sexta-feira, 10 de julho de 2015

O amanhã

Ontem eu dormi chorando pelo que eu era. Chorando por cada ínfima parte do que fui e que agora, não consigo mais ser. Chorando por coisas das quais eu tanto me orgulhava e que agora sumiram, feito a sombra sorrateira da lua, que de fininho sai quando não notas.
Chorei pelas cicatrizes de 40 anos que, na verdade, nem cicatrizes são. Porque ainda estão abertas, pulsando sangue e veias e artérias.
Derramei lágrimas no travesseiro, principalmente, por tudo que almejei ser e não consegui alcançar.
Chorei, céus, porque tem dias que a gente só vê um buraco de fracassos no coração e acha que chorando, faz o buraco ficar menor.

Mas vê, não há problema.

Amanhã há de ser outro dia. Amanhã, talvez, eu durma sorrindo por tudo que me tornei. Que em dias de bonança, são como o arco-íris - trazendo essa pitada de esperança. Posso ser melhor? Posso colocar band-aid no que custa a sarar, mas que enfim sarará?

Posso.
Posso.

Amanhã há de ser outro dia.