sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Amor é para os fortes

Pra quem não tem medo do comodismo, do previsível, do irremediável, do hoje e do amanhã. Por isso acho que to longe disso tudo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Eu, eco

Em partes vou rastejando, ao todo vou me cansando. O fardo das pessoas, dos dias, das horas, só fazem o solo ficar mais e mais perto.
Realmente, ninguém sabe mexer na minha confusão.
Ninguém nunca soube.
Ninguém nunca saberá.

E não espero que saibam. Não quero.

Da minha alma eu que sei, branquinha.

sábado, 2 de agosto de 2014

Te tenho gravada em mim

Nina, andei lendo esses dias que filósofos eram iguais crianças. Se surpreendiam com as coisas mais desinteressantes da natureza e do mundo, como se as tivessem visto pela primeira vez. Tomei a liberdade de me achar um tanto criança (ou filosofa?). Você sabe, às vezes acabo me indagando coisas que qualquer pessoa acharia bobagem. Como, por exemplo, por que o nome da cortina é cortina? Cor-ti-na. Não soa estranho? Ou quando eu paro e sinto o vento gelado batendo nas minhas bochechas e só o que consigo fazer é sorrir e dizer o quanto a vida é boa.

E como deve ser triste a vida de quem vira adulto na alma, não é? Vão envelhecendo, até morrerem por dentro e não sobrar nada a não ser cinza, como um pulmão danificado pelo cigarro. Não conseguem mais ver as cores do mundo, porque tudo dentro deles está sem cor e frio. Bonito mesmo é ver o sol nascer e se pôr e imaginar quantas coisas aconteceram nesse intervalo de tempo, como a natureza tem seu ciclo e nada que aconteça pode o impedir de se completar.

É querer o tempo todo que meus olhos fossem lentes, pra poder registrar cada momento do meu dia: a sombra de duas pessoas num barco se beijando, o senhor de idade na sua caminhonete fumando um charuto, um cachorro deitado sob a luz do sol, o sorriso da pessoa que a gente ama.
Entende? É querer guardar cada sabor, imagem e cheiro numa caixinha dentro do quarto e abrir o tempo todo pra ver quanta coisa linda tem por aí e a gente não sabe aproveitar.

Nina, aproveita a vida todo dia, porque se você parar pra pensar, ela já acabou. Aproveita do jeito certo. Sabes que cuidaria de ti se pudesse, de perto, sempre. Mas é preciso tempo para algumas coisas se tornarem perfeitas. Tenha paciência e pensa em mim. Nas lentes dos meus olhos e nos GB do meu cerébro, você está. Como aquela foto em que a luz está caindo sobre seus olhos cor de mel. Não se preocupe. Te tenho gravada em mim.

Meados de Julho

Tê-la era a maior sorte que eu já tinha tido. E olha que eu realmente não tive muitas em minha vida.
Ela era um emaranhado de ''descomplicações''. Era diferente de tudo que eu achava que conhecia. 
Ela me completava em cada pequeno detalhe de quem eu era. 
Quando encontrei-a, era como a primavera chegando depois de todo o inverno rigoroso.
Foi como o desabrochar das flores e aquelas cores mágicas saltitando por entre meus olhos.
Ela, absolutamente, transformou o preto e branco em azul, verde, amarelo, rosa...
Tê-la, e saber que ela era minha, assim como eu era dela, era como a realização de todos os desejos que eu havia tido.
Era ter certeza que minha vida antes de a ter conhecido não existia, e a vida depois dela fosse algo valioso e insubstituível.

Meu coração bateu cada vez mais forte a partir do momento que comecei a amá-la, como se já soubesse que estávamos predestinadas a viver uma vida longa e feliz juntas. E estávamos mesmo.

Eu, com 70 anos, uma bengala e algumas coleções de osteoporeses, ainda dizia com todas as palavras e com a mesma força que ela era o amor da minha vida. E continuaria sendo por mais 50 anos. 

domingo, 27 de abril de 2014

Amélie, de amora

Ela tinha pintas pelas costas, quase como se fossem
Constelações pelo céu,  formando a ursa maior.
Seu sorriso era capaz de derreter geleiras
Seus olhos tinham uma inocência insana
Sua boca era uma mistura de
Cacau com avelã.
E seu corpo fazia com que eu me perdesse.
Em mim.
Em nós.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cartas de outubro

Meia noite e 45, sexta-feira, dia 12 de outubro de 2013.

Céu nublado, temperatura amena, temperatura interna -30ºc.

Chico Buarque tocando ao fundo.

