terça-feira, 30 de novembro de 2010

Rotineiro

- Você está bem? - Pergunta a garota, com um semblante preocupado.
(Bem? Não. Não tenho estado bem nos últimos dias, queria poder dizer que sim. Mas não estou. Queria poder abrir meu corpo, queria que as idéias fluíssem por outros corações que me entendessem. Queria que essa corda, chamada agonia, soltasse as estranhas do meu corpo. Queria que existisse espaço suficiente em mim para que as células da alegria contagiassem cada parte do meu sangue, queria te falar que tudo está em perfeita paz, e que nada nesse momento me encomoda. Mas não dá, porque não seria verdade. Posso dizer-lhe que nem ''mal'' é a palavra que procuro. Estou arrasado, detonado, sem vida. Queria ajuda. Queria sentir mais um minuto do que significa ''estar bem'').
- Estou. - Respondeu ele com um meio sorriso na face.

domingo, 21 de novembro de 2010

I miss u

Os raios do sol tilitavam sobre o vidro da janela, fazendo minha pele esquentar. Abri os olhos e tudo estava claro, os pássaros assobiavam suas canções de bom dia, o vento soprava suavemente pelas folhas das árvores. Tudo parecia estar no seu perfeito lugar. Estiquei as pernas e fiz um movimento com os braços até que meus ossos estralassem.
- Bom dia sol! Bom dia, céu! Bom dia, dia! - Disse eu sorrindo enquanto abria a janela. Respirei profundamente. Não havia nada como o ar puro. Coloquei minhas pernas para fora da cama e olhei a minha frente. Abri outro sorriso, mais sincero desta vez. Cheguei perto do retrato, passando o dedo pela face sorridente do garoto.
- Sinto sua falta, sabia?! Eu realmente sinto. - Indaguei pegando a foto e beijando-a. Fechei os olhos e de repente, num impasse de segundos, minha mente começou a entrar na profundidade daquelas imagens. Eu não queria. Mas eu já estava vendo tudo de novo.
Ele era um menino tão bom. E eu o amava tanto que nem poderia expressar o quanto. Ele era a pessoa que eu mais confiava. Todos os dias da minha vida, após ele ter aparecido, eram maravilhosos. Ele me fazia tão bem, me fazia rir dos mínimos detalhes... Suas risadas me deixavam atortuada, eu me sentia tão feliz que aquilo nem parecia ser real.
- Eu só queria que você estivesse do meu lado, novamente. - Meus olhos encheram-se de lágrimas. - Eu só queria que você entendesse que nada no mundo compraria o meu sentimento. - Um raio do sol alcançou meu ombro naquela hora. Olhei em sua direção. - Eu o amo peixinho. - E eu sorri, como se em resposta, ele houvesse sorrido também. 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Querido Dean

Ele estava sentando em uma cadeira de madeira, balançando para frente e para trás. A chuva forte caía lá fora, fazendo-o relaxar. Respirou profundamente, num olhar triste e longíquo, pegou um papel amassado perto de seus pés. O desamassou com carinho, tentando fazer com que as marcas na folha desaparecessem. Fechou os olhos novamente. Não quero ter que lê-la de novo, pensou ele. Tarde demais, seus olhos já percorriam as infinitas sensações que aquilo lhe causava.

Querido Dean, sinto sua falta. Como jamais sentira antes. Sei que não deveria ter escrito isso, mas espero que entenda, é difícil para mim também.
Queria que as coisas tivessem acontecido de outra forma. Mas se foi assim, é porque deveria ter sido assim.
Missy está tão grande! Seus olhos azuis são idênticos aos seus, e a forma que ela sorri sem graça sempre me lembra ao nosso primeiro encontro. Ela sempre pergunta de você antes de dormir, e me corta o coração ter de mentir sobre seu pai.
Toda vez que saio pela rua esbranquiçada pela neve lembro de você, da forma que você era destrambelhado o suficiente para cair de cara na neve toda vez que dava um passo, toda vez que escuto nossa música sinto que você ainda não morreu. Ainda está dentro de mim.
Eu só queria um momento ao seu lado! Um único momento que me fizesse sorrir novamente. Sentir saudades nem é mais o sentimento que procuro. Eu só preciso de você novamente. Para me aquecer.

Me desculpa por tudo. Só não aguentaria vê-lo sofrer por minha causa. Um dia você entenderá, foi melhor assim. Sentirei sua falta, até que meus últimos suspiros não existam mais.

