Exemplificando, você está num beco escuro, quase sem oxigênio, e de repente, você me vê, e confia em mim.
Tudo bem em confiar, contanto que você não se preocupe em se magoar depois. Então você acha que me conhece, em minutos de desabafo e choro, de sorrisos e abraços, e logo depois (logo, digo, meses) você vê em mim algo intolerável, conforme sua projeção anterior. Então começa a me amar (geralmente depois de alguns dias, ou horas, ou.. minutos), e dizer que não vive sem mim, que eu sou tudo aquilo que você imaginou (e imaginou mesmo, ein), e logo depois, logo mesmo, você vê que aquela garotinha que o ajudou no beco, é apenas mais uma em que você achou que seria diferente, mas não foi, e talvez, ela tenha sido pior.. (digo eu, 1ª pessoa do singular), talvez eu tenha sido pior, talvez eu tenha me aproveitado da oportunidade e tenha pego seu coração e na hora em que você se preocupou em me fazer mudar, em me fazer ser a sua projeção.. Talvez essa hora, eu já estivesse longe demais, com seu coração em minhas mãos, sorrindo maliciosamente, sem culpa nenhuma, talvez eu tenha sido o monstro que você sonhou dias atrás. Ou talvez, esse texto esteja todo ao contrário, e eu fui a vítima deixada sozinha no beco escuro, solitária, e imersa em um peso de agonia e desilusão. E como um ciclo, talvez (talvez, talvez, talvez, tantas suposições), eu tenha me tornado a vilã, depois da vítima, e tenha aprendido certo como faz, para não ser machucada e ser exatamente aquilo que são comigo. É um jogo. Ou você mata, ou é morto.
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