quinta-feira, 19 de maio de 2011

Killer

Digo, repito, digo de novo, e se quiser, posso repetir novamente. Sim, repetir  novamente. Não me dê você. Sim, não me dê nada que venha de você! Seu cabelo, seu pescoço, sua boca, seu estômago... Não me dê. Entenda o que estou lhe dizendo. Sou uma passageira. Sombria, ás vezes. Contudo, mais desajeitada numa parte do tempo.
Exemplificando, você está num beco escuro, quase sem oxigênio, e de repente, você me vê, e confia em mim.
Tudo bem em confiar, contanto que você não se preocupe em se magoar depois. Então você acha que me conhece, em minutos de desabafo e choro, de sorrisos e abraços, e logo depois (logo, digo, meses) você vê em mim algo intolerável, conforme sua projeção anterior. Então começa a me amar (geralmente depois de alguns dias, ou horas, ou.. minutos), e dizer que não vive sem mim, que eu sou tudo aquilo que você imaginou (e imaginou mesmo, ein), e logo depois, logo mesmo, você vê que aquela garotinha que o ajudou no beco, é apenas mais uma em que você achou que seria diferente, mas não foi, e talvez, ela tenha sido pior.. (digo eu, 1ª pessoa do singular), talvez eu tenha sido pior, talvez eu tenha me aproveitado da oportunidade e tenha pego seu coração e na hora em que você se preocupou em me fazer mudar, em me fazer ser a sua projeção.. Talvez essa hora, eu já estivesse longe demais, com seu coração em minhas mãos, sorrindo maliciosamente, sem culpa nenhuma, talvez eu tenha sido o monstro que você sonhou dias atrás. Ou talvez, esse texto esteja todo ao contrário, e eu fui a vítima deixada sozinha no beco escuro, solitária, e imersa em um peso de agonia e desilusão. E como um ciclo, talvez (talvez, talvez, talvez, tantas suposições), eu tenha me tornado a vilã, depois da vítima, e tenha aprendido certo como faz, para não ser machucada e ser exatamente aquilo que são comigo. É um jogo. Ou você mata, ou é morto.




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