quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


Tenta.
O adeus é muito fácil
Bom mesmo é a aventura do permanecer
A loucura de deixar o amor
Fica.
Como um livro empoeirado
Que sempre traz um sorriso.




(Sofá)
Um café, um dia cinza, um bafo quente
Ping, ping, ping.
A neve derretia, o livro acabaria
A nostalgia apertaria.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


(Doía)
O vento assobia, a vida doída, o frio doído, o amor doado
Os versos acabados, as feridas entocadas, a poesia abandonada.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O assobiador


Carlos Miranda assobiava 31 horas por dia. Assobiava tão diversas canções que eu nunca soube de onde aprendeu. Eu sentava em meu sofá manco, naquela casa fedorenta, acendia o cigarro e respirava. Respirava tão fundo que sempre me afogava, contemplava a estrada com movimentação sobre humana como se eu nunca tivesse saído dali, amassava ervas, sujava o chão, abria enlatados, apreciava a Gia Carangi e por fim, chorava. Chorava naquele mesmo sofá, chorava sem motivo com as ervas prendidas à minha mão, enquanto Carlos Miranda continuava lá, cantando aquela porra de canção que não acabava nunca.

Chegava a hora em que as ervas acabariam, os enlatados também e a minha vontade de sair de casa já havia se esgotado. Me aproximei de Carlos, ele cantava como sempre, coloquei meu dedo em sua cabeça e acariciei as penas verdes, então ele parou de cantar. Me olhou nos olhos e caiu duro na tela cinza da gaiola. Eu fique parado, sei lá quantas horas. Aquele pássaro tinha me custado 20 cruzeiros! Eu o comprei achando que merecia companhia, até descobrir o canto aterrorizante.
Não entendi porquê, não entendi. Talvez o canto fosse pra me dar vida, ou pra me tirar. Ou ele talvez quisesse atenção. Quando toquei-lhe a cabeça, tirei-lhe a vida. Começando a suspeitar que estava tirando a minha própria. E realmente estava. Não demorou muito para que eu também caísse duro na tela branca da minha casa. Com as ervas na mão e as costelas pra fora.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Tão branca sobre o luar
Com sua alma a flutuar
Sobre o viril...
Esquece, sou tão ruim com rimas
Quanto o Simas.
(Viu?)