- Você está pronto? - Perguntou ele. Assenti com a cabeça.
(Nestes poucos segundos que se passaram eu vivi minha vida de novo. Vi o dia que a conheci, os momentos que passei com ela, os que ri, os que chorei, os que pedi desculpa, e os momentos que ela se redimiu comigo, vi ela chorando com as mãos na cabeça, secando as lágrimas e querendo minha compreensão, vi sua boca expelindo as tão malditas palavras ''Preciso ir'', e meu corpo parado lá, olhando imóvel. Vi ela se afastar, e depois disso, vi as sequências de dia em que passei isolado em meu quarto, tentando entender o porquê, e me tornando, aos poucos, uma pessoa terrível. Seca, oca, vazia. Sem nada dentro. Vi-me com aquelas atitudes asquerosas, iludindo pessoas, mentindo, sendo alguém que eu não era. Quando finalmente abri os olhos e olhei para o senhor a minha frente).
- Ele está ai novamente. Vai ficar tudo bem. - Coloquei a mão no meu peito, sentindo as batidas aceleradas. Sorri. Isso significava um recomeço.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Preso
Essa hora da noite o cigarro já não presta mais. Gruda. E tem um gosto péssimo. A vista da janela é deslumbrante, mas o barulho lá fora me deixa de estomago embrulhado. Algo dentro de mim gruda nas paredes do meu corpo. Sentado aqui, encostado ao vidro, vendo e sentindo o mundo lá fora, me faz parecer um ser insignificante.
Roupas, cds, restos de comida, fios, maços de cigarros e cinzas estão espalhados pelo assoalho dessa sala. E eu não consigo sair daqui. Essas buzinas lá fora, o som do trânsito, o céu, as estrelas, me chamam, me fazem não querer sair desse vidro. Preso pelo mundo. Preso pelo interior descrente de mim.
Roupas, cds, restos de comida, fios, maços de cigarros e cinzas estão espalhados pelo assoalho dessa sala. E eu não consigo sair daqui. Essas buzinas lá fora, o som do trânsito, o céu, as estrelas, me chamam, me fazem não querer sair desse vidro. Preso pelo mundo. Preso pelo interior descrente de mim.
domingo, 30 de outubro de 2011
Vem cá. Me deixa te amar, me deixa te sentir. Deixa eu me ver em você, ser seu reflexo, ser você.
Ainda estou
Filho,
Eu sinto falta de quem você era. Sinto muita falta. Eu sei que você sabe, que você lembra de tudo que me aconteceu a um tempo atrás. E eu sei também que eles te levaram pra longe de mim, te fizeram achar que eu sou uma mentira, que eu sou uma história, que eu nunca existi. Mas lembra quando você estava andando de bicicleta, e não viu o carro vindo? O que eu fiz, você lembra? Gritei para que você parasse. E você obedeceu sem recuar, se livrando de um terrível acidente. Lembra de todas as vezes que eu sequei suas lágrimas, te adormeci no meu colo, e o fiz dormir? Cuidei de você, te protegi, dei minha VIDA por você. E em nenhum momento, desde que te vi pela primeira vez, te deixei de lado. Em todos os segundos, todos os dias, todos os momentos, eu estava do seu lado, segurando a sua mão e te falando o que fazer. Eu estava lá, meu filho. Ainda estou. Mas por que você está tão longe, e não me escuta mais? Por que você não olha mais pra mim e não me procura? Se você soubesse o quanto eu prezo por você, e o quanto eu queria que você me olhasse como antes. Quando você resolver voltar pra mim, eu vou estar aqui, tudo bem? Só não demore muito. Estou cansado de ir te perdendo aos poucos.
Você sabe que eu te amo mais que tudo, meu filho?
Com uma eterna saudade, De seu Pai,
Jesus.
Eu sinto falta de quem você era. Sinto muita falta. Eu sei que você sabe, que você lembra de tudo que me aconteceu a um tempo atrás. E eu sei também que eles te levaram pra longe de mim, te fizeram achar que eu sou uma mentira, que eu sou uma história, que eu nunca existi. Mas lembra quando você estava andando de bicicleta, e não viu o carro vindo? O que eu fiz, você lembra? Gritei para que você parasse. E você obedeceu sem recuar, se livrando de um terrível acidente. Lembra de todas as vezes que eu sequei suas lágrimas, te adormeci no meu colo, e o fiz dormir? Cuidei de você, te protegi, dei minha VIDA por você. E em nenhum momento, desde que te vi pela primeira vez, te deixei de lado. Em todos os segundos, todos os dias, todos os momentos, eu estava do seu lado, segurando a sua mão e te falando o que fazer. Eu estava lá, meu filho. Ainda estou. Mas por que você está tão longe, e não me escuta mais? Por que você não olha mais pra mim e não me procura? Se você soubesse o quanto eu prezo por você, e o quanto eu queria que você me olhasse como antes. Quando você resolver voltar pra mim, eu vou estar aqui, tudo bem? Só não demore muito. Estou cansado de ir te perdendo aos poucos.
Você sabe que eu te amo mais que tudo, meu filho?
Com uma eterna saudade, De seu Pai,
Jesus.
