Confesso que resposta não encontrei, mas era um fato evidente. As fisionomias mudavam, um pouco de gordura ali, um pouco menos de cabelo aqui, rugas aparentes. Relacionamentos que não duravam uma semana, outros que duravam tanto que até os outros enjoavam, pessoas românticas se tornando pessoas frias como o inverno rigoroso que atingira a capital. Tudo mudava. E eu só havia parado e notado isso uma vez.
Então por que me parecia tão difícil aceitar essa idéia? Alguém que, como eu, se dizia tão renovador de ideias, e receptor de grandes acontecimentos?
Me parecia errado aceitar que qualquer coisa a minha volta mudaria a qualquer instante. Viver com pessoas, aprender a amá-las, para que dois meses depois, elas se tornassem alguém que eu não reconheceria mais?
Não só me parecia errado, mas como também inaceitável. E relatando isso a pessoas próximas a mim - sim, aquelas que eu sabia que mudariam um dia daqueles - percebi que eu também havia mudado. Embora não tivesse notado. Reclamaram, murmuraram, elogiaram, criticaram e me fizeram ciente.
De qualquer forma, aquilo ainda seria inaceitável para mim. Tudo devia permanecer do jeito que sempre foi, as palavras deviam continuar as mesmas, as atitudes deviam se repetir, e as pessoas não deveriam se tornar desconhecidos. Porque era assim que tinha que ser. Tudo no seu devido lugar.
Sem mudanças, sem aviso prévio, sem pré julgamentos. Para conservar uma vida, em minha cabeça, mudanças estavam exclusas. Ainda que meu cérebro não se incluisse no meu próprio pensamento.
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