Largar-me-ei daqui. Acho que não me sirvo mais. Nem para resistir. Largar-me-ei aqui porque sei que o outro de mim é mais forte. Quando a gente sabe aonde a correnteza vai levar, é melhor nem entrar no mar. Nem fazer esforço pra nadar contra ela. Por isso estou indo. Porque eu, que sou eu, o eu que sempre existiu aqui, não é forte o suficiente pra lutar contra essa vontade de se jogar. Porque esse meu eu é teimoso, esperançoso e sempre acha que a correnteza vai levar pra outro lugar, um lugar seguro, tranquilo, bonito, eterno. Mas ela não vai levar. Nunca levou e nem levará. Largar-me-ei aqui e deixarei o meu outro ser me invadir. Ele me fará ir embora, pra longe desse mar apetitoso, que me chama sem parar, de um jeito suave, acalentador. Longe da correnteza e de suas infinitas quedas.
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