Ela estava andando em uma estrada. E havia dois caminhos bifurcados. Ela tinha que escolher um. E sabia da consequência de cada um deles.
Adentrou no primeiro deles, o direito, e como num passe de mágica, se viu em um lugar bonito, o sol brilhava fortemente, foi andando devagar para tentar entender onde estava. Mas não conhecia. Virou seu corpo para trás, e viu uma multidão de pessoas, em círculo, vestidas de preto. Estava com medo do que aquilo poderia ser, mas continuou até estar perto demais para identificar as pessoas. Sua mãe estava cabisbaixa, triste, com um semblante decepcionado, as lágrimas corriam por seu rosto. Ela nunca havia visto sua mãe daquela forma, foi ao seu lado, e tocou em seu ombro, mas ela não a viu, nem sequer sentiu sua presença. Olhou seu pai, ele estava desolado, talvez tão triste quanto sua mãe. Ela, enfim, se desvencilhou do olhar fixo em seus pais, e olhou as pessoas a sua volta. Todos, sem exceção, ela conhecia, seus amigos, familiares. Ficou confusa, atordoada. Por que estavam todos tristes? Foi ao lado de sua vó, e de repente, viu um cachorro andar alegremente sobre a grama verde do chão, era fascinada por cachorros. Quando esticou a mão para apalpar a cabeça do animalzinho viu algo que chamou mais sua atenção do que qualquer outra coisa. Seu rosto branco, sua boca roxa, dentro de um caixão. Deixou seu corpo pender para trás. Ela havia morrido? Quando? Por quê? Aproximou-se dele. Tentou tocar a própria face, mas estava coberta por um vidro. Olhou seu corpo e se prendeu a seus pulsos, cortados, sem sangue, mas totalmente marcados. Levantou-se confusa, entendia agora, o porque de todos estarem daquele jeito. Mas ela, aonde estava? Por que foi parar ali? Então lembrou-se dos dois caminhos e foi correndo para aonde havia adentrado.
Olhou. Respirou. O que sobrara ao outro caminho? O que poderia ter dentro dele?
Colocou seus dois pés dentro do outro, dessa vez, o esquerdo e de novo se viu em outro lugar. A areia era branca, fazia cócegas em seus pés, estava sozinha. Olhou ao seu redor, e não havia ninguém de preto, ou em qualquer ritual de morte. Respirou aliviada. Ergueu a cabeça, e viu o mar azul, calmo, resplandecente. Saiu correndo, molhou seus pés, sentiu o vento em seus cabelos. Ela estava bem. Sem qualquer culpa. Podia sentir o gosto do vento em seus lábios, em sua pele, ele estava enaltecido sobre seu corpo.
Ficou tão distraída com o mar que nem percebeu a presença em seu lado, até que o perfume lhe invadisse por completo, e a sua voz ecoasse em sua cabeça fazendo seu corpo estremecer.
- Desculpa a demora, meu amor.
Olhou para cima, e viu tudo o que estava esperando durante meses. O olhou confusa, tocou sua pele, precisava ver se era real. Se ele estava mesmo ali.
- Lucy, o que houve?
Ela segurou sua mão, e o que antes não havia notado, acabou percebendo, levantou a palma branca de sua mão e viu uma prata resplandecente. Sorriu e o olhou de novo.
- Acho que você pegou muito sol, mocinha. - E deu um riso.
Ela poderia escolher o caminho, já. No momento em que ele deu o sorriso, ela já sabia qual caminho tomaria. E poderia aprender com isso.
Na vida, você escolhe os caminhos que quer. Nem sempre, eles são os certos a serem seguidos. Mas o caminho certo sempre será aquele que irá te fazer feliz.
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