Havia um mar de incertezas. No raiar do dia, as ondas vinham e iam com uma calma inexpressível. Vagarosas e límpidas, tão claras e reluzentes quanto o brilho do sol. Marolando até o começo da areia seca, enchendo-as de dúvidas e mais dúvidas. Molhando cada grão com cuidado, para que nenhum deles ficasse a sós com a convicção.
Num repulso de tempo, o sol havia de esquentar cada partícula de vida. Cada pequeno ser insignificante daqui. Concentrados em sua pequena vida de nada. Vivendo pra nada, morrendo pra nada. Aliás, não vivendo, apenas sobrevivendo. Nojento e repugnante ser humano. Completo e indiscutivelmente, asqueroso.
Colocador de idéias supérfluas e intrigantes. Pensando sem permissão. Sem autoridade e lógica. Ser humano e sua linda construção. Linda, tudo bem, linda de uma forma desprezível.
Outrora, digo eu, o sol haveria de ir embora, e a lua tomaria conta de novo. Redonda, gorda, linda, cheia. Um vento. Certamente, como numa exemplificação do dia, do trabalho, do esforço, da vida. O ser humano, em qualquer hora, continuaria sendo o mesmo mesquinho homem das cavernas. Sem tirar ao menos os costumes. Continuava o mesmo.
Seria, eu, um desses? Ou talvez não? Se fosse, me classificaria igualmente. Me afastaria de mim mesma. Como venho fazendo desde que nasci.
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