Cecília,

Faz tanto tempo que não te encontro que não sei se algum dia te conheci. Te procurei em cada canto desse mundo abastado de ignorância e nada! Te procurei sempre, moça, porque você sou eu e não te encontrei, não me encontrei. Nos perdemos há tanto tempo que não me surpreenderia de já nem sabermos quem somos. E não sabemos.
(E quem disse que é preciso saber? Descobri que não é. A vida fica ainda mais feliz se não sabermos e não nos importamos em saber quem realmente habita na alma. Um mistério a mais).

Esses dias me contasse algo sobre pensar e não chegar a lugar algum, e parabéns, você chegou a melhor conclusão que alguém poderia chegar. O tudo se forma a partir do nada, o caos da paz, o quente do frio, o amor da indiferença.
O mundo gira e para no mesmo lugar, Cecilia, você mais do que ninguém deveria saber disso. A vida é uma incognita, um nó no cardaço e eu queria  te dizer que bastaria desfazer o nó ou resolver a equação, mas nada que valha a pena é tão fácil. Só queria pedir paciência. Pense, continue pensando e continue não chegando a lugar algum, porque ai, na sua vida, vai ter um escape. Depois que chegares a uma resposta, tudo perde a graça.

Ontem, dia 11, peguei um onibus, lotado, com a notoria precariedade do sistema de transporte, e nele havia um velho conhecido. É um homem, de aparência bonita, morador de rua e usuario de droga, vi que ele entrou e o reconheci de longe, tinha o rosto sujo, os olhos assustados, as roupas rasgadas e uma fala rápida. Pegou uma caixa de fosforo e cismou que era um celular, falava absurdos e xingava. Nisso, olho para o lado e vejo pessoas chorando de rir do sujeito. Quis levantar, reclamar, dar um sermão, mas não consegui, sentei e chorei. Chorei porque o ser humano tornou-se algo mediocre e insignificante, que vê no sofrimento das pessoas, algo pra satisfazer o vazio do peito. Sabe, Cecilia, voce me entenderia, você provalvemente choraria comigo. Naquela hora eu quis mudar de planeta, construir uma nova sociedade, sem religião, com a politica baseada no amor ao proximo, numa economia igualitaria, sem precedentes, sem governantes, cada um com sua felicidade e foi aí que chorei, não poderia sair daqui, não por fora. Estava presa num mundo onde as pessoas não me entendiam, aliás, não entendiam nem elas próprias, viviam regradas, obrigadas, retidas em uma rotina predestinada e eu odiava isso. Odiava com todas as minhas forças.

Sabe, não achei nada ainda que possa tirar minha cabeça daqui, não encontrei nem duas de tantas perguntas que tenho. Não procuro respostas, não mais, guardei minhas duvidas na gaveta e elas vão saindo aos poucos, por vontade propria, quase como se aceitassem o livre arbitrio que ''Deus'' dá. Faça o mesmo. Aproveitei mais o sol, a grama, a música e esqueça um pouco o que te incomoda. Falo isso porque preciso fazer o mesmo. Antes que os cabelos comecem a ficar brancos.

Se morassemos em um planeta só nosso, que nome daríamos?
Responda logo.

Com saudade do que não tenho,
Maria Idilia.

domingo, 2 de março de 2014

Folha arrancada

(...)

Sabe, morena, ando pela rua observando tudo e refletindo e caramba, é engraçado ser (o) humano, né? Todos eles se acham donos da razão, deuses da verdade absoluta e não são ninguém, de fato. Meros seres viventes com o lado egocêntrico-racional. E do lado oposto, tem a natureza, tão simples, tão não-desvendável, não procura ser o que não é, tem beleza apenas por estar ali, juntamente com os animais irracionais. É, a vida é mesmo um negócio maluco. Esses dias, tomando meu café de manhã e me prendendo na mesa por motivo nenhum, pensei que vivemos numa bolha prestes a explodir, basta um chacoalho aqui, outro ali e pum! Estourou. A bolha é o limite da vivência de pessoas normais, não devemos sair de dentro dela porque lá se encontra o perigo da anormalidade. Pense comigo, dentro da bolha, há tudo o que é convencional, heterossexualidade, casamento, filhos, a mulher que sabe cozinhar, o marido que trabalha até tarde, o emprego que nunca é bom o suficiente; e fora da bolha, há as coisas que você é e no que você acredita, mas que não podia ser por causa da limitação imposta pela bolha, por exemplo, você é gay, não quer casar, e quer viver sem dinheiro, na natureza. Você quer ser feliz, afinal. E eu quero mesmo é estourar essa bolha e abraçar minha felicidade, senão a vida não faz sentido. Do lado de fora tem essa morena linda, com esses olhos brilhantes e encantadores, que me fazem querer viver intensamente por ela e pra ela, 24 horas por dia.