Seus olhos se abriram, forçadamente pela luz que o sol omitia diretamente em seu rosto. Olhou o pequeno cubículo em que estava e espreguiçou-se deliberadamente, com um sono inexistente. Sentou na cama dura e barulhenta, olhando o chão cinza. A parece cinza, o teto cinza, a roupa cinza. Bocejou com toda calma possível, olhando, o que não podia ver, atráves da grade de uma pequena abertura maior que sua altura. ''Dia lindo'' Pensou, sem ânimo algum. Levantou na mesma calma de antes, calçou o sapato cinza, e bateu na grade maior. ''Bom dia'' Disse uma mulher de cabelos morenos. '' Bom dia, Marina'' Disse ela, violentada de desânimo. '' Como foi a noite hoje?'' Perguntou a moça, puxando assunto enquanto atava as mãos dela em suas próprias costas. '' Boa, boa''. Respondeu como se não soubesse onde estava.
Já de mãos livres, no pátio, sentou isoladamente em um banco. Recebendo o calor e a luz do sol sobre o seu corpo.
'' Quente. Livre''. Enquanto o vento batia em seu rosto, fazendo-a confortável. Olhou entre o portão e viu dezenas de mulheres, o que continuo não chamando sua atenção.
Tomou liberdade e deitou seu corpo sobre o banco de madeira, lembrando dos últimos momentos lá fora, a perda do seu filho, a separação do marido, o sofrimento intenso. Pelo menos, ali, estava menos infeliz do que lá fora, sua dor estava menos insuportável do que lá fora. O mundo ali dentro não a fazia relembrar de tudo o que tinha passado. O mundo ali era cinza. Até as atitudes eram.
Inundadas de cinza. Esquecendo o azul, o vermelho, o verde. As cores vivas. Não... Pelo contrário. Cinza andava ao seu lado. Sem nada, sem vida. Igual a ela.
Sorriu para o céu, tapando a luz que vinha em seus olhos com a mão, balançando os pés e cantarolando uma música indecifrável.
'' É mais fácil fugir da sua dor, do que enfrentá-la.'' '' Nós somos capazes de fazer tudo para que não tenhamos que encarar a dor.''
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