quarta-feira, 1 de julho de 2020

Olhos de Jabuticaba

Seus olhos de jabuticaba viviam lacrimejando. Não sei se de emoção. Mas quando me via sorria com esses mesmos olhos. Levava minha mão até seu coração e dizia "viu, fico assim perto de você". E o coração batia.
80 bpm?
100?
Não sei, mas batia forte, enquanto os olhos sorriam e lacrimejavam e pulsavam.
Eu sorria junto.
Doía de um jeito bom saber que eu existia em alguém do jeito que eu existia nele.

Naqueles olhos de  jabuticaba, nos cabelos enroladinhos, nas mãos limpas e com veias, nos lábios cheios, na pele macia e queimada pelo sol, eu me encontrava. Sabia que, de alguma forma, eu havia parado de implorar por coisas que deviam ser me dadas naturalmente. E estavam sendo dadas.


Existir desse jeito, tão bonito, perante os olhos e os sentimentos de alguém era reconfortante. Como ouvir o mar e sentir o vento.



De J,
Para A. 

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