Arthur lembrava do passado com bastante frequência. Lembrava de seus joelhos sempre ralados, da estrada de barro, das horas extensas - mas que pareciam correr com pressa - que passava soltando pipa na rua com seus amigos. Lembrava da comida da vovó, o arroz branquinho, o feijão suculento, lembrava da sua voz contando histórias de lobisomen. Lembrava do cheiro do seu pai, cheiro de homem com experiência - costumava dizer. Lembrava, especialmente, dos raros dias em que iam na cidade. Comprava balões, novos chapéus, sapatos pretos, e comia tanto doce que mal conseguia andar até em casa.
Havia, também, os dias em que o circo chegava na cidade. Iam sempre. Andavam naqueles projétis de foguete, roda gigante, palhaços, maçã-doce, algodão-doce, leões, plateia, multidão. Lembrava de tudo isso com um sorriso na cara.
Tempo bom, pensava. Sapateando no assoalho da sua casa solitária, esperando que as horas passassem. Talvez elas trouxessem algo tão doce como o passado que costumara ter.
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