O frio mesclado com o ar abafado passavam por entre as frestas de madeira, arranhando as pernas da garota, que quieta, olhava séria para a parede, como se estivesse encarando uma pessoa.
Apontando um dedo, delicadamente, para frente, sorriu e indagou: Você tem idéia do que foi pra mim? Tem idéia de quantos sentimentos passaram pelo meu corpo? Quantas idéias contornaram minha mente? Tem noção de como, um dia, você conseguiu me afetar? De quem me fez ser? Não. Você nunca teve. A única coisa que sempre te preocupou foi em me manter ao seu lado, segura, sem que ninguém mais pudesse tocar em mim, e conseguiu, eu nunca fui de ninguém mais além de você, fui, inteira e preenchidamente, sua! Por todos dias depois que soubemos, eu fui sua. Mas tudo o que eu posso tirar de todos esses meses, é muito pouco. O que deixamos de bom? O que deixamos passar? Eu sei, eu te fiz chorar, e me fiz chorar, mas sem intenção. Nenhuma pessoa em sã consciência machucaria alguém que ama. - Acariciando a parede, com um estremecer de sombrancelhas, deixou uma lágrima cair. - Se desde o começo, eu pudesse ao menos, ver o seu coração, ver o meu significado, eu não deixaria as coisas chegarem onde chegou. Eu não teria deixado esse nublado encobrir nossas cabeças, e muito menos, a maré do mar subir. Eu te disse, eu precisava saber. Desculpas não fazem mais sentido, não sei o que elas significam. Mas se há algo ainda que eu consiga te dizer sem que o remorso venha á tona, é que, um dia, um longo dia atrás das nossas almas, eu te amei. Do fundo do meu coração, eu podia dizer que te amava, meu coração podia. Mas agora é tarde demais...
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