domingo, 14 de outubro de 2012

Tô acordando essa hora, com essa camisa do AC/DC amassada, com esse cabelo bagunçado, com essas marcas no rosto, com esse hálito nada convencional, com esse humor sem cor, pra te dizer: tenha um bom dia! E que eu faça parte dele.

O outro lado da rua


Te encontrei naquela esquina
Naquela esquina te encontrei
Via tanta coisa em ti
Que não sabia se o que eu via
Era o que realmente era.

Cabelo verde, azul, castanho
Ou seriam os olhos loiros, morenos
Corpo esbelto, tornozelos finos
Busto cheio

Atravesse essa rua molhada do choro
Choro de Deus, bêbados, ímpios
Venha que a inocência já não te quer mais
A loucura dos sábios está do outro lado da rua

E o que vem a ser o caráter do outro lado da rua?
Saudade
Sensualidade
Amor.

Joana, liberdade insaciada


Eu sabia que tinha sorte na vida quando encontrava uma joaninha. Isso só aconteceu 2 vezes, com exceção de ontem. Na primeira vez eu tinha 5 anos, o pequeno inseto pousou em minha mão gorducha e andou pela extensão do meu braço, extasiado eu a observara, suas pintinhas pretas sobre a camada vermelha refletiam sobre meus olhos. Nunca vira um inseto tão bonito na vida, nunca o quisera tê-lo como ''animal de estimação'', mas naquela vez havia sido diferente, queria que a joaninha se tornasse minha melhor amiga, mas então ela voou, voou longe, sem saber que ela poderia voar, tentei alcançar, mas era tarde demais. Só tive um reencontro com 15 anos, ela me pousou no nariz, fazendo cócegas, por pouco não a esmaguei com um tapa, fiquei uns 10 minutos com ela em meu dedo, observando a liberdade incontida nas asas secretas debaixo da carcaça, e novamente senti aquele desejo de nunca ter de deixá-la ir embora, seria estranho falar, mas um pequeno inseto despertava dentro de mim uma vontade de sair correndo pela chuva, sentir as gotas geladas em meu rosto, sentir nada mais, nada menos, do que a liberdade do vento, da água, da natureza, da joaninha na minha pele, no meu corpo, na minha alma. Mas então, ela parou de se mexer, ficou estática, morreu. E o desejo de ser livre morreu junto com ela.

Ontem, dia 15 de inverno, durante um dia nebuloso, outro tipo de joaninha veio até mim. Com meus 33 anos, nunca havia visto uma destas. Era amarela e tinha duas anteninhas paralelas e desengonçadas. Novamente, senti aquele estranho desejo de a pôr num vidrinho e mantê-la pra sempre do meu lado, para ter esse sentimento de liberdade aflorado em meu peito. Olhei-a por uns 15 minutos, queria sentir lá no fundo, a corrente pulsando em meu cérebro e em meu coração, queria saborear um momento aquele borbulhar de adrenalina em minhas veias. Mas de repente, vi que tudo estava errado. Eu exigia de um inseto uma liberdade que eu não queria dá-lo. Eu queria o manter preso pra saciar meus próprios anseios.
Queria o prender em troca da minha liberdade. Nunca tive um nó no peito como aquele. Nunca tive que fazer uma escolha tão difícil na vida. Coloquei-o na ponto do meu dedo e soprei com força, como quem diz ''vá, vá antes que seja tarde demais, vá antes que a razão da insanidade te prenda pra sempre''. E ela foi, farfalhando as asinhas. Então descobri que não tinha sorte na vida.

domingo, 7 de outubro de 2012

''Será que esquecer é a mesma coisa que ter perdido?''

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Corrupção e suas raízes



A corrupção é um mal vindo de nossos antepassados. Desde o descobrimento do Brasil, no período colonial, as autoridades, responsáveis por um grupo de pessoas e negócios, conseguiam um jeito de roubar, esconder, mentir ou se aproveitar de bens que não eram privados, mas de uso público. A corrupção vem, também, de dentro de nossos lares. Quando queremos adiantar algo de nosso interesse por barganhas, por exemplo. Atualmente, as relações políticas, por este lado, não perderam forças, mas apenas arranjaram um novo jeito de ''passar a perna'' nos cidadãos.