Com amor, Kassie.

Enxugou as lágrimas persistentes que molhavam a folha e em seguida amassou-a com toda força que podia, abriu a janela e a jogou na chuva. Fazendo as palavras diluírem por entre as valas sujas e gélidas de um lugar qualquer. Como seu coração.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Who am I?

Uma realidade? Levo as coisas muito a sério.
Sou o tipo de pessoa que acredita em tudo o que falam e mostram.
Sou alguém ingênua quando se trata de mentiras.
Gosto de mar, vento, chuva.
Odeio tumulto, calor, ignorância.
Ás vezes acho que sou o contrário do mundo.
E talvez seja mesmo. Mas não me importo.
Sou um espírito alegre num dia, e triste no outro.
Sou como vento. Ás vezes forte, ás vezes fraco.
Sou como mar. Ás vezes agressivo, ás vezes calmo.
Sou como uma eterna amante, me apaixono por tudo.
Sou masoquista, sofro dores supérfluas.
Sou confusa. Não sei se o que escrevo é verdade.
Sou tão confusa que nem sei porque escrevo.
Se me perguntarem quem sou? Não saberei responder.
O que falo que sou não é o que sou.
E o que penso nunca é o falado.

Boa noite

Deitei em minha cama e relaxei, o pesar do dia estava obrigando meus olhos a fecharem, tudo parecia calmo e sossegado...
De repente, vi-me em frente a um lugar bonito, cheio de árvores e passáros. O céu estava tão azul que refletia em meus olhos, fazendo-os ofuscarem. Olhei em minha volta, não havia ninguém. Sorri. E sentei em um banco. O canto dos passários ecoava em meu ouvido. Eu queria ficar ali para sempre, sentindo o vento em meus cabelos e a natureza ao meu redor. Achei que não poderia ficar melhor, até ver o meu menino. Ele estava com a face resplandecente, e seus cabelos bagunçavam junto ao vento. Sorri novamente. Continuei quieta e na mesma posição, ele veio, tocou em meu rosto, me olhou de um jeito que nunca havia olhado antes. Estranhei e a sensação que eu havia evitado por anos, voltou com enorme força. Atingindo meu peito, minha cabeça, meu espírito, minha alma. E o pior de tudo, novamente, atingiu meu coração.
Olhei a sua linda face, mas ela estava indo embora, junto com o corpo que me aquecia nas noites frias, com o sorriso que me confortava e com meu coração em suas mãos.
Queria poder chorar, mas eu já sabia que não conseguiria, apenas fiquei lá parada, o olhando ir embora, sem ao menos ter força para levantar e trazê-lo de volta, sem força para gritar, implorar, e fazer com que ele permanecesse ao meu lado. Mas eu não consegui mover um músculo. Tudo estava travado. Doendo. Ardendo.


Levantei meu corpo com um impulso forte. Minha respiração estava ofegante. Toquei em meu corpo. Olhei a paisagem pela janela. Tudo continuava calmo e sossegado. Respirei de alívio. Deitei novamente e encarei o teto branco. Meu coração batia forte. E de alguma forma, eu estava desapontada.
Fazia algum tempo que eu não sonhava com aquilo e de repente, numa sequência de dias, aquilo atormentava minha cabeça.
'' É só um sonho.'' Pensei comigo mesma. E queria poder acreditar naquilo.
Fechei os olhos, e adormeci mais uma vez. Sem sonhos. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Deixe-me

Deixe-me lhe dizer o que sinto.
Deixe-me suspirar no espaço de um desabafo.
Deixe-me queixar o que não suporto dentro de mim.
Quando você não sorri, trava todas as minhas articulações.
Quando chora, me quebra em pedaços.
Quando está triste, me deixa a par de suas emoções.
Sou como uma fiel seguidora. Você sente, eu sinto junto.
Não estou reclamando, meu bem, só estou angustiada dentro do meu ser.
Ele chora, grita, precisa de um momento para sorrir, regozijar-se.
Está tão preso em minhas entranhas que sufoca-me.
Deixe-me dizer, estou melhor assim, do que sem você.
Prefiro estar assim, do que sofrer por não ter-lhe.
Mas deixe-me, sinceramente, lhe falar. Sou uma fugitiva.
Quando menos esperar, estou na rua. Sozinha. Vagando sem rumo.
Portanto, não deixe-me. Por favor, não.