quinta-feira, 28 de abril de 2011

Relíquias

Estava tudo empoeirado, se um dedo limpo e puro, passasse por ali, com certeza, sairia preto. As madeiras do chão faziam um barulho irritante toda vez que recebia um peso, as janelas estavam soltas, e qualquer arzinho que encostasse nelas, as abria completamente, as portas, já, com sinal de arrombamento, dava-lhes de graça, farpas e convicções não muito receptivas. Os móveis estavam cobertos com lençois brancos, já amarelados pela poeira, e o cheiro, que se sentia do quintal, era insuportável.
A mulher dos olhos pretos e vazios, andava devagar por entre a casa, olhando cada detalhe, tocando tudo o que estava em sua frente, e cheirando cada partícula dali, sim, mesmo que o cheiro fizesse as narinas arderem. Sentou em um canto do sofá, segurando seus joelhos junto ao queixo. Sentindo toda a nostalgia imersa dentro da casa, lembrando de como costumava ser antes e de que sentimentos lhe trazia. Algumas lágrimas lhe desceram a face, e curiosa, sua própria consciência perguntou-lhe, como num debate entre apenas uma pessoa:
- O que é isso? Digo, o que você está fazendo?
- Estou dentro de mim.
- Dentro de você?
- Veja, essa casa é o meu coração, perceba como ele está. E embora me doa, ter de vê-lo desse jeito, foi a única coisa que me sobrou.
- Mas..
- Sem mas's. Já não sou suposição de mim mesma. Esta é a realidade, e eu estou encarando-a.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Que acúmulo seria nossas vidas se não filtrássemos coisas, já, sem importância?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

-

Não! Oh céus! Você por aqui!! (Sorriso falso). Teimei teimei, lutei, e taí o resultado. (Centenas de palavrões). Desculpe-me, não é querer ser chata, mas vocês não são bem vindos, digo seriamente, não são. Não posso permitir, ok... Eu sei, já permiti, mas despermito. Tenho o controle sobre minhas vontades, pelo menos isso, acho eu. Tá, já entendi! Não ando tendo! Oh, novamente! Enchendo minha cabeça! Saiam! 
Deus do céu, como é difícil ser eu.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mentiras

Ela se arrastava pelas incertezas do seu ser, as manchas da dúvidas apareciam entre sua pele. O ar diminuia toda vez que tomava uma decisão. Ela se empurrava pelo caminho errado, fazendo com que a única coisa que lhe restava, desfarelasse pela trilha de lágrimas.
Ela queria voltar, trazer-se ao rumo novamente, porque sabia onde deveria estar, o que deveria estar fazendo. Mas não conseguia. Havia algo que lhe puxava, que lhe prendia. Uma tal força que sugava todas as suas emoções. Preto. Deixando apenas o preto.
Ironicamente, ela não podia ser feliz, não havia uma forma ou um porquê. Ela só vivia por viver. Porque era preciso. Sorria porque precisava fazer isto.
Viver uma vida de mentiras era mais do que uma dificuldade, era um peso que ela carregaria por um bom tempo. Ou a curto prazo. Podia acabar amanhã, se dependesse dela. Ou agora.
O caminho era longo, a estrada continha obstáculos. E o pior, não era aquela que ela deveria estar. Sofreria por nada. Choraria por nada. Viveria por nada. Como já estava fazendo. Sem objetivo algum.
Paciência e respeito andam juntos, não se pode ter um e não se ter o outro.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A fragilidade de uma lágrima, e a fortaleza da agonia se despeja em mim. Com mais força do que meu braço sustenta, com mais intensidade do que meu espirito pode aguentar.

domingo, 10 de abril de 2011

Há situações que só você pode mudar, só você pode ter coragem e empurrar a si mesmo para o caminho. Não vai ser fácil, já adianto, não vai ser rápido e vai doer muito. Mas se você conseguiu chegar ao ponto que está, vai ter que ser forte o suficiente para sair. Você vai ter que renunciar coisas que deseja muito, e abandonar pessoas que você ama. Você vai chorar por noites, dias, e madrugadas seguidas.
Tudo isso requer muito esforço. Mas vale a pena se sacrificar pela única coisa que te faz feliz de verdade.
Correrei, correrei sem me cansar, até eu achar quem eu fui, quem eu devia ser. Correrei até eu me reencontrar.

Eu

Durante toda a minha pequena vida eu soube quem eu era, sabia o que tinha que fazer, e como eu deveria tratar as pessoas. Então, de algum modo, de algum jeito, num dia, conturbei a minha mente, e me tornei alguém irreconhecível, alguém miserável e desprezível. Me tornei eu.
Você tinha razão quando disse que nunca havia me conhecido, e agora percebo, que também não me conheço. Que me desculpe a negações e interrogações da frase, que me desculpe também o ''tempo'' pejorativo e com muita significância, mas é o que eu preciso agora. De tempo. Longos dias para eu retornar ao que era, retornar dentro de mim o 'eu' perdido - que lá está, no fundo da alma, ao lado dos rins, perto do coração, entre o cerébro, ou entre as veias - que acharei, cedo ou tarde.
E ouça, serei apenas uma alma desabitada se o perder novamente. E antes que o sol se ponha, eu prometo, pra mim, pra você, pra lua, que eu estarei de volta. Como nasci.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Não se envolva comigo, digo, inteiramente. Não tente descobrir meus segredos, não tente ler meu passado pelo meu olhar, nem descobrir o que levo no sorriso, não tente descobrir os motivos do meu choro, e o brilho dos meus olhos. Escute o que lhe digo, se não for para me amar, não insista! Porque se insistir, vai odiar o que sou, o que faço e o que aparento ser.

terça-feira, 5 de abril de 2011












Fujo de mim mesma pra não ter que me encarar.