Entretanto, não apenas o lado maligno da história prevaleceu, a sociedade, com o passar do tempo, foi adquirindo conhecimento e lutando, cada vez mais, por sua liberdade de expressão, lutando para mostrar ao governo que tem opinião, que apoia certos casos e demonstra que está ali, ciente do que acontece, reinvidicando quando precisar ou quando não estiver satisfeita com algum acordo ou proposta de lei. A maioria atua pelo meio mais rápido, pela internet e redes sociais, onde organizam marchas, passeatas e greves contra a corrupção. E não apenas no Brasil, o movimento mais famoso do últimos tempos, foi a Primavera Árabe, onde o povo, pela primeira vez, conseguiu derrubar um governante (Hosni Mubarak), atráves do Facebook, onde organizaram o movimento e se reuniram em uma praça. Mas ainda assim, não é o suficiente, acreditam que o povo precisa se reeducar. Não vendendo seus votos, e tendo mais consciência de seus candidatos, para isso, a corrupção pode ser combatida pela educação dos cidadãos e pela eleição consciente. Há chances de que esse ensino seja feito em escolas, para ensino fundamental e médio.

Por fim, é dito para que não se percam as esperanças. Com a ajuda da sociedade em si, de lutas, de procuras, de exigências, é possível erradicar a corrupção. Precisamos de uma reforma política, de transparência por conta do sistema administrativo, da consciência do povo e de promessas cumpridas. Porém é necessário lembrar que o principal responsável pela mudança de nosso país somos nós mesmos. O poder da democracia nasce de nossas raízes.

domingo, 2 de setembro de 2012

Os tesouros de Jorge


Jorge era um homem adulto
Mas de adulto não tinha nada
Vivia vagabundeando pelas ruas do Rio de Janeiro
Malandreado com as moças, com os bebâdos
Com as quitandas, com as crianças
Com tudo que lhe aparecesse pela frente.

Nos momentos em que a malandragem não lhe apetecia a alma
Corria para o recinto que chamava de casa
Louças sujas por entre os cantos.
Sua máquina de escrever era o único que lhe dava apreço
A fim de deixar-lhe limpo
Escrevia, escrevia, escrevia
Até que seus ouvidos captassem lá longe o gargalhar de alguém
E saia correndo de novo. Sua malandragem o chamando.

Jorge não vendia escritos, escrevia como um miserável
Não tinha nada na vida, nem ninguém
A única coisa que lhe pertencia
Fazia-o um homem adulto não adulto
Fazia de Jorge: um malandro, miserável e sarcástico.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A moça que não a tinha

Sophie sempre fora, por assim dizer, perturbada. Desde criança, ao invés de ir chorando ao colo da mãe, mostrando-lhe o joelho ralado, puxava-lhe a saia e pedia pelo tal remédio marrom, com olhos enxutos e a face sem cor. Quando bebê, não chorara ao sair do ventre da mãe, fizera um silêncio tal que nem as batidas dos médicos a fizeram chorar, não resmungava com fome, nem quando a fralda precisava ser trocada, sua primeira palavra a ser dita foi o nome de sua mãe ''Nina'', e apenas isso, sem balbuciar errado. Foram ótimos tempos no começo para os pais, não era necessário acordar no meio da noite, nem brigar com a crianças, pois esta, nada fazia de errado. Mas passou-se meses e Sophie não agia de modo normal, foi levada ao psicologo até seus 16 anos e ele não conseguira nenhum resultado, ela continuava a mesma: quieta, indiferente, misteriosa e com inteligência sobressalente.
Cresceu, nunca tivera muitos amigos, os que tinha, duravam meses, vivia em seu quarto, com a cara nos livros, com um rosto apático a tudo. Seus pais diziam que era uma fase, que a adolescência passaria logo, porém ela se formou, comprou um apartamento e vivia do mesmo jeito, aparentemente, vazio.
Arranjara lá, umas duas vezes, um namorado (os quais sempre tinham dons musicais), e lá se iam mais 3,4,5 meses e a sombra deles desapareciam. Pensara bem o leitor de que a menina da qual se trata era doente ou reclusa demais, mas o digo que não era. Tinha cabelos pretos e longos, olhos cinzas que cintilavam sempre, uma cintura fina e um metro e oitenta dois. Chamava atenção por onde ia (não se sabe se por ter uma aparência atraente ou por ter uma cara de dar pena), e olhe você, que ia em vários lugares, principalmente praças ao ar livre onde podia deitar-se com um livro às mãos. 
Com tamanha curiosidade, este, que vos fala, entrou em presença da moça incrivelmente-apática para seus pensamentos ler. Mas não o conseguiu.
E não o conseguindo, encontrou respostas para todas as perguntas.
A moça não tinha alma.

