Eu havia comprado uma samambaia pra minha casa, fazia uns dias.
Eu regava ela três vezes por semana, segundas, quartas e sábados.
Enchia a jarra de água e despejava na terra. Não havia prato embaixo para que a água se depositasse, então ela pingava no chão, sem parar por uns 3 minutos, fazendo um tic-tic incessante no chão.
Eu me sentia como ela quando você me tocava. Não era preciso muito. Era só encostar seus dedos na extensão de meus braços, ou no queixo, ou na ponta dos meus dedos, ou encostar seus lábios na minha mão, como carinho, ou apenas depositar o olhar em mim. Logo logo, era um tic-tic por debaixo das pernas. Não havia prato que segurasse.
Feito samambaia irrigada, pronta pra crescer, era o que eu sentia ao seu toque. Como se pudesse dar novas folhas, fazer fotossíntese e crescer.