domingo, 7 de fevereiro de 2016

Falhas

Eu, Cristiane, drogada desde os 15, não consigo me levantar. Ontem andei pelo cais de Cabo Frio, com as roupas meio amassadas, meio rasgadas, trocando os pés e a mente. Dizia a mim mesma que passaria, que passará - sabendo que não. 
Não importa, caro ouvinte - Ouvinte, porque leio essas anotações que escrevi, em voz alta.  Não importa se não passará. Quando vives um tempo com algum sentimento dentro de você, ele começa a fazer parte de quem és e de repente nem nota que está lá e que machuca vez em sempre. But it's ok, i adapted anyway. 

E aí eu deito na madeira suja, todo dia, e olho o sol subir no horizonte, com a famigerada e falha promessa de fazer o dia de hoje ser melhor do que o de ontem. Mas nunca é, meu caro, nunca é. Todo dia é uma sucessão de novos semblantes, novos cigarros, novas alucinações, novas esperanças, que logo se vão, junto com o pôr-do-mentiroso-sol. 

Mas hão de saber: toda meia-noite sento na calçada vermelha da Avenida Sexta e escuto Fernando, saxofonista, tocar dentro do bar. E durante aquela uma hora tudo faz sentido. 

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