domingo, 1 de julho de 2012

Grande e fiel amigo

Aqui vai um pedaço da carta que o Vagner Pacheco escreveu pra mim no dia 26/06/11

''(...) Mesmo sabendo que eu poderia sobreviver ao fim desses dias sem te ver, é muito doloroso pra eu ficar sem te ver, é muito ruim saber que você está a centenas de quilômetros de mim e o melhor de tudo isso é que mesmo sabendo que você está tão longe assim, eu consigo te sentir, dentro de mim, só por causa desses momentos que passamos juntos, que por mais simples que sejam, fazem a diferença ''. 

Faço das palavras dele, as minhas. E acrescento:
Você foi um grande amigo, sempre esteve ao meu lado quando precisei, quando eu não precisei. Isso o que eu sinto agora não vai passar. É a dor do vazio que você deixou. Com o tempo, vai cicatrizando, remendando, mas a sua falta, a sua ausência nunca vai ser preenchida. Tudo o que eu mais queria agora era olhar nos seus olhos e dizer que te amo, em alta e boa voz. Mas já não posso fazer isso, portanto deixo aqui meus pêsames, minhas saudades e meus sentimentos.


Desde sempre e para sempre! 
Às vezes parece que sinto o mundo dentro de mim. Tanto barulho, tanto sentimento.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Gosto um bocado de você. Percebo isso quando abro a janela de manhã e sinto o ar limpo. Hoje em dia, ele parece ser mais limpo do que sempre. Hoje em dia, tudo costuma ser mais limpo e mais bonito do que sempre. Acho que foi porque eu te conheci. Acho que é porque eu gosto um bocado de ti.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ser uma incógnita conhecida


Nós vemos o mundo de maneira diferente. Nunca uma situação, aos nossos olhos, é apenas uma situação. Uma palavra dita com um único sentido, para nosso entendimento, há múltiplos sentidos, por isso o grande apreço pelas formas explicitas  Nunca uma briga, um romance, uma confissão, um segredo vai ser apenas o que é. Tudo o que nos cerca, tudo o que nos acontece, vai ter uma porção quintuplicada de drama, melancolia e nostalgia. Sempre expressamos nossos desejos de forma clara, ainda que adjetivemos um contexto inteiro.
Somos como renascentistas perto de formas irreais. Vemos no profundo, no ápice, no que os outros não conseguem enxergar e, de certa forma, expressar. Às vezes, o mundo nos parece não ter sentido, de tão simples e complexo que pode ser - ao mesmo tempo. Às vezes, nos deprime, por ser tão aberto, tão legível, tão... Mundo.
Às vezes somos assim, ó, preocupados demais. Outrora, preocupados de menos.
Mas somos criaturas sobrenaturais, por assim dizer. Vivemos com a cabeça em outro mundo. Vemos vida em fotos sépias. Mergulhamos nesse mar de pessoas tão diferentes, tão iguais, tão pecadoras.
Somos apenas escritores. Buscamos expressar, através de tinta, um universo que ninguém nunca conheceu.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

To sentindo uma enorme necessidade de te beijar. De te fazer carinho, tirar um fio de cabelo do teu rosto. De olhar bem fundo nos teus olhos e sorrir feito um idiota. To sentindo vontade de acariciar teu corpo e te fazer ficar arrepiada. Vontade de te fazer me amar, te fazer olhar pra mim e sentir como se eu fosse tudo o que você precisava. To sentindo uma vontade, imensa, sabe? De você inteirinha pra mim. Agora. Bem desse jeito. Pra sempre.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Nesse mundo é preciso acreditar em algo, mesmo que esse algo não exista.

domingo, 13 de maio de 2012

Feliz dia das mães


Mulher de verdade! É o que são. Seria possível somar todo o amor do mundo em um só, e esse seria o que ela sente por você.

