sábado, 15 de janeiro de 2011

Brilho Próprio

Eu vivo aqui no céu. Eu e a minha luz intensa. Você deve achar que ser uma estrela é uma coisa legal, que o céu é maravilhoso, e que a lua é um astro gentil e bonito. Mas deixe-me admitir: Nada disso é verdade. 
 Aonde eu fico não tem muitas estrelas, na verdade não tem nenhuma. Eu só sou um ponto brilhante no meio do céu escuro. Sozinha. Mas não sinta pena de mim, eu tenho sorte de ser tão - ou ainda mais - brilhante quanto as outras estrelas. A lua... Bem, a lua é um astro egocêntrico demais. Ela acha que só porque é maior e mais brilhante pode ser melhor que nós. O que estou querendo dizer é que viver aqui, sabe.. No céu, é uma chatisse. Tem suas partes boas, é claro. Como aqui nunca é calor, e como você pode ficar em silêncio e observar aquelas criaturas (quase) detestáveis, presas em suas vidas monótonas. Sempre apressadas, sem nem um minuto para parar e olhar o céu. Ver como as coisas mudaram de posições, quantas estrelas há a mais, ou simplismente parar e sorrir. Eu adorava quando faziam isso pra mim. Mas, hoje em dia, nem sequer olham para cá.
 Anh, mas tudo bem, deixa eu contar uma história.. Há poucos dias atrás, eu vi uma menina, na verdade, ela me viu. E ela me olhou de um jeito que me fez pensar que eu já a conhecia. Era um olhar que eu talvez já tivesse visto antes. Eu consegui olhar em seus olhos, atráves da janela do carro, e ver a perseverança. Suas mãozinhas agarraram o vidro, e ela levantou os olhos para mim, e sorriu. Um sorriso sincero. Como se quissese assegurar PARA MIM que ficaria tudo bem. Depois disso deu um longo suspirou e olhou para a lua, fez uma careta contorcida, e olhou para mim novamente. Sorrindo sem parar. E me seguiu com os olhos até que os prédios não a deixaram me enxergar mais. Ela talvez, se parecesse comigo. Ou não. Na verdade... Ela estava certa. E eu não precisava ser uma estrela pra saber. Os sonhos daquela menina foram tão longe, mais tão longe, que ela precisou assegurar para ''alguém'' maior que ela que tudo ficaria bem. Os sonhos dela conseguiram passar pelo ambiente fechado de sua consciência, e preencher a eletrosfera de sua existência. Me pus a pensar e a me questionar. Eu era uma estrela. Que tinha brilho PRÓPRIO. E se estava sozinha? Bem, quem se importava?! Os sonhos nunca vão ser grandes demais para apagar o seu brilho. E nada, nem ninguém, pode mudar isso.

Um comentário: