Nina,
Peguei o metro. A cidade passa rápido. As arvores passam rápido. Tudo corre. Só eu que fico parada. Vejo tudo passar voando, como se fugissem de mim.
Não sei, talvez andem fugindo.
Nina! Será que fogem?
Ando delirando.
Suspiros.
Recebeu a carta que te mandei mês passado? Te vi em meus sonhos e ai de manhã abri o jornal, todo amassado porque o carteiro não gosta de mim, e você estava lá. Sorrindo. Como se fosse propaganda de creme dental. Como se soubesse que eu ia te ver e sorrisse com desdém, só pra me mostrar que, nem que eu tente de todas as formas fazer o contrário, você vai continuar sendo o primeiro pensamento da manhã.
Achei proposital. Então to te mandando essa outra carta.
Depois que peguei o jornal, joguei no lixo, não queria correr o risco de olhar pro seu sorriso de novo, não daquele jeito.
Troquei de calça e caminhei sem nem saber pra onde. Tentei me convencer de que você já tinha ido embora da minha cabeça. Tinha nada.
Eu continuava mentindo pra mim mesma.
Você me assombrava como Freddy Krueger, só que ainda pior.
Nina, o começo foi bom. Aquela saudade de quem tem esperanças. Aquela saudade que bate no peito, rebate, quica e volta com tudo. Trazendo aquela adrenalina dos saltos.
Aí depois para, surge uma força e ela fica em repouso, em movimento retilíneo uniforme, porém não vai embora, fica ali, seca, oca, que incomoda e não liga de incomodar.
Fui chutando as pedras do caminho e comprei uma passagem pro primeiro metro do dia.
Analisei as coisas fugindo de mim e resolvi que seria uma boa escrever isto.
Recebe essa carta e junta com todas as outras que eu já te mandei, você nem abre, provavelmente. Se abre, fica rindo com esses dentes cheios de colgate.
Saudades. Saudades. Saudades e saudades e saudades ocas e cheias de mágoas.
Do seu outro eu.
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