A gente briga, morena, a gente discute todo dia por coisas pequenas, você me manda fazer coisas que eu, às vezes, por orgulho, não faço. A gente pode se desentender de manhã, mas a noite, quando for dormir, vou sempre te beijar na testa e te desejar boa noite. (E muitas vezes nem lembro que nos desentendemos pela manhã). Apesar de tudo, você é a única pessoa com quem eu posso contar nos momentos dificeís, a única pessoa em quem eu posso depositar toda a minha confiança. Em certos momentos, quando tudo tá dando errado, eu penso em você, penso no seu colo, e já me sinto em segurança.
Mãe, obrigada por existir. Obrigada por ser exatamente quem você é, e obrigada por estar sempre ao meu lado, me amando independente de qualquer coisa. Eu te amo e te desejo um feliz dia das mães!

sábado, 5 de maio de 2012

Meu jardim sem cor de vida

Naquele marasmo de vida, eu ainda encontrava algo que me satisfizesse, algo como: um dia de sol com temperatura baixa, uma rosa vermelha resplandecendo no jardim da minha casa (falo isso porque o jardim da minha casa nem parecia um jardim, não se via um verde, a não ser, é claro, pelas rosas que decidiam nascer de vez em quando), um café quente na minha mesa sem ter sido eu que preparasse, um sorriso de uma garota bonita na rua, o começo de um livro e meu velho coração solitário. Tirando isso, céus, que vida era aquela! Tão marrom quanto o jardim da minha casa.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Caro namorado


30 de abril de 2012, São Jose, Santa Catarina.

Querido namorado,

Por que você foi e não volta nunca mais? Não, não estou tentando dramatizar nada, mas você deve entender. Faz dias, porém me parece tanto tempo... Acordei olhando pro lado e não te vi. Nem sequer senti o teu perfume. Passei o dia te procurando dentro de casa e não te achei, abri a porta chamando teu nome, saindo de pijama pela estrada, tentando te achar nos esconderijos que você costumava se esconder pra me dar susto, mas não te encontrei. Então eu voltei pra minha cama, voltei a dormir, pra você voltar enquanto eu sonhasse e me abraçar por debaixo das cobertas, assim eu acordaria novamente e você estaria ali, me olhando e sorrindo. Entretanto, meu plano não deu certo, e você ainda não estava ali. Eu escuto o telefone tocar, te atendo, escuto sua voz dizendo que 'volta logo', mas você continua não estando no meu colchão!
Você é uma parte de mim agora, entende? Não pode partir. Nunca. Sem você a outra parte de mim fica perdida, sozinha e delacerada. Alguns dias sem você pode causar um dano enorme, sabe? Eu sinto sua falta, meu amor. Sinto sua falta mesmo quando você está comigo. Dá pra voltar logo? Prometo te dar quantos beijos quiser.

Com amor (e saudades desmedidas),

sua namorada que dorme, esperando te ver.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Projeções idealistas

