terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Chuva

Seus olhos estavam fixos em uma gota de chuva que corria rapidamente pelo vidro. Sua pele se arrepiou com o vento gelado que entrava pelas frestas da janela. Colocou uma mão no vidro e permaneceu olhando até que a marca desaparecesse. Suspirou.
- Nada mais deprimente que a chuva. O ar gela, os pássaros se escondem, o céu fica incolor e até as árvores perdem o verde. Me pergunto se estou assim por ela, me pergunto se posso colocar a culpa dela no estado que meu espírito se encontra. Mas aqui estou eu, com um semblante intacto, olhando as gotas descerem rapidamente, molhando tudo o que vêem pela frente, o mar subindo, e as plantas, mesmo sem vida, agradecendo pela água. Será mesmo que não há nada que eu possa fazer? - Pensou a garota, forçando suas sombrancelhas. Colocou a mão para fora da janela, sentindo a água percorrer por sua pele. - Eu sei, já estou acostumada com isso. Sabe... Com a chuva, com essa nostalgia. Estou cansada de, ao menos, não conseguir me expressar. Mas de uma coisa, talvez eu tenha certeza, estou bem. Não tão bem quanto acho que deveria estar. Mas bem. Ainda há um espaço aqui dentro. Mas isso não faz com que eu me sinta mal. Só me deixa... Vazia. Sem mais, nem menos. Só assim. - Pensou ela com mais enfâse, fechando a janela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário