terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Metáfora

Fiz uma cadeia dentro de mim. Sem lados opostos.
Grades sujas, imundas, intocáveis.
Repulso.
Tentei fugir, mais de uma vez. Tentei apoderar-me do meu próprio ser.
Tentei ter o controle e fazer com que minha companheira de cela, a felicidade, me tirasse dali.
Mas nem ela conseguiu. Só me prendeu mais e mais na cama ilusória de ferro.
Tudo em mim doía, desde os pés até as veias. Pulsando lentamente.
O amor, juiz miserável, que me trouxera até ali, se deliciava com outros sabores.
Enquanto eu me perdia no cheiro da injustiça.
Sorria, gritava o ódio. Amigo fiel do amor. O carcereiro.
E eu obedecia, como uma marionete sem nenhum controle.
Os dias não passavam, se arrastavam. O coração mal pulsava ao lado da prisão.
Eu nem sequer podia ouvir o seu som. Não mais.
Tudo estava quieto e agoniante. Sem vida.
Silêncio. O maldito silêncio.
Totalmente sem pudor.
Esperando a tal liberdade para que pudesse me soltar.
Ver-se livre de mim. E por estranho que pareça, eu também queria estar livre de mim.
Livre de tudo.

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