Sabe, Nina, percebi a dificuldade que temos em aceitar o vazio.
O branco.
O preto.
O invisível, intocável.
Temos dificuldade em aceitar o que não faz sentido, ou até o sentido que nos faça ter sentimentos negativos.
Temos dificuldade em aceitar a secura da vida.
Porque a vida é sim, seca, amarga, por vezes intragável.
Temos que criar um universo de fantasias, utopias, histórias pra podermos nos sentir bem.
Não aceitamos que o nosso corpo é feito de sangue, ossos, pele, e é tão frágil que talvez, um dia, atravessando a rua, dormindo ou comendo, ele acabe se desfazendo e simplesmente pare de existir. Precisamos ter a ideia de que, mesmo que algo aconteça, continuaremos a existir. E não bastante, que esse outro plano seja algo divino, glorioso e que nos traga paz constantemente.
Nina, eu não acredito nisso.
Não acredito que precise existir algo além dessa aridez em que nos encontramos.
Existe o presente, e essa pele que posso tocar. Existe o vento que assola meu rosto e o universo pairando ao meu redor. Existe essa aridez, mas existe a chuva que vezenquando cai, fazendo o solo ficar fértil.
Eu existo, tudo o que eu sou existe. Eu aceito a condição de simplicidade na qual me encontro. Aceito que amanhã posso não mais existir.
Aceito estar aqui e não estar.
Nina, aceito quem és também. E te sinto todo dia, como quem sente as batidas do coração.
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