Qualquer essência
Na escuridão do meu quarto, sinto seu perfume. Ele me vem com sensações agradáveis, sorrisos duradouros e memórias. O perfume, que um tempo atrás, em sentia em todos os lugares, não só aqui. Um perfume que trazia ao meu interior, uma paz e uma alegria estranha. Mas deitada aqui, inconsciente, eu te sinto. Te sinto através do cheiro. E isso me traz um sorriso. Você era tudo. Esse cheiro era tudo. Mas agora, é só uma memória, um amor que não volta mais. Apenas mais um cheiro, que pode ser acabado com outro aroma, outra essência. Acabado com qualquer outra coisa.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Preciso da verdade
Eu preciso de um amor. Assim, bem clichê. Alguém pra rir comigo, rir de mim, rir pra mim. Alguém pra me abraçar com força, com saudade. Alguém que transborde confiança e honestidade. Alguém pra me esquentar, pra fazer meu corpo sentir arrepios. Alguém pra encher de beijo e me fazer ficar corada. Alguém que diga que me ama, e que não seja da boca pra fora, mas de coração. Lá do fundo, de verdade. Alguém pra pensar em mim, pra sonhar comigo, pra me ligar de madrugada. Preciso de alguém pra cuidar, e ser cuidada.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Então delete, tudo aquilo que não valeu a pena. Quem mentiu, quem enganou seu coração, quem teve inveja, quem tentou destruir você, quem usou máscaras, quem te magoou, quem te usou e nunca chegou a saber quem realmente você é. Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Deixa ir, querido. Deixa ir embora. Solta. Larga. Não insista. Se já ta indo, é porque não quer mais ficar, e se não quer mais ficar, é porque sempre quis ir. Esqueça. Viva. Quando atravessar a rua, num dia qualquer, com vento na cara, você encontra o sorriso certo, o tão sonhado olhar que diz palavras. Mas não pensa nisso agora, certo? Apenas viva. E não deixa de atravessar a rua nunca.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
O único problema do passado, além das memórias, é nunca voltar como antes. Menos amor, menos paciência, menos confiança, menos tudo.
domingo, 9 de outubro de 2011
Eu esperei tanto. Nós esperamos. Para que o medo fosse embora, para que o amor permanecesse. Mas, e ai? Acho que as outras pessoas, da tua, da minha vida, foram nossos erros.
Perseverança, meu caro
Sono. Cansaço. Tédio. Estava sentado no sofá, com a cabeça apoiada na mão, olhando fixo para o telefone. Há quanto tempo ela não ligava? 2, 3 meses? Ou 4? Não sei. Havia perdido a conta. Não sabia nem que dia da semana era, nem que mês estava. Só saia do sofá para ir ao banheiro e alcançar alguma comida enlatada no balcão. Era domingo de manhã, embora ele não soubesse, e o sol brilhava lá fora, embora ele não visse.
Em casas normais, era hora de um café da manhã digno e um programa em TV em família. Mas não para ele. Não. Aquilo que ele tinha, nem poderia ser chamado de vida. Soltou um suspiro e deixou os olhos abaixarem. Quando o sono estava entrando por entre seus ouvidos, o telefone toca. Ele, parado, observa atentamente. Toca, pela segunda vez. Ele pensa em levantar, mas não consegue. E se fosse ela? O que diria? O que faria? Ouviria ou imploraria pela sua volta? Tocou pela terceira vez. Ele tirou as pernas do sofá, e meio indeciso, meio receoso, andou lentamente em direção ao aparelho preto. Tocou sua parte superior. Tocou pela quarta vez. Ele tirou o telefone do gancho, e o colocou no ouvido. Seu coração batia forte, sua respiração estava ofegante, chegava ao fim os dias de sofá, pensava ele.
- Esta mensagem é automática. Devido a falta de pagamento desta linha telefônica, a mesma será encerrada.
Em casas normais, era hora de um café da manhã digno e um programa em TV em família. Mas não para ele. Não. Aquilo que ele tinha, nem poderia ser chamado de vida. Soltou um suspiro e deixou os olhos abaixarem. Quando o sono estava entrando por entre seus ouvidos, o telefone toca. Ele, parado, observa atentamente. Toca, pela segunda vez. Ele pensa em levantar, mas não consegue. E se fosse ela? O que diria? O que faria? Ouviria ou imploraria pela sua volta? Tocou pela terceira vez. Ele tirou as pernas do sofá, e meio indeciso, meio receoso, andou lentamente em direção ao aparelho preto. Tocou sua parte superior. Tocou pela quarta vez. Ele tirou o telefone do gancho, e o colocou no ouvido. Seu coração batia forte, sua respiração estava ofegante, chegava ao fim os dias de sofá, pensava ele.
- Esta mensagem é automática. Devido a falta de pagamento desta linha telefônica, a mesma será encerrada.
sábado, 8 de outubro de 2011
Alô?
Oi, querida. Só liguei pra dizer que to com saudade. De tudo. Do modo que você sorria, do jeito que me abraçava, das besteiras que me dizia e me fazia rir. Saudade dos seus beijos, e dos seus pés quentes esquentando os meus. Saudade de dividir o cobertor com você e acordar sem ele, saudade dos nossos passeios no parque, da sujeira que fazíamos toda vez que comiamos um sorvete, saudade das noites em que a neve caía lá fora enquanto a gente se amava lá dentro. Saudade só, sei lá. Às vezes bate aquela confusão que você me disse pra não sentir, às vezes me vem essas imagens na cabeça, no coração. Me deixam assim, com essa vontade de te ligar. Sinto saudade de você, entende? E muita.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
É melhor assim, sabe. Desse jeito. Um lá, um cá. Bem longe um do outro. É assim que o valor entre os dois se une. É assim que o amor resolve aparecer. É preciso perder, é preciso estar longe para que, ao menos, um enxergue o quanto precisa do outro.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Nunca mais
Ela o avistou de longe. E correu o mais rápido que pôde, com os braços abertos, e um sorriso sincero. Pulou em seu pescoço, e o abraçou, o abraçou por muito tempo, até que seus braços estivessem doendo de tão apertados. Com lágrimas nos olhos, e uma voz falha, disse:
- Eu nunca mais vou deixá-lo ir.
- Eu nunca mais vou deixá-lo ir.
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