e ela disse que não. que não conseguiria.
e eu disse que sim, você consegue, a vida passa a todo instante, você já não é a mesma de dois segundos atrás.
e ela insistiu que não, que se assim fosse, ela morreria. não tinha jeito.
e eu afirmei que tudo tinha jeito, que algumas dores são tão fortes que nos dão a impressão de que vão explodir a qualquer instante, e que junto com a explosão, o mundo acaba também, mas não. não acaba, não. é só uma sensação. que o mundo ainda vai existir amanhã e depois de amanhã e que chico buarque estava certo quando disse que APESAR de amanhã ainda é outro dia.
mas ela era muito cabeça-dura e eu entendo. eu entendo que ás vezes o amor é tão grande e tão influenciado por essa sociedade imediatista e extremista que as pessoas costumam não ver solução pra além dele.
porém eu existo. a minha existência passada existe. eu já estive ali, embora esteja aqui agora.
e eu vou gritar pro mundo ouvir que toda dor passa. que até o amor passa.
que esse amor romântico idealizado machuca gente, machuca até no cérebro, sabe?
mas tá tudo bem.
o mundo precisa saber que amanhã, provavelmente às sete horas e treze minutos o sol vai estar nascendo em algum ponto do mar, de uma montanha, e com ele um mundaréu de oportunidades e escolhas a serem feitas.
o amanhã, minha querida, vou insistir para que você saiba, o amanhã vai chegar daqui a algumas horas e talvez não seja lá que você entenderá que tudo vai ficar bem, talvez seja daqui a dois anos, ou dois meses ou talvez você só precise sentar pra se observar e entender que o sofrimento aí dentro é só um exagero vindo do comodismo. de qualquer forma, você vai entender, em algum ponto. e eu estarei lá pra sorrir e torcer por você.
a maturidade é como uma flor que precisa ser regada todos os dias.
um dia vira roseira.
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