão em meu ombro, as cócegas que seus dedos faziam toda vez que chegavam perto do meu pescoço. Ainda lembro de como eu me sentia perto de você, totalmente desequilibrada, sem fôlego, apaixonada.
Admito mais ainda, que é horrível acordar em minha cama, olhar ao meu lado e ver um espaço vazio. Passar a mão por cima do travesseiro e ainda sentir o seu cheiro. Admito que toda vez que abro os olhos preferia estar morta. Preferiria nunca mais ter que sentir sua falta, porque é mais que dor, é morte.
Admito mais ainda, que é horrível acordar em minha cama, olhar ao meu lado e ver um espaço vazio. Passar a mão por cima do travesseiro e ainda sentir o seu cheiro. Admito que toda vez que abro os olhos preferia estar morta. Preferiria nunca mais ter que sentir sua falta, porque é mais que dor, é morte.
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