sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Querido Dean

Ele estava sentando em uma cadeira de madeira, balançando para frente e para trás. A chuva forte caía lá fora, fazendo-o relaxar. Respirou profundamente, num olhar triste e longíquo, pegou um papel amassado perto de seus pés. O desamassou com carinho, tentando fazer com que as marcas na folha desaparecessem. Fechou os olhos novamente. Não quero ter que lê-la de novo, pensou ele. Tarde demais, seus olhos já percorriam as infinitas sensações que aquilo lhe causava.

Querido Dean, sinto sua falta. Como jamais sentira antes. Sei que não deveria ter escrito isso, mas espero que entenda, é difícil para mim também.
Queria que as coisas tivessem acontecido de outra forma. Mas se foi assim, é porque deveria ter sido assim.
Missy está tão grande! Seus olhos azuis são idênticos aos seus, e a forma que ela sorri sem graça sempre me lembra ao nosso primeiro encontro. Ela sempre pergunta de você antes de dormir, e me corta o coração ter de mentir sobre seu pai.
Toda vez que saio pela rua esbranquiçada pela neve lembro de você, da forma que você era destrambelhado o suficiente para cair de cara na neve toda vez que dava um passo, toda vez que escuto nossa música sinto que você ainda não morreu. Ainda está dentro de mim.
Eu só queria um momento ao seu lado! Um único momento que me fizesse sorrir novamente. Sentir saudades nem é mais o sentimento que procuro. Eu só preciso de você novamente. Para me aquecer.

Me desculpa por tudo. Só não aguentaria vê-lo sofrer por minha causa. Um dia você entenderá, foi melhor assim. Sentirei sua falta, até que meus últimos suspiros não existam mais.

Com amor, Kassie.

Enxugou as lágrimas persistentes que molhavam a folha e em seguida amassou-a com toda força que podia, abriu a janela e a jogou na chuva. Fazendo as palavras diluírem por entre as valas sujas e gélidas de um lugar qualquer. Como seu coração.

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