Lembrete

Sol, frio, um ar leve de nostalgia. Eu estava alegre, sim, eu estava. Não feliz, alegre.
O vento vinha, e ia, vinha e ia, dançando por entre as folhas das árvores. Me deixando nem um pouco preocupada com o estado do meu cabelo - revirado e por cima da face.
A articulação da minha perna estava sendo forçada por entre as ruas que eu percorria. Aliviada, soltei um suspiro.
- Bendito seja o outono. - Disse a voz dentro de mim, enquanto o vento gelado batia na ponta do meu nariz.
Os pássarinhos passeavam entre os furos de ar, carregando em seus bicos, folhas de árvores, preparando seu ninho para uma grande estação de frio.
Abri a porta, a antiga porta, maciça, como figura projetada sem olhar, entrei, e o calor aconchegante do meu lar trouxe á tona a única coisa que eu não poderia lembrar. Dei meia volta, peguei a chave e voltei ao mesmo percurso de antes, anotando em minha mente que não deveria voltar para casa.

domingo, 3 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mask

Quando chega a hora de me esconder, de colocar a máscara, eu me alegro. Preciso esconder quem eu era e quem estou sendo, para não assustar as pessoas, para não levá-las para longe de mim.
Quando a hora determinada da noite chega, e a lua alcança o ápice do céu, eu sei, é a hora de limpar, deixar as sobras do meu ser pelo chão frio.
'' É a hora '' Grita, já sem voz. E ai, durante todo o dia, quem eu aparento ser, cai em realidade. Logo, eu posso ser quem eu sou, um monstro, uma víbora, uma carne a sangue. Não sou eu quem escolho. Há alternância de fantasmas, procurando uma chance para introduzir-se na espessura do mundo aqui fora.
Por que é tão díficil ouvir uma verdade? Por que, talvez, até pareça mais fácil engolir uma mentira, do que tragar uma verdade por horas em sua cabeça?
  Nós buscamos por verdades, exigimos a verdades, e esperamos a verdade. Mas nunca oferecemos ela à ninguém. Por medo, por receio, mas nunca oferecemos. Parece mais fácil não machucar alguém, parece mais fácil reconfortar alguém com uma fácil informação para que a pessoa possa se sentir bem, não é? Mas o que é a mentira além de fatos não aceitados e mal formados? Feitos sem pensar, sem racionalizar, totalmente cheios de arrependimento e culpa? 
 E o que a verdade é, além de sentimentos sentidos, pensados e expostos de forma clara e limpa?
Então por que, mas por que trocamos a mentira pela verdade?

'' Mais vale uma verdade dolorosa do que uma mentira ilusória.''

Outono

O frio mesclado com o ar abafado passavam por entre as frestas de madeira, arranhando as pernas da garota, que quieta, olhava séria para a parede, como se estivesse encarando uma pessoa.
 Apontando um dedo, delicadamente, para frente, sorriu e indagou: Você tem idéia do que foi pra mim? Tem idéia de quantos sentimentos passaram pelo meu corpo? Quantas idéias contornaram minha mente? Tem noção de como, um dia, você conseguiu me afetar? De quem me fez ser? Não. Você nunca teve. A única coisa que sempre te preocupou foi em me manter ao seu lado, segura, sem que ninguém mais pudesse tocar em mim, e conseguiu, eu nunca fui de ninguém mais além de você, fui, inteira e preenchidamente, sua! Por todos dias depois que soubemos, eu fui sua. Mas tudo o que eu posso tirar de todos esses meses, é muito pouco. O que deixamos de bom? O que deixamos passar? Eu sei, eu te fiz chorar, e me fiz chorar, mas sem intenção. Nenhuma pessoa em sã consciência machucaria alguém que ama. - Acariciando a parede, com um estremecer de sombrancelhas, deixou uma lágrima cair. - Se desde o começo, eu pudesse ao menos, ver o seu coração, ver o meu significado, eu não deixaria as coisas chegarem onde chegou. Eu não teria deixado esse nublado encobrir nossas cabeças, e muito menos, a maré do mar subir. Eu te disse, eu precisava saber. Desculpas não fazem mais sentido, não sei o que elas significam. Mas se há algo ainda que eu consiga te dizer sem que o remorso venha á tona, é que, um dia, um longo dia atrás das nossas almas, eu te amei. Do fundo do meu coração, eu podia dizer que te amava, meu coração podia. Mas agora é tarde demais...

Posso ter sido uma boa ou uma má pessoa, posso ter te feito chorar, ou te feito sorrir. Posso ter te decepcionado e feito de mim, para você, uma pessoa terrível, mas você me amou, do jeito que eu era, do jeito que sou. Um dia, me amou.