Sono. Cansaço. Tédio. Estava sentado no sofá, com a cabeça apoiada na mão, olhando fixo para o telefone. Há quanto tempo ela não ligava? 2, 3 meses? Ou 4? Não sei. Havia perdido a conta. Não sabia nem que dia da semana era, nem que mês estava. Só saia do sofá para ir ao banheiro e alcançar alguma comida enlatada no balcão. Era domingo de manhã, embora ele não soubesse, e o sol brilhava lá fora, embora ele não visse.
Em casas normais, era hora de um café da manhã digno e um programa em TV em família. Mas não para ele. Não. Aquilo que ele tinha, nem poderia ser chamado de vida. Soltou um suspiro e deixou os olhos abaixarem. Quando o sono estava entrando por entre seus ouvidos, o telefone toca. Ele, parado, observa atentamente. Toca, pela segunda vez. Ele pensa em levantar, mas não consegue. E se fosse ela? O que diria? O que faria? Ouviria ou imploraria pela sua volta? Tocou pela terceira vez. Ele tirou as pernas do sofá, e meio indeciso, meio receoso, andou lentamente em direção ao aparelho preto. Tocou sua parte superior. Tocou pela quarta vez. Ele tirou o telefone do gancho, e o colocou no ouvido. Seu coração batia forte, sua respiração estava ofegante, chegava ao fim os dias de sofá, pensava ele.
- Esta mensagem é automática. Devido a falta de pagamento desta linha telefônica, a mesma será encerrada.
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