Estava lá, imóvel, frente ao espelho, olhando seu próprio reflexo, tentando buscar no fundo dos olhos, algo, ou algum resquício do seu eu, das suas atitudes, da sua alma. Mas tudo o que via era um rosto pálido, olhando para um espelho sujo, com um semblante cansado e triste, buscando no seu próprio corpo, esperanças.
Vivia uma vida que não era sua. Falava o que não pensava, e pensava o que não queria. Sorria com lágrimas, chorava com lágrimas, dormia com lágrimas. Vivia assim. Mas não se importava. Quando aquilo, lá dentro, já está esfarrapado, acabado, morto, a dor é suportável, em muitas vezes, nem sentida. Com o tempo, a dor se torna força, e o que a acabava rapidamente, precisava ser três vezes maior, ou quatro, ou cinco... Ou ela já havia se tornado invencível, uma muralha de força que a dor construiu.
Muito bom, adorei.
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