sábado, 2 de agosto de 2014

Te tenho gravada em mim

Nina, andei lendo esses dias que filósofos eram iguais crianças. Se surpreendiam com as coisas mais desinteressantes da natureza e do mundo, como se as tivessem visto pela primeira vez. Tomei a liberdade de me achar um tanto criança (ou filosofa?). Você sabe, às vezes acabo me indagando coisas que qualquer pessoa acharia bobagem. Como, por exemplo, por que o nome da cortina é cortina? Cor-ti-na. Não soa estranho? Ou quando eu paro e sinto o vento gelado batendo nas minhas bochechas e só o que consigo fazer é sorrir e dizer o quanto a vida é boa.

E como deve ser triste a vida de quem vira adulto na alma, não é? Vão envelhecendo, até morrerem por dentro e não sobrar nada a não ser cinza, como um pulmão danificado pelo cigarro. Não conseguem mais ver as cores do mundo, porque tudo dentro deles está sem cor e frio. Bonito mesmo é ver o sol nascer e se pôr e imaginar quantas coisas aconteceram nesse intervalo de tempo, como a natureza tem seu ciclo e nada que aconteça pode o impedir de se completar.

É querer o tempo todo que meus olhos fossem lentes, pra poder registrar cada momento do meu dia: a sombra de duas pessoas num barco se beijando, o senhor de idade na sua caminhonete fumando um charuto, um cachorro deitado sob a luz do sol, o sorriso da pessoa que a gente ama.
Entende? É querer guardar cada sabor, imagem e cheiro numa caixinha dentro do quarto e abrir o tempo todo pra ver quanta coisa linda tem por aí e a gente não sabe aproveitar.

Nina, aproveita a vida todo dia, porque se você parar pra pensar, ela já acabou. Aproveita do jeito certo. Sabes que cuidaria de ti se pudesse, de perto, sempre. Mas é preciso tempo para algumas coisas se tornarem perfeitas. Tenha paciência e pensa em mim. Nas lentes dos meus olhos e nos GB do meu cerébro, você está. Como aquela foto em que a luz está caindo sobre seus olhos cor de mel. Não se preocupe. Te tenho gravada em mim.

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