Andava apressadamente pelos corredores tumultuados daquele enorme saguão, entrepassando nos espaços pequenos das pessoas, com sua mochila verde-bosta nas costas. Conseguiu alcançar a plataforma antes que o trem saísse, e como sempre, demorou mais de 10 minutos pra escolher em qual assento estofado sentaria. Como era de costume, de tanto procurar, acabou sentando no último, onde sabia que ninguém sentaria com ele. 
Esticou suas pernas e batucava impaciente no vidro. Seus pensamentos estavam na mesma aceleração do trem, rápidos demais, aleatórios e confusos. 
Projetou uma imagem qualquer a sua frente, e começou a indagar, soltando seus males fantasmagóricos que tanto guardou dentro de si desde que aquelas blasfêmias, contra o seu ser estagnado, tivessem o afetado.
- Você me amou. Eu sei. Me amou quando eu já não podia mais. Me amou quando aquele amor todo não cabia em mim. Quando meu peito parecia pequeno demais pra aguentar todo aquele sentimento. Você me amou toda vez que eu chorava, toda vez que eu sorria, toda vez, quando meu olhar parava em você, eu via que você me amava. Me amou quando eu não precisava, quando eu não queria, e quando tudo o que eu queria era ter você grudada em mim. 
Céus, você me prendeu tanto que eu não imaginava minha vida sem a sua presença do meu lado. Eu achei que construiríamos nossa pequena casa no meio daquele nada que sempre inventávamos. Achei que meu corpo nunca passaria frio no inverno, porque seu corpo estaria lá, grudado no meu, me passando segurança e conforto. Achei que sempre riria das suas caretas, dos seus sorrisos idiotas toda vez que eu fazia algo desastrado. 
Querida, eu imaginei tanta coisa, planejei tanta coisa. Projetei nós, pra sempre. Nos poucos sonhos que eu tinha, você estava em todos eles. Eu te amei com um amor que não cabia em mim. Te amei de uma forma que eu nunca imaginei amar alguém. Mas, sabe?! - Indagou ele, prendendo as lágrimas de uma pessoa imaginária do assento a sua frente. - Eu acho que me enganei. Acho que minhas projeções estavam erradas. Ou não. Ou talvez seja só questão de tempo. Mas enquanto isso, vou me construir no meio do nada, na minha casinha de madeira mal-feita. Esperando que, talvez, num dia de inverno, enquanto esteja nevando, você bata na minha porta, com aquele bolo de chocolate nas mãos e o mesmo sorriso apaixonante. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Lembrança-doce

Arthur lembrava do passado com bastante frequência. Lembrava de seus joelhos sempre ralados, da estrada de barro, das horas extensas - mas que pareciam correr com pressa - que passava soltando pipa na rua com seus amigos. Lembrava da comida da vovó, o arroz branquinho, o feijão suculento, lembrava da sua voz contando histórias de lobisomen. Lembrava do cheiro do seu pai, cheiro de homem com experiência - costumava dizer. Lembrava, especialmente, dos raros dias em que iam na cidade. Comprava balões, novos chapéus, sapatos pretos, e comia tanto doce que mal conseguia andar até em casa.
Havia, também, os dias em que o circo chegava na cidade. Iam sempre. Andavam naqueles projétis de foguete, roda gigante, palhaços, maçã-doce, algodão-doce, leões, plateia, multidão. Lembrava de tudo isso com um sorriso na cara.

Tempo bom, pensava. Sapateando no assoalho da sua casa solitária, esperando que as horas passassem. Talvez elas trouxessem algo tão doce como o passado que costumara ter.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Hoje e todos os dias

Hoje eu acordei com uma vontade enorme de te ver dormindo. Com aquele ar recém-chegado do calor do sol. Hoje eu acordei com vontade de alisar seu rosto no silêncio do quarto, passar as mãos sobre seus braços macios e quentes, tirar o fio de cabelo do seu rosto, te ver respirar pesadamente. Hoje eu acordei com vontade de te amar pela manhã, deixando um recadinho no alto da sua cama, pra você acordar e sorrir ao ler. Sorrir por mim. Por nós.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Meados de junho

É nesse inverno que eu quero te amar. Te aconchegar em meus braços e sentir nossos narizes gelados. Tocar em sua mão fria e enlaçar meus pés por cima dos seus pés. Pressionar meus lábios gelados sobre os seus, e soltar, com a minha voz mais rouca, extasiada, gélida, em seu ouvido: fica comigo pra sempre.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Notas inotórias

Deixa eu te falar, há poucas coisas nessa vida que vale a pena fazer valer a pena. Há poucas coisas que precisam ser ditas, feitas e decididas por  e para pessoas que merecem. Não se precipite, escute o que vou lhe falar, não diga nunca, só escute.

