Seu corpo desnudo não me trazia vergonha, nem fazia meus olhos desviarem, pelo contrário, procuravam ansiosamente por cada centímetro de pele, de órgãos, de pêlos, de marcas.
meus olhos já não mais fechavam atrás de outra imagem que causasse conforto. porque meu corpo aconchegava na ternura e calor que emanava desse outro corpo.
porque, talvez, naquele momento, o sentido que eu tanto procurava, acabava de encontrar. mesmo que esse encontro não durasse mais que alguns segundos.
porque estar ali era não estar em mim.
e não estar em mim já era muita coisa.
percorrer os dedos pela boca morna, queixo, pescoço, seios, barriga, pernas e não entender como, meu deus, como? o externo se perdia, tanto, tanto, tanto, pelo decorrer dos dias e das semanas.
e às vezes se encontrava
e se perdia
e se achava
e de repente
esvanecia.
e depois se encontrava naquele corpo. quantas vezes fosse preciso.
porque estar ali era bom.
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