sábado, 2 de janeiro de 2021

Silêncio

 E ali, sob o sol escaldante, o barulho das crianças brincando, o mar batendo nas pedras, eu só te olhava. em silêncio. Você olhava para baixo, sem graça. Em silêncio. Mas eu queria recitar poesias, te falar das linhas preciosas do meu autor favorito que tanto me lembravam a ti, te dizer das músicas que me fazem querer fumar e chorar, te dizer que nada importa. E que tudo deveria importar.

Te dizer que o silêncio me incomoda só porque através dele eu não consigo te abraçar. Meus braços curtos demais pra te alcançar e minha boca invisível demais pra te beijar. Em silêncio.

Te dizer, enfim, que mesmo quando eu acho que esqueço, eu não esqueço. Em silêncio.

Os pássaros cantando. O sol fazendo uma gota de suor escorrer pelas costas. O cabelo dourado reluzindo com a luz amarela. 


Em silêncio são ditas muitas coisas.

2021

 E essa vontade, Pedro, de estar tão só um ainda me abrirá um buraco no peito. 

Quase nunca estou só, pois os corpos me rodeiam, mas mesmo assim, algo em mim clama pelo silêncio, pela boemia que existe, misteriosamente, nas músicas que ecoam nas paredes da minha casa. Sem bocas cuspindo palavras e movimentos bruscos que tiram a serenidade daqui.

Pedro, é assim? Ficar velho é assim? Você começa a querer se isolar e gosta desse isolamento, da solitude, da solidão. E quanto mais você tem, mais você quer. E se eu gostar muito de ficar assim? Não é perigoso?

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J.