Há poucas coisas, aqui, em nossa volta, que a vale a pena se sacrificar, vale a pena chorar, vale a pena implorar. Há poucas coisas aqui que merecem ser olhadas de forma diferente, que merecem um sorriso, que merecem um toque de aconchego. Não duvide do que eu estou tentando lhe falar, é preciso complacência para entender. Tem coisas, que precisam ser ditas antes que seja tarde demais, antes que não sobre tempo para dar ao conhecimento a chance de ser compartilhado. Não, não estou falando que você não vale a pena. Por favor, só escute. Sentar na grama, sozinho, ouvindo o vento assobiar, vale a pena. Entende? Faz algo dentro de mim agradecer por estar vivo.

Mas como eu ia dizendo, há poucas coisas aqui, nesse pequeno mundo em que vivemos, que valem a pena. Sou grande medidor de palavras, enrolo muito, mas entenda: são poucas as pessoas que você vai conhecer que vão te dar a sensação de querer fazer tudo por elas, são poucas as pessoas que você vai querer abraçar o tempo todo, beijar o tempo todo, estar perto o tempo todo. São poucas as pessoas que vão fazer você se sentir especial e único, mas quando elas aparecerem, vão fazer valer a pena cada segundo da sua vida, cada sorriso do seu dia, cada lágrima que você derrubar. E você vai, com toda a certeza, fazer com que as vidas delas também valham a pena. É uma troca. - A não ser é claro que você dê chance pra alguém que não valha a pena. Mas seria uma troca injusta. Dar e não receber. -.

Eu sei, eu sei que você já está indo, deixe-me apenas concluir minha ideia. São poucas as coisas que valem a pena, mas essas poucas coisas, são coisas simples. Não é preciso muito para surpreender, merecer, ganhar alguém ou algo, pelo contrário, em coisas minimas, quase inotórias, é que você consegue apenas confimar que você é uma pessoa por quem vale a pena fazer dar certo, vale a pena investir. Por isso, te deixo ir com essas pequenas notas, que durante sua vida, vão fazer diferença. E eu quero que você saiba que você fez minha vida valer a pena apenas por ter entrado nela.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mude, mudez, mudo

Jogou, exasperado, a mala em cima da cama, começando um dialeto gritado e ríspido.
- Você nunca faz nada! Nunca fala nada! - Elevou o tom de sua voz enquanto atirava as roupas em cima da cama. - Parece uma retardada.
A moça de cabelos ruivos continuou sentada, com um olhar inexpressivo atravessando a grande janela do quarto, fumando seu terceiro cigarro, expirando fumaça pelo ambiente.
- É assim. Você começa coisas que sabe que não vai terminar. Você nem quis me dar explicações, apenas me olhou desse jeito rude que sempre me olha! Não sei como fui capaz de ficar tanto tempo com uma mulher assim. Deus, como sou idiota. - Cuspiu as palavras, grosseiro, enquanto ainda tirava suas roupas do armário. Ela olhou o jeito que ele se movia, nervoso, piscou algumas vezes, e moveu a cabeça devagar para o trânsito caótico lá embaixo. Não ouvia as buzinas do carro, pensou, nem as palavras obscenas que os motoristas dirigiam um aos outros, nem mesmo alguns aviões que passavam acima de sua cabeça, não ouvia nada, a não ser as reclamações do marido, ou ex marido, do outro lado do quarto.
- É foto pra lá, foto pra cá, maço de cigarro jogado num canto, roupas sujas no outro, e essa sua cara de quem não tá vendo nada ao seu redor. - Disse ele numa tentativa frustrada de imitar a feição da esposa. Ela o olhou, séria, e recolocou o cigarro na boca antes que quisesse falar algo.
Ele fechou a mala com dificuldade e ficou parado durante alguns segundos, encarando-a, esperando, de certo, que ela falasse algo, mas ela não iria falar, ele sabia.
- Estou indo, Martha. Há algo que queira falar? Alguma coisa? Por favor. - Disse ele debochado, fazendo gestos irônicos com as mãos. Ela o olhou mais uma vez, jogando um pouco de fumaça em direção ao rosto dele. O homem moreno soltou um riso dolorido, de alguém que não acredita. E saiu, fechando a porta com um estrondo odioso.
- Eu te amo... - Cochichou ela, deixando uma única lágrima cair. - Não vá.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Madrugada de 1992

