Hoje aconteceu um episódio estranho que, infelizmente, me
remeteu a outro assunto e eu precisei escrever esse texto.
Hoje, como todos os outros dias, acordei para me exercitar. Corro
por 15 minutos e ando de bicicleta, deixando-a no estacionamento de um mercado
próximo, com cadeado. Mas diferente dos outros dias, quando cheguei no
estacionamento, ela não estava mais lá. Me informei com um senhor idoso que
mexia em sua própria bicicleta e ele me relatou que ela também não estava ali
quando ele havia chegado. Presumi então, que a situação toda ocorreu em cinco
minutos, que o ladrão provavelmente me observou chegar e me observou sair.
Você deve estar se perguntando: por que ela quis escrever
sobre esse assunto banal? Explico.
Contando para pessoas próximas de mim o que tinha
acontecido, a maioria me respondeu: “poxa, Jady, que pena”, ou “esse bairro
anda violento, né?” e até mesmo “vou te ajudar a comprar outra, não se preocupa,
o bom é que não aconteceu nada contigo”, mas infelizmente, também ouvi “vacilou,
né?”, “por que tu levou tua bicicleta pra lá? Não tinha nada que ter levado”, “Ah!
Quem manda andar em lugar que não deve”.
Roubaram-me apenas uma bicicleta. Porém eu poderia ter sido
morta, estuprada, agredida e ainda assim existiriam pessoas que teriam me dito
que a culpa era minha.
Senhores, senhoras, NÃO, a culpa não é minha, a culpa não é
da mulher que foi estuprada, a culpa não é da pessoa que foi assassinada. A
culpa foi de quem fez. Por que insistem em culpar a vitima? É mais fácil? Eu
tenho meu direito de andar de bicicleta aonde eu quiser, de vestir a roupa que
eu quiser, de agir do jeito que eu quiser e ainda assim a culpa não deve cair
sobre minhas costas.
De um roubo de bicicleta à insistência de culpar toda
vitima: parem. Apenas.
Gostei da tua argumentação pois o que muito ouço é pessoas culpando as vítimas e tu acertastes na caracterização da ideia reversa. beijos nesta cabeça pensante!
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