Veja bem Nina,
Eu andava em farrapos. Farrapos.
Eu não me conhecia, eu não me via como alguém externo a mim. Nina, eu vivia tão dentro de mim, mas tão dentro, que não me enxergava como um ser humano que merecia felicidade. compaixão. carinho. respeito. paz.
amor.
Nina, eu me maltratei tanto, eu deixei que me maltratassem tanto e eu não via a gravidade disso.
E eu choro. Eu grito por dentro quando me dou conta disso, porque eu queria voltar atrás e me tratar como alguém digna de todas as coisas boas do mundo, mas não posso. Eu não posso, porque ficou pra trás, porque ficou na lembrança. Daquelas que a gente não lembra direito, só uns flashs meio desorganizados e confusos.
Flashs que doem o peito quando aparecem. De tão ruins.
Mas o hoje, pequena, é essa pintura, sendo feita a óleo, em constante mudança, o hoje é essa mistura de arte barroca com a arte não-significada-de-Frida-Kahlo. Hoje eu me pinto, bordo, costuro, coloro. Hoje, enfim, eu me amo e vejo toda essa mistura de cores que sou. Digna da mais alta apreciação.
Vezenquando eu até me vejo como alguém não pertencente a mim. Alguém que talvez eu possa esbarrar na rua e pensar: que incrível ela deve ser! E sou. Sou dentro de minha particularidade.
Eu espero que você se veja assim também, eu espero que enxergues em ti tudo aquilo que enxergo em mim e que também enxergo em ti. Eu espero, Nina, que você ao acordar todo dia se sinta digna de amor, porque o és. Cuida bem de ti.
Daqui, eu te cuido como posso.
Ainda com saudades,
J.
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