O relógio marcava 05:30 da madrugada. Meus olhos estavam vermelhos, meu cigarro estava no fim, quase queimando meus dedos. Minha pele estava arrepiada com o vento gelado que entrava da janela. Coloquei meus pés pretos de sujeira em cima da cama, deixando duas marcas enormes. Se minha mãe visse isso, estaria decepcionada. Pensei. Olhando para minhas roupas amassadas e as marcas sujas no lençol branco. Lancei os destroços do meu cigarro pela janela, e me arrastei para alcançar o novo maço de cigarro em cima da cômoda. 05:40. Traguei mais rapidamente o novo cigarro. E de algum canto dos becos lá embaixo, vinha uma música entorpecida, fúnebre, um violão suave, quase inaudível, seguido de uma voz rouca, bêbada e entrepassada por outras vozes falantes. 06:20. 1992 e uma madrugada incomum. Peguei meu espelho jogado em cima da escrivaninha e analisei por alguns segundos meu rosto, barba mal feita, cabelo bagunçado, olheiras profundas...
- A realidade é que sem ela não há paz, não há beleza, é só tristeza. - Cantarolei a música que subia pelas paredes do meu prédio, reconhecendo a música de vez. Tom Jobim. Uma versão muito mal tocada da música, mas a letra ainda me fazia sorrir sem querer. Olhei para meu cigarro, e o joguei pela janela novamente, sem nem estar na metade. 06:33. Madrugada incomum, já falei, certo? Deixe que lhe explico. Passava essas horas dormindo, acordava cedo, vivia cedo. Mas aí, eu acordei, e parei de fingir. Uma coisa fora do lugar, e pronto, tudo está uma completa bagunça. Então, por que não completar o serviço? Resolvi ver o sol nascer, provar cigarros que eu nunca havia tragado (minha cômoda tem 5 maços diferentes) e sentir o vento da precoce manhã invadindo meu quarto. Foi um grande pensamento para um pequeno homem como eu. Agora, reparando, o meu quarto fica mais bonito iluminado com a lua do que com o sol, o céu de noite é mais bonito que de dia, esse cigarro marrom é mais suave que o de ponta branca, Tom Jobim tem composições tão boas que não importa quem esteja tocando-as, meu rosto de menino afugentado e cansado é mais bonito que o de homem trabalhador. Mas uma coisa não mudou ainda: o tamanho da falta que sinto de você. Acho que lá, no fundo, a gente sabe que a saudade será sempre a mesma. 06:45. O sol tá nascendo.... Hora do menino ir crescer.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Me carregas por cercados

Se eu não me carrego, você me carrega. É assim. Depois de tanto tempo, depois de tantos usos, depois de tantas memórias, eu virei esse fardo pesado. Tendo que ser carregado sempre por alguém.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Extratos passados

E se um dia, por acaso, nós nos depararmos no mesmo banco do ônibus? Você vai se importar em dividi-lo comigo? E quando eu estiver saindo, você ainda vai segurar minha mão? Vai grudar o rosto no vidro e sibilar que me ama? Se você não o fizer, eu ainda vou estar esperando. Parada em frente aquela pintura azul. Te olhando ansiosamente. Com ternura e uma saudade já constante.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O tal futuro incerto

Queria poder cuidar de você. Mimar você (só agora). Te amar mais uma vez, te abraçar com mais força, te beijar mais intensamente. Mas agora já é o tal futuro incerto que a gente previa. E você foi embora antes dele chegar, você não cuidou de mim, não me mimou, não me amou.
Não é que eu queira você ainda. Só fico na vontade de fazer o que deixei de fazer antes do futuro chegar. Mas essa vontade passa, né não? Assim como o amor passou.

