Seus olhos de jabuticaba viviam lacrimejando. Não sei se de emoção. Mas quando me via sorria com esses mesmos olhos. Levava minha mão até seu coração e dizia "viu, fico assim perto de você". E o coração batia.
80 bpm?
100?
Não sei, mas batia forte, enquanto os olhos sorriam e lacrimejavam e pulsavam.
Eu sorria junto.
Doía de um jeito bom saber que eu existia em alguém do jeito que eu existia nele.
Naqueles olhos de jabuticaba, nos cabelos enroladinhos, nas mãos limpas e com veias, nos lábios cheios, na pele macia e queimada pelo sol, eu me encontrava. Sabia que, de alguma forma, eu havia parado de implorar por coisas que deviam ser me dadas naturalmente. E estavam sendo dadas.
Existir desse jeito, tão bonito, perante os olhos e os sentimentos de alguém era reconfortante. Como ouvir o mar e sentir o vento.
De J,
Para A.
como não amar?
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