domingo, 2 de setembro de 2012

Os tesouros de Jorge


Jorge era um homem adulto
Mas de adulto não tinha nada
Vivia vagabundeando pelas ruas do Rio de Janeiro
Malandreado com as moças, com os bebâdos
Com as quitandas, com as crianças
Com tudo que lhe aparecesse pela frente.

Nos momentos em que a malandragem não lhe apetecia a alma
Corria para o recinto que chamava de casa
Louças sujas por entre os cantos.
Sua máquina de escrever era o único que lhe dava apreço
A fim de deixar-lhe limpo
Escrevia, escrevia, escrevia
Até que seus ouvidos captassem lá longe o gargalhar de alguém
E saia correndo de novo. Sua malandragem o chamando.

Jorge não vendia escritos, escrevia como um miserável
Não tinha nada na vida, nem ninguém
A única coisa que lhe pertencia
Fazia-o um homem adulto não adulto
Fazia de Jorge: um malandro, miserável e sarcástico.


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