O silêncio. Mesmo o silêncio não fica em silêncio, traz ruídos à ele mesmo, o chacoalha, não o deixa trabalhar. É preciso outro foco, algo que tire o silêncio dos ouvidos da quietude. Talvez o mar, os pássaros, ou talvez você possa cantar baixinho aos meus ouvidos.
Numa mesa de café, não converse comigo, ouvirei as vozes de outras pessoas, enquanto olho para o formato de sua boca, o brilho fosco de seus olhos, escuto sobre os problema de família da mesa ao lado, a risada exagerada da negra do outro lado do caixa, o silêncio de suas palavras não ditas.
Seu sorriso enigmático sobre meus próprios pensamentos, que ninguém sabe, mas que meu olhar os sussurra pra você. Nossos encontros sem palavras significam mais do que se eu fizesse 4,5 ou 6 declarações debaixo de seu prédio. Minhas divagações nas ondas sonoras passam de 120 decibéis, onde tu te encontra, onde só tu consegue alcançar antes do maldito silêncio eterno, Helena.
Mas sabemos, eu e tu, que nos encontramos no silêncio e por lá findaremos.
Na frieza
Do que não pode
Ser ouvido.
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