Mexeu o café quieto, coitado. Com a vida tão sofrida, tão sórdida. Pegou sua trouxinha e foi trabalhar, voltaria só a noite, então já havia dado comida para seus animais. Única companhia que tinha. Sua esposa havia morrido a 5 anos, e tudo o que restava dela eram fotos, manchadas e sujas pelo pó, esquecidas em cima do armário. Onde Lucival, querendo amenizar a dor, esqueceu-as.
Trabalhou, trabalhou, trabalhou. E voltou. Era a sua rotina. Flagrou-se mexendo o café novamente. Com um olhar distante, longínquo. Esbarrou no armário velho antes de deitar no sofá, e acabou lembrando das fotos. Passou meia hora discutindo com si mesmo, e resolveu revê-las. Pegou a caixa de lembranças, jogou-a no chão e sentou-se, pegou tudo que tinha lá dentro, passava a mão pelo rosto sorridente da mulher e chorava como uma criança. Pelo menos, ela é uma luz em mim, uma paz, pensou ele. E era. Melhor que tivesse sido assim, não? Uma luz em meio a saudade que sentia. Pobre coitado... Tão pobre, tão triste, com saudades desmedidas..
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