Não resisto a você

Isso, garota. Sorria.
Assim, desse jeito envergonhado
Sorria que eu derreto
Sorria que eu vou me reapaixonando

Me mostra seus dentes
Desvia o olhar
Mexe no cabelo
E sorria

Sorria que eu não resisto, não.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

IN constância

Entenda: o mundo é constante. Ele não muda só porque você acha que ele pode mudar. As pessoas não mudam porque você as dá uma segunda chance. Nenhum relacionamento vai ser diferente. O jeito que te tratam hoje, é o mesmo jeito que tratou outra pessoa ontem. O mesmo amor que te dão hoje, foi dado pra outra pessoa ontem.
Capte, tudo funciona desse jeito, sempre vai funcionar. Não importa o quanto você se esforce para mudar as coisas.
Pior que uma inconstância incontrolável, é uma constância eterna.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ar-riscos

E o que seria viver sem se arriscar? Sem pôr o corpo todo no fogo? O que seria da vida se ficássemos sentados, com medo, esperando algo acontecer por intervenção divina? O que seria a vida, aliás, se nos prendêssemos ao nosso próprio ser, agarrados no aconchego do conhecido, não querendo abraçar o que lá de longe vem, desconhecido, amedrontado. O que seria de nós, humanos frágeis, se não agarrássemos as oportunidades voadoras que nos passam de frente aos olhos?
Que definição poderíamos dar a ''vida'', senão correr riscos?

sábado, 14 de janeiro de 2012

Venha nadar comigo

Largar-me-ei daqui. Acho que não me sirvo mais. Nem para resistir. Largar-me-ei aqui porque sei que o outro de mim é mais forte. Quando a gente sabe aonde a correnteza vai levar, é melhor nem entrar no mar. Nem fazer esforço pra nadar contra ela. Por isso estou indo. Porque eu, que sou eu, o eu que sempre existiu aqui, não é forte o suficiente pra lutar contra essa vontade de se jogar. Porque esse meu eu é teimoso, esperançoso e sempre acha que a correnteza vai levar pra outro lugar, um lugar seguro, tranquilo, bonito, eterno. Mas ela não vai levar. Nunca levou e nem levará. Largar-me-ei aqui e deixarei o meu outro ser me invadir. Ele me fará ir embora, pra longe desse mar apetitoso, que me chama sem parar, de um jeito suave, acalentador. Longe da correnteza e de suas infinitas quedas.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Eu só sou eu com você

Te guardo nessa foto. Desde sempre. Nessa gaveta esburacada e cheia de poeira. Te guardo não porque te amo, até porque acho que isso já não é mais possível. Guardo pra ver seu rostinho com esse sorriso amarelo, torto. Com essa pele mulata, reluzente. Te guardo, pra sei lá, lembrar da minha infância, do cheiro do seu cabelo, do seu vestido encardido. Te guardo pra que um dia, talvez, eu possa mostrar pros meus filhos e contar minhas histórias de garoto. Te guardo pra saudade permanecer. Pra eu poder sorrir pra foto, igual ao um idiota, e lembrar da primeira vez que a gente se beijou. Te guardo pro seu lugar no meu coração nunca se esvaziar. Pro tempo nunca te levar embora. Te guardo porque sei que, eu só vou ser o João se você continuar sendo minha Alice.

Na rua da saudade

Já andei vagando por ai, cheio de pessoas, cheio de amor
Me esforçava pra dialogar com elas
Ou melhor, me esforçava para falar o que elas queriam ouvir
Ouvia o que não queria ouvir, e me mantia em silêncio
Amava muitas pessoas sem receber em troca
Amava de verdade, sem saber que elas amavam de mentira
Amei sim, de um jeito louco, mas sincero
E elas riam por dentro. Da minha inocência insana.

E é por isso que hoje ando tão só
Porque, talvez, eu seja a única pessoa que possa me fazer feliz
Falo e escuto o que preciso
Me amo
Me venero
Uma luz dentro da minha própria escuridão
Meu próprio amor correspondido.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Permaneça

Eu disse 'fica', esperando que você realmente ficasse. Não ficar por ficar, mas permanecer do meu lado, pra sempre. Eu disse fica, para você nunca soltar minha mão. Eu disse fica, esperando nunca mais ter que te perder, esperando que eu nunca mais precisasse dar adeus.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Nunca soube dar adeus às coisas. Nem para as boas, nem para as más, nem para aquelas que não faziam diferença.