terça-feira, 12 de julho de 2011

Procurar-te-ei

As horas já passaram, junto com todo o anseio do dia. O sol sugou todas as forças existentes em mim, e o vento levou todas as poucas esperanças contidas em minha roupa. Meus pés doem de andar, meus olhos estão cansados de tentar avistar, e meu espirito cansado de vaguear por aí. Agora a lua brilha no céu, e isso é sinal de que as forças físicas serão restituídas, e que amanhã, quando o sol aparecer no oriente, meus pés estarão descansados e meus olhos enxergarão tudo de maneira clara. Enquanto meu espírito vê uma sequência de dias, de mortes e de recendências do sol, e as fases da lua, parado e morto. Caminhando fora do meu corpo, a procura do preenchimento do espaço vazio. Vagueia por cá, por lá, em cima e embaixo, por trás de sentimentos, de pessoas, de experiências, e tudo o que ele consegue achar é mais espaço vazio.
Eu o observo agora, sentada aqui, a sua procura ininterrupta. O seu desespero por correr atrás do vento. Vejo sua face acabada e cansada, e mesmo assim inabalada. Eu o chamo, o chamo com carinho, para que desista de encontrar algo que não existe mais. Mas ele é insistente, e tudo o que me resta fazer é vê-lo se machucar, esgotar suas forças e sua falência. Que será breve.

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